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‘Consciência e independência deram amplitude inédita à greve dos rodoviários de Porto Alegre’ Imprimir E-mail
Escrito por Gabriel Brito, da Redação   
Terça, 18 de Fevereiro de 2014
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Parte mais do que interessada nos debates sobre reajustes de tarifa e passe livre, que agitaram o Brasil de forma espetacular no ano passado, os trabalhadores rodoviários de Porto Alegre promoveram uma grande e rara mobilização na categoria, com uma greve que durou praticamente duas semanas e teve 100% de adesão da categoria, além da paralisação de toda a frota de ônibus da cidade.

 

“Avalio o resultado atingido como o melhor possível, chegamos no ponto máximo. Sabemos que após 20 anos de derrotas não poderíamos recuperar tudo em um só ano. A luta foi digna, linda, e afirmo que o movimento tende a crescer muito mais”, afirmou ao Correio da Cidadania Mauricio Barreto, membro da oposição à direção da Força Sindical, que, por sua vez, se queixou do maciço apoio do Bloco de Luta, grupo suprapartidário que garantiu grande apoio às mobilizações dos trabalhadores nos dias de paralisação.

 

Diante de quadro tão adverso, com uma direção sindical totalmente alinhada à patronal, como afirmou o entrevistado reiteradas vezes, ele considera que houve uma “tremenda vitória” do movimento, com concessões parciais que há muito não se conquistavam, e um sentimento de unidade (tanto dos trabalhadores em greve como dos movimentos de apoio) que tem tudo para dar frutos nos próximos tempos de lutas políticas e sociais.

 

“O movimento chegou à certeza de que a categoria não aceita mais ser rifada pelo sindicato, já não se sente mais representada. Assim, construiu-se um movimento mais independente e conseguimos chegar nessa fórmula que atingiu os 100% de adesão. Foi com consciência e independência que se fez isso”, explicou Barreto, que, a despeito da contrariedade da direção sindical, agradeceu e considerou “excelente” a participação dos diversos grupos que compõem o Bloco de Lutas.

 

Abaixo, o leitor pode conferir a íntegra da entrevista.

 

Correio da Cidadania: Primeiramente, como você avalia o recente movimento grevista dos rodoviários de Porto Alegre, que pararam toda a frota de ônibus da cidade por cerca de duas semanas?

 

Mauricio Barreto: A análise que faço é que o movimento foi de unidade, consciência e responsabilidade totais. Além de vitorioso, por ter parcialmente atendido as demandas da categoria dos rodoviários. Sabemos que a luta era muito difícil e ampla, pois há 20 anos que a categoria vem sendo massacrada pelo sindicato dos trabalhadores, que é pelego e colaborador do sistema, da patronal. O clima estava muito tenso, mas, perante o sindicato e as patronais, foi uma vitória esmagadora.

 

Correio da Cidadania: Por que dessa vez a mobilização atingiu patamares tão significativos, chegando a parar 100% da frota, o que também gerou uma oposição maior do poder judiciário e suas tentativas de refrear a greve?

 

Mauricio Barreto: Porque a categoria vem fortalecendo, há dois ou três anos, um movimento independente, de mais luta e união. Um movimento unido, que vem divulgando, se sacrificando, através de comissões de negociação, se fortalecendo e atuando com mais força nas discussões de dissídio. Não está mais se corrompendo, se vendendo e fazendo o jogo do sistema. Trabalha pra conscientizar mais o trabalhador, no sentido de que, com mais unidade, conseguiremos conquistar coisa melhor. O movimento chegou à certeza de que a categoria não aceita mais ser rifada pelo sindicato, já não se sente mais representada. Assim, construiu-se um movimento mais independente e conseguimos chegar nessa fórmula que atingiu os 100% de adesão da categoria. Foi com consciência e independência que se fez isso.

 

Correio da Cidadania: Como se deu a organização dessa greve e o que explicaria, mais especificamente, a batalha interna em sua direção?

