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Rio de Lágrimas Imprimir E-mail
Escrito por Otto Filgueiras   
Sexta, 14 de Fevereiro de 2014
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Não demorou nem uma semana para o jornal O Globo, do golpista Roberto Marinho, acusar, sem apresentar provas, o PSOL do Rio de Janeiro e o gabinete do deputado estadual Marcelo Freixo de envolvimento na morte do cinegrafista Santiago Andrade. Por seu lado, o advogado do rapaz que teria acendido o rojão, que atingiu a cabeça do jornalista, falou em entrevistas que o seu cliente e outros jovens iguais a ele teriam sido pagos para ir às manifestações.

 

Mesmo levando em conta a conversa do advogado, artifício usado por alguns defensores, sem consistência política, nos tribunais militares durante a ditadura, é fato que tudo isso revela-se apenas um jogo de cena, para minimizar a ação truculenta da Polícia Militar carioca, a impopularidade e irresponsabilidade do governo Sérgio Cabral, e a barbárie capitalista.

 

Indigitar os black blocs pelo assassinato do cinegrafista é fantasioso. Os blacks se apresentam de preto e com máscaras. As imagens sobre o suspeito, depois preso, mostram um rapaz de camisa cinza e sem máscara.

 

Além disso, pode ser gente vinculada ao crime organizado, com participação do jornal O Globo e sua rede de TV, do golpista Roberto Marinho.

 

Infelizmente, muita gente de esquerda embarca nisso, como se deixa embalar pela tentação do militarismo.

 

A política, da mesma forma que o jornalismo, pode ser comparada ao bom vinho: quanto mais velho melhor.

 

O experiente Jânio de Freitas publica artigo deixando claro que o tal advogado dos acusados já defendeu o crime organizado, as milícias do Rio.

 

O rapaz que acendeu o rojão que matou o cinegrafista concedeu entrevista dizendo ter medo do morrer.

 

Quem mata é a polícia e o crime organizado.

 

Não será surpresa se amanhã descobrirmos que o rapaz Caio, que acendeu o rojão, foi recrutado pelo crime organizado para ir à manifestação e arrebentar.

 

No início da década de 1980, a extrema direita divulgou em Salvador, na Bahia, o boletim Iskra, e plantava notícias na mídia como se fosse gente de esquerda.

 

Diretores de Sindicatos, muitos petistas, e até o pessoal do PCdoB, acharam que o material era de esquerda, por causa das contradições no movimento sindical, entre CUT e o pessoal do PCB.

 

O brilhante e consequente jornalista José Carlos Prata, do PCB, e trabalhando no Sindicato dos Metalúrgicos, foi acusado levianamente de ser o mentor do Iskra.

 

Aí a extrema direita falsificou um boletim do Sindicato dos Eletricitários da Bahia, como fez com o jornal O São Paulo, da arquidiocese, e procurou envolver o comunista David Capistrano, o filho.  A trama foi desmascarada na imprensa em Salvador e, em São Paulo, pelo jornal Política, editado pelo jornalista Raimundo Rodrigues Pereira.

 

No entanto, não podemos deixar de registrar a sedução do militarismo nas atuais manifestações, também infiltradas de agentes provocadores e policiais. Nos tempos de combate à ditadura, organizações de esquerda utilizaram o militarismo e o foquismo com a ilusão que iriam derrotar o regime dos generais.  E pagaram caro por isso.

 

A prisão e assassinato do estudante Alexandre Vannucci Leme, no DOI-CODI paulista, em 1973, comandado pelo então major do exército Carlos Alberto Brilhante Ustra, o carniceiro da rua Tutóia, é um bom exemplo de militarismo da Ação Libertadora Nacional, ALN, que continuava  fazendo ações armadas de expropriação. Com a colaboração do infiltrado, o Jota, agentes do DOI-CODI paulista executaram vários ativistas.

 

E dezenas de estudantes, militantes da ALN ou não, foram presos e barbaramente torturados no DOI-CODI. Conforme comprovei documentalmente, na pesquisa para o livro Revolucionários sem Rosto: uma história da Ação Popular, que estará em breve nas livrarias, um militante da ALN disse nos interrogatórios, sob tortura,  que encontrara Honestino Guimarães, então presidente da UNE, clandestina, e militante da AP, no Rio de Janeiro.

 

Foi sopa do mel para a repressão policial militar. Depois, usando do expediente da cooptação de militantes da Ação Popular, e da tortura, agentes do Centro de Informações do Exército, CIE, prenderam e mataram Honestino, até hoje dado como desaparecido. Também se divulga, mas sem comprovação, que foram agentes do Centro Nacional de Informações da Marinha, CENIMAR, que prenderam e deram sumiço no presidente da UNE.

 

Comprovei que Honestino sabia que poderia ser preso e assassinado,  que redigiu mandado de segurança denunciando a trama, mas também criticando o militarismo de algumas organizações de esquerda.

 

A Ação Popular criticava o militarismo, o foquismo e pregava a participação popular na luta armada para derrubar a ditadura, mas sofreu influência militarista.

 

Mais tarde, quase todos militantes da esquerda se engajaram na luta democrática contra a ditadura, muitos ajudaram a fundar o Partido dos Trabalhadores ou foram para outras agremiações. Mas prevaleceu a transição conservadora de Ernesto Geisel, o PT se institucionalizou, virou o partido da ordem, embora existam militantes que ainda lutam pelo socialismo e com a ilusão de o partido se tornar revolucionário. Apesar de alguns ministros tramarem com o Globo e a sua rede de televisão contra o movimento operário e popular, dando sobrevida à barbárie capitalista.

 

Uns e outros, no passado e no presente, choram o choro da hipocrisia e com o sorriso dos facínoras. Enquanto familiares e amigos do cinegrafista Santiago Andrade choram sentido, o povo sofrido da cidade, e de todo o Brasil, faz o Rio transbordar em lágrimas, como na belíssima música de Lourival dos Santos: O rio Piracicaba vai jogar água prá fora dos olhos de uma pessoa...

 

Otto Filgueiras é jornalista

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Última atualização em Qui, 20 de Fevereiro de 2014
 

A publicação deste texto é livre, desde que citada a fonte e o endereço eletrônico da página do Correio da Cidadania




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