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“Evangelizador do etanol” Imprimir E-mail
Escrito por Léo Lince   
Qui, 04 de Outubro de 2007
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A edição de dois de outubro da “Folha de S.Paulo” traz, em sua página três, um artigo que todo brasileiro consciente deveria recortar. Nele, a professora Maria Aparecida de Moraes Silva, doutora em sociologia pela Universidade de Paris 1 e docente da Universidade Estadual Paulista, pede um “dedinho de prosa” com o presidente da República para falar de “coisinhas simples”, referentes ao cotidiano de trabalho e da vida de alguns brasileiros.

 

Recolho do artigo (“Atrás das cortinas no teatro do etanol”) alguns dados reveladores. Os cortadores de cana nos canaviais paulistas estão comendo o pão que o diabo amassou. A jornada de trabalho não tem limite de tempo, mas de tarefa: “são obrigados a cortar em torno de dez toneladas de cana por dia”. Para cada tonelada, segundo informa a pesquisadora, eles “são obrigados a desferir mil golpes de facão”, daí a “birola”, que são as dores provocadas por câimbras. Quem não consegue esta marca espantosa é obrigado a ouvir, durante a terrível jornada, o chicote verbal do feitor: “fraco, “facão de borracha”, “borrado”, vagabundo”. Os que não respondem positivamente a esta emulação macabra serão demitidos ao final da jornada.

 

O salário é pago por produção na base de R$ 2,50 por tonelada. Ou seja, depois de dez mil golpes de facão, restará ao suplicante a quantia de R$ 25,00 como ganho diário pelo trabalho estafante. Com um agravante: “livre” da senzala, o escravo moderno é quem custeia a sua bóia fria e o alojamento precário nas cidades-dormitório. No tempo da escravatura, os antigos senhores eram mais generosos com suas “peças”.

 

Não há saúde que resista a um processo tão brutal de exploração. O resultado, além do elevado numero de acidentes do trabalho, é a fieira de doentes que sobrecarregam o precário atendimento público aos desvalidos. Tendinite nos braços e mãos por esforço repetitivo, vias respiratórias entupidas pela fuligem da cana queimada, deformações nos pés pelo uso dos “sapatões”, desgaste da coluna vertebral e encurtamento das cordas vocais devido a postura encurvada do pescoço durante o trabalho são algumas das doenças típicas do inferno verde. Sem falar no absurdo supremo: os mortos por exaustão.

 

São jovens brasileiros, entre 16 e 35 anos, que estão sendo esfolados vivos. Não é por bala perdida, nem por vício, estão morrendo por conta de um regime desumano e cruel de exploração do trabalho. Segundo afirma a pesquisadora, “minhas pesquisas em nível qualitativo na macrorregião de Ribeirão Preto apontam que a vida útil de um cortador de cana é inferior a 15 anos, nível abaixo dos negros em alguns períodos da escravidão”. Sem dúvida, em pleno século 21, na região mais rica do Brasil, uma informação estarrecedora.

 

Os magnatas supremos do capitalismo ensandecido estão eufóricos com as oportunidades de negócios que se abrem com esta nova fonte de energia renovável. Um novo ciclo de prosperidade para os donos do poder, montado na devastação do ambiente, na concentração ainda maior de terras e rendas, na exploração e morte dos trabalhadores. Por considerar normal e inevitável semelhante absurdo (os mineiros do carvão também foram esfolados), o presidente Lula já recebeu do “companheiro” Bush o título infamante: “envagelizador do etanol”.

 

 

Léo Lince é sociólogo.

 

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Última atualização em Qui, 04 de Outubro de 2007
 

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