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O vilão é o modelo mercantil do setor elétrico Imprimir E-mail
Escrito por Heitor Scalambrini Costa   
Qui, 13 de Fevereiro de 2014
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Tentar entender o que se passa com o setor elétrico brasileiro significa conhecer melhor um passado recente em que decisões errôneas foram tomadas, resultando atualmente em tarifas caras, fornecimento e abastecimento precários, e risco crescente de racionamento de energia. Além de um setor sem credibilidade, sem democracia, sem competência.

 

Em fevereiro de 1995, teve início o que ficou conhecido como a Reestruturação do Setor Elétrico, com a aprovação pelo Congresso Nacional da Lei nº 8987, que trata do regime de concessão e permissão da prestação de serviços públicos.

 

Iniciou assim um modelo “de mercado”. Ou seja: a reestruturação foi baseada no preceito de que a ação empresarial “concorrencional”, motivada pela perspectiva do lucro econômico, aportaria ao setor elétrico eficiência e qualidade dos serviços prestados e tarifas módicas.

 

A idéia que está por trás desta suposta lógica é que o lucro seria um sinal suficiente para garantir os investimentos. Essa assertiva não é inteiramente verdadeira, pois as empresas do setor andam ganhando “rios de dinheiro”, sim (basta acompanhar os balancetes anuais), mas seus investimentos ficam somente nos discursos, já que o BNDES (leia-se: o Tesouro Nacional, o dinheiros dos impostos) tem sido o “Papai Noel” fora de época para as empresas do setor elétrico.

 

Com o racionamento de energia elétrica, ocorrido em 2001/2002, com a deterioração da qualidade do abastecimento causado por dezenas (e centenas) de apagões e apaguinhos (interrupções no fornecimento de energia elétrica) ao longo daquele período e com a explosão tarifária, chega-se à conclusão, sem precisar ser um grande especialista, de que o modelo não funcionou.

 

Desde aquele episódio do (longo) racionamento de energia elétrica, sem dúvida uma consequência direta das transformações impostas ao setor elétrico, a sociedade brasileira teve a oportunidade de um grande debate sobre o tema, para rever a política do governo federal para o setor. Técnico e especialistas que se opunham ao modelo mercantil se uniram em torno do partido político à época, o atual gestor do Estado brasileiro, e chegaram à conclusão de que o modelo implantado deveria ser totalmente reformulado, inclusive defenestrando os gestores daquele modelo, com comportamentos (a)éticos que comprometiam as mudanças pretendidas. Este programa de energia foi lançado no Clube de Engenharia do Rio de Janeiro, em 30 de abril de 2002.

 

As mudanças substantivas propostas naquele programa pugnavam inclusive pela transformação das empresas estatais de serviços públicos em empresas públicas e cidadãs (empresas que não seriam nem estatais, nem privadas, mas sim sujeitas a instrumentos e mecanismos autônomos de controle da sociedade). Porém, tais mudanças não ocorreram.

 

Chegando ao poder, como é de praxe no Brasil, a história foi diferente. Acabou prevalecendo para o setor a continuidade do modelo mercantil. Eufemisticamente, este novo-velho modelo remendado foi chamado na época de “modelo híbrido”. Inclusive acabou prevalecendo a permanência daqueles que defendiam a continuidade do modelo mercantil, com a justificativa de atender às necessidades fisiológicas das alianças partidárias, ou seja: a tal da “governabilidade”.

 

Portanto, “tudo ficou como dantes no quartel de Abrantes”. Com a manutenção do modelo mercantil, houve a criação de inúmeros encargos, uns com caráter compensatório, outros como subsídios, e a maioria decorrente de custos para “alimentar” o próprio modelo. Além da privatização das empresas do setor (100% das distribuidoras, 50% das transmissoras e 20% das geradoras).

 

O que se constatou ao longo desses anos todos é que, com tais encargos, houve uma significativa evolução para cima das tarifas de energia elétrica. Ou seja: os “encargos de mercado” do modelo mercantil contribuíram significativamente para a explosão tarifária.

 

Outra questão pertinente, e mal resolvida pelos gestores do setor elétrico nos últimos 12 anos, foi a falta de incentivos à diversificação da matriz energética, que baseia 80% da geração elétrica via hidroelétricas, e 20% via termoelétricas. Ambas são formas de geração centralizada através de grandes e mega-centrais, sendo necessário “exportar” esta energia, através das linhas de transmissão, até os centros consumidores.

 

A culpa pela situação a que chegou o setor elétrico brasileiro, hoje, não é de São Pedro, é, sim, dos homens, da ganância, da dominação do homem sobre ele mesmo.

 

Temos condições de promover as mudanças necessárias no modelo elétrico, que beneficieM a maioria da população, de promover as novas fontes de energia (sol e vento), de incentivar o uso racional de energia, diminuindo assim o desperdício, de fortalecer a inovação com o uso de iluminação e de motores mais eficientes, de regionalizar o planejamento energético, democratizando as tomadas de decisões?

 

São escolhas, como foram as que nos levaram para os riscos atuais, cada vez maiores, de racionamento de energia.

 

Heitor Scalambrini Costa é professor da Universidade Federal de Pernambuco.


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Última atualização em Terça, 18 de Fevereiro de 2014
 

A publicação deste texto é livre, desde que citada a fonte e o endereço eletrônico da página do Correio da Cidadania




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