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Na Itália, a corrupção mafiosa abocanhou 60 bilhões de euros em 2013 Imprimir E-mail
Escrito por Achille Lollo, de Roma para o Correio da Cidadania   
Sexta, 21 de Fevereiro de 2014
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Nos últimos trinta anos, diversos prefeitos, governadores regionais, deputados e senadores foram eleitos com o voto dos currais eleitorais dos clãs mafiosos que, em seguida, se infiltraram na administração pública, costurando importantes relações com setores do Estado. Foi nesse âmbito que, a partir de 1990, as “Eco-Máfias” – responsáveis por danos ambientais incalculáveis com o desastrado manuseio do lixo – consolidaram seu poder em inteiras regiões do Sul e do Centro da Itália.

 

No ano passado, no jornal britânico “The Independent”, o deputado europeu dinamarquês, Soren Sondergaard, e o Comissário da UE para a salvação de Pompéia, Johannes Hahan, declararam que a Itália estava correndo graves riscos com a infiltração dos grupos mafiosos nas administrações públicas.

 

São denúncias confirmadas pelo Tribunal de Contas da União Europeia em 7 de novembro de 2013, no relatório que fiscaliza o uso do financiamento de 494 milhões de euros que o Parlamento Europeu destinou à reconstrução da cidade italiana de L’Aquila, cidade que em 6 de abril de 2009 foi totalmente destruída pelos repetidos tremores de terra na parte central da região de Abbruzzi.

 

Segundo os peritos daquele Tribunal de Contas, “cada apartamento reconstruído em L’Aquila custou 158% a mais que a média italiana, visto que os custos das obras sofreram uma geral remarcação para dar lucro às empresas controladas pelos grupos mafiosos que, por sua parte, subarrendavam outras empreiteiras para realizar parte das obras. Por isso, o custo extrapolou seu orçamento em quatro milhões de euros e a construção das estruturas das casas custou 21 milhões a mais...”. Apesar da exorbitância dos custos, os peritos deslegitimaram as obras, cuja qualidade foi considerada “ruim”.

 

Porém, foi em 3 de fevereiro que o “vaso da pandora mafiosa italiana” quebrou, quando a Comissão da União Europeia para a Luta contra a Corrupção apresentou no Conselho e no Parlamento Europeu o relatório de 2013, com um específico alegado sobre as atividades dos grupos mafiosos italianos, enfatizando as infiltrações realizadas na administração pública, nos partidos políticos e nos setores financeiros. Na introdução de suas denúncias, o alegado da Comissão cita o Tribunal de Contas italiano, segundo o qual “os custos diretos e totais da corrupção, em 2013, se elevam em 60 bilhões de euros, isto é, cerca de 4% do PIB, determinando assim um impacto negativo na evolução da economia italiana”.

 

No alegado, eram também citados os resultados das análises econômicas e financeiras realizadas pelo GRECO (Grupo de Estados do Conselho da Europa contra a Corrupção) e pela OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico), segundo os quais “o contexto italiano, com suas carências, contribui para a afirmação de um clima de quase impunidade, que é obstáculo à ação penal e à fiscalização dos casos de corrupção”.

 

Na prática, os peritos da União Europeia e muitos deputados que sentam no Parlamento Europeu acreditam que as tentaculares atividades dos grupos mafiosos (Cosa Nostra, N’Drangheta, Camorra, Sacra Corona) estejam pondo gravemente em risco o livre crescimento da economia italiana e difamando a credibilidade da classe política, além de serem um obstáculo para a afirmação da autoridade do Estado.

 

De fato, além das tradicionais atividades da economia ilegal (contrabando, prostituição, narcotráfico, tráfico de armas, assaltos, sequestros de pessoas), os grupos mafiosos, há mais de dez anos, estreitaram profundas relações com setores do mundo financeiro, para reciclar os lucros das atividades da economia ilegal, investindo-os na especulação financeira e na compra de imóveis.

 

Outro importante canal da reciclagem de seus lucros passa pela compra de pequenas e médias indústrias, sobretudo do setor terciário, lojas e pequenos supermercados, conseguindo, assim, exercer uma forte influência nas comunidades e criar profundos relacionamentos com os responsáveis locais das administrações públicas. Foi dessa forma que os mafiosos conseguiram delimitar autênticos currais eleitorais, cujo potencial é normalmente negociado para eleger prefeitos, governadores regionais, deputados ou senadores. Autoridades que depois pagarão “esse favor” dando “auxílio” às empresas dos mafiosos nas respectivas administrações ou promovendo-as nas licitações.

 

A partir da década de 90, os clãs mafiosos, em função do estreito relacionamento com os políticos, tomaram de assalto o setor ambiental, conseguindo exercer um autêntico monopólio, além de provocar o maior desastre de todos os tempos, visto que enterraram milhões de toneladas de lixo orgânico, lixo tóxico, lixo industrial, lixo químico e até lixo radioativo em áreas destinadas à agricultura ou muito perto das nascentes.

 

As Eco-Máfias e as energias renováveis

 

A falta de interesse do empresariado italiano em investir nas energias renováveis obrigou os governos a fazer muitas leis para dar incentivos fiscais às empresas que produziam ou importavam materiais para fabricar aparelhos de captação da energia solar ou eólica. Por outro lado, os limitados financiamentos para as universidades realizarem programas de pesquisa sobre a transformação energética do lixo, e seu reaproveitamento, fizeram com que a Itália ficasse completamente desinformada. Tanto que, hoje, na maior parte das grandes cidades ainda não se faz a coleta seletiva do lixo, do momento que o gerenciamento do lixo e, consequentemente, dos lixões virou um negócio extremamente lucrativo.

