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Instrumentos “made in USA” da sedição na Venezuela Imprimir E-mail
Escrito por Atilio A. Boron   
Quarta, 12 de Março de 2014
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Se há uma pergunta que está ociosa – e até ridícula! –, em relação à situação dominante na Venezuela, é aquela que se interroga se os Estados Unidos estão desempenhando ou não um papel nos motins e distúrbios violentos promovidos por um setor da oposição que transitou desde o protesto pacífico até a revolta, entendida esta como toda ação que pretende mudar por via violenta a ordem constitucional e as autoridades legalmente estabelecidas no país. Através do férreo controle da imprensa gráfica, radiofônica e televisiva, a direita vernácula e o imperialismo denunciam o governo bolivariano por acusar a oposição de reprimir manifestações “pacíficas”, coisa que só foi feita depois de as forças de segurança do Estado tolerarem toda sorte de agressores, de fato e de palavra. Além de que os rebeldes foram lançados “pacificamente” a incendiar prédios governamentais, meios de transporte ou a destruir de centros de saúde, escolas ou qualquer propriedade pública.

 

A questão é ociosa, porque a ingerência dos Estados Unidos na Venezuela obedece à própria lógica do império: dado que Washington exerce um poder global, planetário, apesar de declinante, seria absurdo pensar que permaneceria de braços cruzados em um país que hoje conta com a maior reserva petroleira (comprovada por fontes independentes) do planeta, superiores às da Arábia Saudita e situada a poucos dias de navegação de seu grande centro receptor de petróleo importado, Houston.

 

Os Estados Unidos se envolvem permanentemente em todos os países, com variável intensidade segundo sua significação geopolítica global. Como a Venezuela tem uma importância excepcional neste item, não é coincidência que a Casa Branca tivesse exercido uma permanente vigilância e influência ao longo de todo o século 20, para assegurar que a riqueza petroleira fosse exportada pelas empresas apropriadas; que depois do Caracazo, intensificasse sua interferência diante da certeza de que a velha ordem da Quarta República foi desmoronando; e que, com a chegada de Hugo Chávez Frías no governo, conspirasse ativamente para derrubá-lo, primeiro promovendo e reconhecendo de imediato o golpe de 11 de abril de 2002 e, ao fracassar este, impulsionando o “golpe petroleiro” de dezembro de 2002 a março de 2003.

 

Frustrados nesta nova tentativa e derrotados no seu projeto continental, a ALCA, em Mar del Plata, precisamente dirigido por Chávez Frías, os Estados Unidos trataram por todos os meios de acabar com Chávez e o chavismo. Mas nada disso resultou no que queria o império, e sua intromissão nos assuntos internos de países terceiros segue seu curso. Quem tem dúvidas consulte os dados postados pelo Wikileaks ou as revelações de Edward Snowden sobre a espionagem de nível planetário, sobre aliados e inimigos, por igual, praticada pela NSA, a Agência Nacional de Segurança.

 

Para intervir nestes países, os Estados Unidos contam com um grande número de agências e instituições: algumas públicas, outras semipúblicas e muitas de caráter privado, mas sempre articuladas com as prioridades de Washington. A CIA é a mais conhecida, mas está longe de ser a única; o Fundo Nacional para a Democracia (National Endowment for Democracy, o NED) é um de seus principais aríetes nesta campanha mundial. O NED é um “desestabilizador invisível”, como denomina um expert no tema, Kim Scipes, da Universidade Purdue.

 

Em um artigo recente, este autor demonstra que, embora o NED queira se passar por “independente”, foi criado pelo Congresso dos Estados Unidos durante a presidência de Ronald Reagan (não precisamente um democrata!), e graças a um pedido especial do tão arqui-reacionário presidente.

 

Conta para seu funcionamento com avolumados fundos públicos aprovados pelo Congresso e, entre os membros passados e presentes de seu diretório, sobressaem os nomes de algumas das principais figuras do establishment conservador dos Estados Unidos: Henry Kissinger (segundo Noam Chomsky, o principal criminoso de guerra do mundo); Madeleine Albright; Zbigniew Brzezinski; Frank Carlucci (ex-diretor adjunto da CIA); Paul Wolfowitz; o senador John McCain; o inefável Francis Fukuyama e outros falcões da direita norte-americana.