 

Mauricio Barreto: O movimento começou a se radicalizar no início, quando decretamos estado de greve, por conta de problemas na negociação. A categoria entendeu que, mais uma vez, o sindicato ia tentar vender nosso dissídio, ‘armar alguma’ para nós, os trabalhadores. Mas, desde a luta do ano passado, conquistamos o direito de realizar assembleias somente em lugares fechados, com trabalhadores identificados com crachá para terem direito ao voto. Isso fortaleceu muito a categoria, deu esperança aos trabalhadores. A partir daí, só os trabalhadores teriam direito ao voto e direito à escolha democrática. Por isso a greve atingiu 100% da categoria.

 

Foi o movimento mais democrático que tivemos na categoria. Já o sindicato não tem representatividade nenhuma diante dos trabalhadores. Volto a afirmar a consciência independente do movimento, que ficou muito forte e unido em Porto Alegre. Isso foi transmitido aos trabalhadores. A nossa luta maior é para que o movimento seja democrático. E foi o que aconteceu. O pessoal foi aprendendo com os erros, se fortalecendo e, felizmente, chegamos a 100% de adesão em praticamente 15 dias, o que é muito difícil.

 

Um grande êxito, só pelo fato de a categoria ter conseguido o fim do banco de horas, que foi tirado num acordo coletivo há mais de 10 anos, pelo sindicato pelego. Foi uma tremenda vitória.

 

Correio da Cidadania: Neste sentido, o que pensa da atuação de outros grupos políticos que apoiavam a greve, reunidos em torno do Bloco de Luta, que tem participado das movimentações em Porto Alegre desde junho?


Mauricio Barreto: Foi muito importante o apoio desse grupo. Teve apoio do PSOL (onde milito), PSTU, Juntos, Intersindical, CUT, grupos autônomos em torno do Bloco de Luta, enfim, vários. Nesse momento, foi uma unidade muito importante, passando por cima das diferenças e entendendo o anseio da categoria. A participação do Bloco de Luta foi muito importante, ajudou num momento difícil, de enfrentamento a empresas que são mais privadas do que públicas.

 

Sabemos que as empresas têm um método de terrorismo para cima dos empregados. E na parte de apoio, de segurar os piquetes e garantir o movimento, tais grupos tiveram uma participação muito importante, realmente excelente. Temos de agradecer muito ao Bloco de Luta, que ajudou a estruturar a nossa luta, além de ter incorporado e entendido sua justiça e dignidade.

 

Já tínhamos visto o mesmo nas negociações pelo não aumento da tarifa, no ano passado, e devido a essa experiência havia um grande entendimento das pessoas a respeito do que se passa com o trabalhador. Sabemos que usam a gente de forma mentirosa para justificar aumento da tarifa, e eles ajudaram a esclarecer a sociedade de que não é bem assim, trata-se de uma conversa fiada. E acentuamos essa questão, nos alinhando a eles também na luta contra o reajuste da tarifa, até o final.

 

Correio da Cidadania: Por isso, as críticas da direção do sindicato em relação a todo esse apoio, algo no mínimo inusitado...

 

Mauricio Barreto: A direção do sindicato, no meu ponto de vista, foi muito infeliz no que falou, mas comprovou, para todo mundo, o que vimos dizendo, ou seja, um sindicato pelego e a serviço da patronal. Os grupos de apoio foram muito importantes, assim como as outras centrais, provando para a população que não temos sindicato. Esse sindicato é dos patrões.

 

Correio da Cidadania: Como avalia os resultados finais dessa paralisação? Há perspectiva de retorno do movimento?

 

Mauricio Barreto: Avalio o resultado atingido como o melhor possível, chegamos no ponto máximo. Sabemos que, após 20 anos de derrotas, não poderíamos recuperar tudo em um só ano. A luta foi digna, linda, e afirmo que o movimento tende a crescer muito mais. A categoria está mobilizada, mantemos uma questão pendente, a respeito de perseguições, sobre as quais a categoria já está pronta para enfrentar. Pediremos apoio à população e ao Bloco de Lutas. Nas campanhas que vêm aí, estaremos todos juntos, contra o reajuste e também em questões sociais, com a mesma unidade.

 

Gabriel Brito é jornalista do Correio da Cidadania.


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Última atualização em Qui, 27 de Fevereiro de 2014
 

A publicação deste texto é livre, desde que citada a fonte e o endereço eletrônico da página do Correio da Cidadania




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