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Estados Unidos e Brasil nos anos 60 – a Missão Berle Imprimir E-mail
Escrito por Virgilio Arraes   
Sexta, 07 de Março de 2014
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Oposicionista, Jânio Quadros (JQ), ao ser empossado na presidência da República em 31 de janeiro de 1961, tornou-se o primeiro mandatário a receber na nova capital, Brasília, a faixa bicolor do antecessor, Juscelino Kubitschek (JK).

 

A depender do ponto de vista historiográfico, o controverso político mato-grossense, radicado em São Paulo, seria o último mandatário eleito da pouca extensa III – ou – IV República (1946-1964), como adota, por exemplo, a Câmara dos Deputados, ao dividir em mais de um período a chamada era Vargas (1930-1945).

 

Com uma polêmica campanha presidencial, ao simbolizar a restauração da moralidade pública com uma vassoura, ele chegou à vitória com pouco mais de 5 milhões e 600 mil votos, equivalentes a mais de 48% dos votos válidos, quase dois milhões a mais que seu adversário principal, marechal Henrique Lott, ex-ministro da Guerra do governo Kubitschek, e cerca de três milhões e meio a mais que Adhemar de Barros, prefeito de São Paulo.

 

Adversário cerrado da gestão predecessora, Quadros elegeu-se por uma coligação em que se destacava não sua agremiação, o Partido Trabalhista Nacional (PTN), mas a União Democrática Nacional (UDN). Lott, por sua vez, encabeçava o Partido Social-Democrático (PSD); e Barros, o Partido Social Progressista (PSP).

 

Todavia, a terceira força partidária do país não era nem o PTN, nem o PSP, mas o PTB (Partido Trabalhista Brasileiro), por meio do qual João Goulart (Jango) se alçou à vice-presidência pela segunda vez.

 

A Constituição de 1946 havia estranhamente possibilitado ao eleitor votar em nomes de chapas distintas. Por isso, a esquisita conjugação de 1961: Quadros-Goulart, popularmente conhecida como Jan-Jan. Inspirada nos Estados Unidos, a Carta Magna daquele período atribuía a presidência do Senado ao vice-presidente.

 

No dia da posse de Quadros, o Departamento de Estado anunciou em Washington o estabelecimento de uma comissão interministerial direcionada de forma exclusiva a assuntos latino-americanos. O responsável por ela seria Adolf Berle Jr, ex-embaixador junto ao Brasil por um ano (janeiro de 1945 a fevereiro de 1946).

 

Seu conhecimento sobre a América Latina havia-o anteriormente levado a ser o responsável por elaborar um pormenorizado relatório ao recém-eleito presidente John Kennedy. Aluno de Harvard e posteriormente membro da Faculdade de Direito de Columbia, Berle Jr havia se especializado em questões econômicas, notadamente as concernentes à governança corporativa.

 

O inesperado êxito da Revolução Cubana, a datar de janeiro de 1959, aturdiu os norte-americanos, de sorte que necessitavam novamente concentrar-se na região, com o propósito de prevenir a emergência de movimentos similares, em face da futura possibilidade de orbitar em torno do comunismo. Nesse sentido, o Brasil seria um dos alvos mais importantes.

 

Um dia antes de Quadros assumir o poder, Kennedy, ao discursar no Senado sobre o Estado da União, mencionou a constituição da força-tarefa de alto nível, sob a coordenação do Departamento de Estado - http://www.jfklibrary.org/Asset-Viewer/Archives/JFKPOF-034-003.aspx .

 

Além de Berle Jr, integravam-na Theodore Achilles, assessor especial de Dean Rusk; Thomas (Clifton) Mann, Secretário de Assuntos Americanos; William Bundy, Subsecretário de Segurança Internacional do Departamento de Defesa; e (Abraham) Lincoln Gordon, professor de economia internacional de Harvard.

 

O objetivo do grupo especial encaixava-se nas diretrizes da Guerra Fria, ao mirar de modo retórico em duas aspirações: desenvolvimento socioeconômico regional e paz. Desta maneira, ela se destinaria à implementação de cooperação econômica, através do financiamento de projetos, auxílio militar e intensificação das relações culturais, via afirmação de valores democráticos e liberais.

