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Campanha de 2014: Fraternidade e Tráfico Humano Imprimir E-mail
Escrito por Frei Marcos Sassatelli   
Sexta, 07 de Março de 2014
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A Quaresma, que se inicia na quarta-feira de Cinzas, é um tempo forte de conversão e mudança de vida, que “implica recomeçar a partir de Jesus Cristo”. Somos convidados a ter “os olhos fitos em Jesus Cristo, que, na cruz, se fez solidário aos que sofrem em nosso meio, especialmente com as injustiças. Nosso caminhar quaresmal não pode ser insensível a situações que atentam contra a dignidade da pessoa humana e seus direitos fundamentais, como o tráfico humano” (Campanha da Fraternidade 2014. Texto-Base, 1)

 

Neste caminhar quaresmal de conversão e mudança de vida, a CNBB “apresenta a Campanha da Fraternidade (CF) como itinerário de libertação pessoal, comunitária e social” (ib. Apresentação). O tema da CF deste ano é: Fraternidade e Tráfico Humano e o lema: É para a Liberdade que Cristo nos Libertou (Gl 5, 1).

 

O Texto-Base da CF 2014, de forma contundente, afirma: “o tráfico humano (ou tráfico de seres humanos ou tráfico de pessoas) é um crime que atenta contra a dignidade da pessoa humana, já que explora o filho e a filha de Deus, limita suas liberdades, despreza sua honra, agride seu amor próprio, ameaça e subtrai sua vida, quer seja da mulher, da criança, do adolescente, do trabalhador ou da trabalhadora – de cidadãs e cidadãos que, fragilizados por sua condição socioeconômica e/ou por suas escolhas, tornam-se alvo fácil para as ações criminosas de traficantes” (6).

 

O Concílio Vaticano II já dizia que “a escravidão, a prostituição, o mercado de mulheres e de jovens, ou ainda as ignominiosas condições de trabalho, com as quais os trabalhadores são tratados como simples instrumentos de ganho, e não como pessoas livres e responsáveis, são infames, prejudicam a civilização humana, desonram aqueles que assim se comportam e ofendem grandemente a honra do Criador” (A Igreja no mundo de hoje - GS, 27).

 

O Documento de Aparecida fala de “um vergonhoso tráfico de pessoas” (73). O papa Francisco, numa audiência aos responsáveis do Conselho Pontifício para a Pastoral dos Migrantes e Itinerantes (CPPMI), da Santa Sé, em maio passado, condenou o tráfico de seres humanos, dizendo: “o tráfico de pessoas é uma atividade ignóbil, uma vergonha para as nossas sociedades que se dizem civilizadas: exploradores e clientes, a todos os níveis, deveriam fazer um sério exame de consciência diante de si e diante de Deus”.

 

O Texto-Base (cf. 15-19) aponta as principais modalidades de tráfico humano: tráfico para a exploração no trabalho (trabalho forçado, trabalho escravo, exploração do trabalho, semiescravidão, trabalho degradante); tráfico para exploração sexual (exploração da prostituição e outras formas de exploração sexual, que utilizam-se da pornografia, do turismo, da indústria do entretenimento, da internet); tráfico para extração de órgãos (coleta e venda – muitas vezes com a utilização da internet – de órgãos de doadores involuntários ou doadores que são explorados a venderem seus órgãos); tráfico de crianças e adolescentes (por organismos internacionais e nacionais).

 

O tráfico humano é realmente um dos crimes mais graves e gritantes da atualidade, no mundo inteiro. Não dá para ser indiferente. Precisamos nos unir e lutar, com todas as forças e com todos os meios possíveis, contra esse crime organizado que é o tráfico humano; um crime que clama por justiça diante de Deus

O Texto-Base – no final da Introdução – apresenta o objetivo geral e seis objetivos específicos da CF 2014.

 

O objetivo geral é: “Identificar as práticas de tráfico humano em suas várias formas e denunciá-lo como violação da dignidade e da liberdade humana, mobilizando cristãos e a sociedade brasileira para erradicar esse mal, com vista ao resgate da vida dos filhos e filhas de Deus”.

 

Os objetivos específicos são:

 

  1. 1. “Identificar as causas e modalidades do tráfico humano e os rostos que sofrem com essa exploração.

  1. 2. Denunciar as estruturas e situações causadoras do tráfico humano.

  1. 3. Reivindicar, dos poderes públicos, políticas e meios para a reinserção das pessoas atingidas pelo tráfico humano na vida familiar e social.

  1. 4. Promover ações de prevenção e de resgate da cidadania das pessoas em situação de tráfico.

  1. 5. Suscitar, à luz da Palavra de Deus, a conversão que conduza ao empenho transformador dessa realidade aviltante da pessoa humana.

  1. 6. Celebrar o mistério da morte e ressurreição de Jesus Cristo, sensibilizando para a solidariedade e o cuidado com as vítimas desse mal”.

Que esses objetivos sejam, para todos e todas nós, um programa de vida para acabar, o quanto antes, com a violência institucionalizada do tráfico humano contra tantos irmãos e irmãs nossos!

 

 

Frei Marcos Sassatelli, frade dominicano, é doutor em Filosofia (USP) e em Teologia Moral (Assunção - SP), professor aposentado de Filosofia da UFG.

 

E-mail: mpsassatelli(0)uol.com.br

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