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Terrorismo oficial Imprimir E-mail
Escrito por Lincoln Secco   
Quarta, 26 de Fevereiro de 2014
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“Repressão policial / Instrumento do capital / Repressão Policial /
Terrorismo Oficial” (Satânico Dr. Mao e os Espiões Secretos)

 

Protesto do dia 22 de fevereiro de 2014 em São Paulo: mil manifestantes, mil policiais! (segundo versão da própria polícia). Eis os personagens e o cenário.

 

Primeira cena

 

A manifestação seguia pacífica pelas ruas da “cidade nova”, ou seja, as ruas de traçado regular das imediações da Praça da República. Num átimo, os policiais cercaram a vanguarda da passeata. Isolaram, espancaram e prenderam 230 pessoas. Depois da correria provocada pela polícia, outros manifestantes indignados quebraram vidraças de bancos da região.

 

Significa que a PM prendeu quase um quarto dos manifestantes! Literalmente, ao arrepio da lei, a PM simplesmente proibiu a manifestação, um direito constitucional. Mas há direitos na nossa democracia racionada? Só para alguns.

 

Segunda cena

 

Um jovem grita a um PM: “Tira a farda e vem na mão”! Afinal, o que espanta na PM não é sua truculência, já que ela foi criada pela ditadura militar; nem as ilegalidades cometidas, já que ela foi criada pela ditadura militar; e nem o prazer em torturar, humilhar, chutar uma menina de 18 anos no chão etc. etc., já que ela foi criada pela ditadura militar. O que espanta é a covardia! Bem, ela foi criada pela ditadura militar...

 

Cena derradeira

 

Delegacia de polícia no bairro da Liberdade, ou seja, na “cidade velha”, cheia de ruas tortuosas e rotas de fuga. Na porta, alguns PMs conversam, animadamente. Um conta como deu uma “gravata” num estudante. Já dentro da delegacia jovens sentados no chão. Dois deles são menores. Mas também estão ali. Eles estão imobilizados debaixo de uma escada. Uma delegada grita descontrolada. Só se “acalma” depois da chegada dos poucos e solidários advogados ativistas e, especialmente, quando o único deputado com coragem de defender manifestantes aparece por ali: Adriano Diogo (PT-SP). Ele é da Comissão Estadual da Verdade, criada por causa da ditadura militar...

 

Próximo roteiro, sinopse

 

A PM acredita que, convocando os “líderes” de uma manifestação anterior exatamente na hora do protesto e aumentando o número de presos, as manifestações vão parar. Ledo engano. Esta foi a tática empregada na ditadura militar, quando as manifestações foram proibidas e a luta armada posterior massacrada.

 

Mas, ao contrário do que diz o terrorismo parlamentar e midiático, não há luta armada no Brasil. Os manifestantes, mesmo os chamados black blocs, não usam violência. São resultado dela. Qualquer pessoa “suburbana” sabe a diferença entre estilingues, chutes em vidraças e um tiro de verdade. Todo mundo sabe que os “mascarados” presos no Rio de Janeiro só o foram porque não estavam... mascarados.

 

A diferença agora é que a composição de classes do país mudou, a exigência de violação de direitos necessária para extrair energia e matérias primas do Brasil aumentou e a resistência inesperadamente também. Dessa vez, não bastará atacar coletivos de jovens organizados.

 

Na periferia “desorganizada” as pessoas também se levantam. O desespero da PM está apenas mal direcionado. O que ela não suporta não é a perda de prestígio. Isso ela nunca teve. O que a corporação militar não suporta é que doravante nenhum policial matará impunemente sem que haja um levante ateando fogo em tudo.

 

Mais de uma geração de pessoas pobres no Brasil cresceu com medo e ódio da polícia. Agora estão perdendo o medo. Sobra o ódio.

 

O coro do terror

 

No teatro da política vozes mal ensaiadas são ouvidas. Unem-se num mesmo coro parlamentar os deputados de governo e oposição. Todos unânimes contra o “terror”. É que para eles um cassetete nas costas de um ser humano dói infinitamente menos do que o ruído de uma vidraça estilhaçada.

 

Se os nossos doutos parlamentares, advogados da lei contra o terrorismo, temem uma escalada de violência verdadeira, façam o que sempre fizeram. Imitem os países “desenvolvidos”. Eliminem a PM, pois ela não existe em nenhum lugar para onde eles costumam viajar em férias.

 

Diante do impasse de nossa democracia racionada, o governo deveria dar um passo adiante, aumentar os direitos e não restringi-los. A Revolução Brasileira, entendida apenas como o conjunto de reformas profundas que os jovens exigem na atualidade, pode ser canalizada para um Estado de Bem Estar real. A isso Florestan Fernandes chamava “Revolução Dentro da Ordem”, embora nosso velho mestre preferisse a Revolução Contra a Ordem. Aquela que vai até o fim e até o fundo em suas tarefas históricas e engendra o socialismo.

 

Um aforismo

 

Na manifestação, conta-se que um policial machucou o braço. Se o cérebro não age, o braço quebra (de tanto bater).

 

 

Licoln Secco é professor do Departamento de História da USP e publicou em 2011 o livro “História do PT”, pela Ateliê Editorial.


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Última atualização em Qui, 27 de Fevereiro de 2014
 

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