 

Naquela época, o representante dos Estados Unidos no Brasil era John Moors Cabot, pertencente a uma das mais prestigiadas famílias da política estadunidense. Fluente em português, ele havia chegado ao país em 22 de julho de 1959, depois de dois anos como embaixador na Colômbia, e permaneceria até 17 de agosto de 1961, quase a coincidir com o momento da renúncia de Quadros.

 

Moors foi, entre março de 1953 a março do ano seguinte, o titular da Secretaria de Assuntos Hemisféricos – área relativa aos países americanos e caribenhos. Entre 1932 e 1933, em seu primeiro trabalho no país, ele havia sido segundo secretário da embaixada, em período no qual o órgão contava com apenas três funcionários no Rio de Janeiro.

 

Em nome da força-tarefa do Departamento de Estado, Berle Jr veio ao Brasil na última semana de fevereiro de 1961 avistar-se com autoridades graduadas, entre elas o próprio presidente Quadros.

 

No Rio de Janeiro, Berle Jr encontrou-se a portas fechadas com Afonso Arinos de Melo Franco, ministro das Relações Exteriores. De acordo com o noticiário, o debate teria sido voltado para temas econômicos, em vista mesmo de futura viagem do ministro da Fazenda, Clemente Mariani, aos Estados Unidos.

 

Em Brasília, Quadros reuniu-se com Berle Jr em uma sexta-feira (3 de março), sem a participação de Cabot, o que ia de encontro ao protocolo diplomático – não houve justificativa apresentada para isso. Ao cabo da audiência, nenhum dos dois se sentiria satisfeito com a conversa.

 

Do lado norte-americano, o ponto principal era a postura do Brasil concernente a Cuba. Washington desejava a modificação do comportamento, com o propósito de fortalecer o isolamento de Havana no continente. Na visão da Casa Branca, seria o início da formação de uma vasta aliança contra a tirania de feitio comunista. Quadros não concordou com Berle Jr sobre isso.

 

Do brasileiro, o relacionamento econômico. Brasília não almejava mais a solicitação de empréstimos circunstanciais, de caráter emergencial ou assistencial. Ansiava financiamento para projetos de longo prazo voltados para a expansão da infraestrutura.

 

Berle Jr não objetou e Kennedy acolheria em tese o pedido não somente para o país, mas para todo o continente, através da primeira fase do programa denominado de Aliança para o Progresso, substituto maior da Política de Boa Vizinhança, do próprio Partido Democrata nas décadas de 30 e 40.

 

No entanto, o resultado da Missão Berle no Brasil foi frustrante para os Estados Unidos. A Casa Branca teria condicionado auxílio financeiro singular ao Planalto em troca da solidariedade política, ou seja, de hostilidade a Havana.

 

Astucioso, Quadros valeu-se de uma oportunidade da política externa para projetar-se internamente como homem de Estado de posicionamento independente e firme. Comunicou ao enviado especial que o Brasil não precisava de nenhuma ajuda específica dos Estados Unidos.

 

Contudo, ele não desmarcaria a Missão (Walter) Moreira Salles, destinada a preparar o debate sobre questões econômico-financeiras entre os dois países – marco preparatório do deslocamento do ministro Clemente Mariani.

 

Na perspectiva de Quadros, se houvesse a possibilidade de assistência singular a um país, haveria, destarte, a possibilidade de estendê-la aos demais. Indo além, informou que o país não seria ‘caudatário’ de nenhum bloco. Com isso, sugeria a perspectiva de futura neutralidade.

 

Decepcionado, Adolf Berle Jr retornou aos Estados Unidos sem despedidas protocolares – mais tarde, ele se desculparia, ao afirmar que o horário do voo o impedira de participar.

 

Na capital norte-americana, ele teria uma audiência reservada com Kennedy no dia 7 de março, sem divulgação pública do teor discutido, momento em torno do qual os Estados Unidos anunciavam a Argentina como a possível mediadora da questão cubana. Nas semanas subsequentes, pontos de atrito entre os dois países ocorreriam.

 

Virgílio Arraes é doutor em História das Relações Internacionais pela Universidade de Brasília e professor colaborador do Instituto de Relações Internacionais da mesma instituição.

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Última atualização em Qui, 13 de Março de 2014
 

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