 

De fato, a exploração do lixo começou no fim dos anos 90, quando o fedor dos lixões urbanos começou a incomodar as burguesias das grandes cidades. Prontamente, as “excelências” dos grupos mafiosos apresentaram as soluções, negociando com os políticos que elegeram fabulosos contratos para recolher e armazenar o lixo em áreas distantes dos perímetros urbanos.

 

Consequentemente, milhões de toneladas de lixo, sem nenhum tratamento, foram, e continuam sendo, atiradas em áreas destinadas à agricultura. Por isso, em poucos anos, inteiras regiões ficaram envenenadas, porque a decomposição das matérias orgânicas, os líquidos dos produtos putrefatos e a podridão dos lixos tóxicos se infiltraram nas faldas aquíferas, contaminando centenas de nascentes.

 

Sucessivamente, todo o ciclo vital (água-terra-hortaliças-animais-homem) ficou atingido pelos venenos da decomposição do lixo. Por isso, hoje, em muitas regiões a mortalidade por câncer no estômago e por leucemia aumentou em 100%.

 

Nenhum governo, seja ele de centro-direita ou de centro-esquerda, se preocupou com esse problema, por isso os grupos das Eco-Máfias prosperaram, sem nenhum controle por parte das autoridades judiciárias, estendendo ainda mais seus tentáculos nas prefeituras e ludibriando com muita facilidades as licitações para as obras de construção.

 

Os italianos se deram conta dessa triste realidade em setembro de 2009, quando as ruas e as praças da cidade de Nápoles e das pequenas prefeituras da província napolitana ficaram entupidas de lixo. Em breve, a raiva dos cidadãos se transformou em protestos que, em 2011, eram realizados por movimentos regionais, que começaram a se manifestar em Roma, Nápoles e, sobretudo, diante dos escritórios dos governadores regionais, denunciando a vergonhosa e paradoxal omissão do Ministério do Meio Ambiente.

 

Nesse contexto, somente alguns jornais e revistas realizaram importantes reportagens investigativas, graças às quais os juízes puderam mapear todas as atividades dos clãs das Eco-Máfias. Pois foi assim que os investigadores da polícia financeira descobriram que a maior parte das centrais eólicas instaladas no sul e no centro da Itália foram construídas por empresas fantoches das Eco-Máfias, que receberam côngruos financiamentos do governo central, dos governos regionais e inúmeras facilitações por parte das prefeituras.

 

Não foi por acaso que em 2013 os tribunais pediram a intervenção em 28 prefeituras, por terem descoberto que os prefeitos e os respectivos secretários tinham estreitas ligações com as “excelências” dos clãs das Eco-Máfias!

 

Os lucros com a maconha, cocaína, heroína e jogos de azar

 

Segundo a pesquisadora Sabrina Molinaro, do IFC-CNR (Instituto de Fisiologia Clínica do Conselho Nacional das Pesquisas), a Itália é o país da União Europeia onde, em 2011, o consumo de maconha/haxixe se multiplicou, chegando a ter 3,5 milhões de usuários. Por sua parte, o Ipsad (Italian Population Survey on Alcohol and Other Drugs) revela que também o consumo de cocaína triplicou, registrando 520.000 italianos “usuários efetivos”, isto é, que consomem essa droga pelo menos uma vez por semana. O número de usuários de cocaína na Itália é elevado, visto que representa 1,3% da população italiana e em toda a Europa os usuários não ultrapassam os 4 milhões. Também o consumo da heroína é extremamente alto, com 160.000 “usuários efetivos”.

 

Na prática, isso significa que os grupos mafiosos italianos estabeleceram as bases para o funcionamento de um sistema ilegal para importar, confeccionar e vender drogas nas ruas, a fim de atender a procura de seis milhões de italianos (entre usuários fixos e ocasionais), pelo menos uma vez por semana. Um negócio (só com o tráfico de cocaína) que a cada ano movimento 3 bilhões de euros – muito mais do que a FIAT fatura com a venda dos carros da Alfa Romeo!

 

Agora, sem a participação consciente de políticos, de funcionários da administração pública e, sobretudo, de policiais, não seria possível manter em vida durante tanto anos esse tipo de organização e inclusive triplicar suas atividades, chegando a vender as drogas nas ruas com demasiada facilidade. Além disso, não podemos esquecer que em 2004 o parlamento italiano aprovou a lei que autorizava a abertura das salas de jogos, cassinos, bingos e o uso das máquinas caça-níqueis. Hoje, segundo o Ipsad, elas atraem cerca de 19 milhões de italianos, que perdem diariamente milhões de euros. Uma lei que ofereceu aos grupos mafiosos outra atividade econômica “legal” para investir os lucros da economia ilegal, permitindo assim o fortalecimento do poder político dos clãs mafiosos, o aperfeiçoamento da economia ilegal, a multiplicação da corrupção e o controle dos territórios suburbanos.

 

Um contexto que, em 2010, o Center for the Study of Democracy, da Universidade da Califórnia Irvine, já analisou, redigindo um específico dossiê sobre o poder mafioso na Itália e assinalando que “a Itália é um caso específico para entender o quão estreitas são as ligações entre o crime organizado e a corrupção na esfera social, econômica e, sobretudo, política”.

 

Achille Lollo é jornalista italiano, correspondente do Brasil de Fato na Itália, editor do programa TV “Quadrante Informativo” e colunista do "Correio da Cidadania".

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Última atualização em Quarta, 26 de Fevereiro de 2014
 

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