 

Um de seus primeiros diretores, Allen Weinstein, da Universidade Georgetown, admitiu em um artigo publicado no Washington Post, em 22 de setembro de 1991, que “muito do que hoje fazemos foi feito veladamente pela CIA há 25 anos” (1). O NED opera através de seu núcleo central e de uma rede de institutos, vários dos quais estiveram atuando intensamente na Venezuela desde 1997, quando a maré chavista aparecia já como inexorável. Os principais são o Instituto Republicano Internacional (dirigido por McCain); o Instituto Nacional Democrata para Assuntos Internacionais (dirigido por Albright); o Centro da Empresa Privada Internacional, manejado pela Câmara de Comércio dos Estados Unidos; e o Centro Estadunidense para a Solidariedade Operária Internacional, manejado pela AFL-CIO.

 

No Relatório Anual do NED correspondente a 2012, que é o último disponível, revela-se que tão somente neste ano o NED destinou 1.338.331 dólares a organizações e projetos na Venezuela, em questões como responsabilidade governamental, educação cívica, ideias e valores democráticos, liberdade de informação, direitos humanos e outros do estilo.

 

Mas, além disso, no mesmo ano foram atribuídos 465.000 dólares para reforçar o movimento trabalhador na América Latina, enquanto que o Instituto Republicano Internacional contribuiu com 645.000 dólares e o Instituto Nacional Democrata para Assuntos Internacionais entrou com outros 750.000 dólares. Estamos falando de somas oficialmente registradas colocadas pelo NED.

 

Isto é, a ponta do iceberg, se levarmos em conta os subsídios por debaixo da mesa feitos pela CIA, a NSA, DEA e tantas outras agências públicas, sem falar daqueles do mundo privado, como por exemplo a Fundação Sociedade Aberta de George Soros, ou o Diálogo Interamericano, que também canalizam fundos e oferecem assistência técnica para “fortalecer a sociedade civil na Venezuela”, isto é, para organizar e financiar a oposição antichavista, inventando um Capriles ou um López neste país, ou um Maurício Rodas, recentemente no Equador.

 

Um cálculo feito por Eva Golinger, advogada e especialista na relação EUA-Venezuela, afirma que desde 2002 os EUA transferiram, por suas diversas agências e instituições, “promotoras da democracia e da sociedade civil”, mais de 100 milhões de dólares para apoiar as atividades da oposição ao governo bolivariano.

 

Tudo isso não só em violação à legislação vigente na Venezuela, mas também àquela que Estados Unidos têm em seu próprio território, onde está absolutamente proibido que organizações de países terceiros financiem partidos ou candidatos nas eleições que ocorrem neste país. Mas a mentira e o duplo discurso são dispositivos essenciais para a sustentação do império. Isto foi antecipadamente advertido por Simón Bolívar, que, com sua excepcional clarividência, sentenciou que “nos dominam mais pela ignorância do que pela força”.

 

Nota:

1) Ver artigo de Scipes em

http://www.counterpunch.org/2014/02/28/the-national-endowment-for-democracy-in-venezuela/

 

Leia também:

‘Mídia traz uma Venezuela caricata, completamente deslocada da realidade’ – entrevista com Pedro Barros, da Missão do IPEA em Caracas.

 

Atilio Borón é diretor do Programa Latino-americano de Educação à Distância em Ciências Sociais (PLED), Buenos Aires, Argentina. Recebeu o prêmio Libertador al Pensamiento Crítico 2013.

Website: www.atilioboron.com.ar -

 

Retirado de América Latina en Movimiento.

Traduzido por Daniela Mouro, do Correio da Cidadania.

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Última atualização em Terça, 18 de Março de 2014
 

A publicação deste texto é livre, desde que citada a fonte e o endereço eletrônico da página do Correio da Cidadania




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