Argentina: finalmente, uma alternativa de esquerda?

 

 

Entre as candidaturas não tradicionais que disputam a presidência da República destaca-se a de Fernando "Pino" Solanas, lançada por um movimento de recuperação dos recursos estratégicos da Nação - o grupo Moreno.

 

Pino, um jovem de 71 anos, é conhecido como o cineasta que produziu excelentes filmes, dedicados à formação política de militantes, desde fins dos anos sessenta até hoje. Entres eles: "A hora dos fornos" e os Filhos de Ferro. Recentemente Pino lançou dois outros filmes: A dignidade dos Zé Ninguéns e A Argentina Latente.

 

Além de produtor cinematográfico, Pino foi deputado federal e travou uma férrea luta pela preservação dos recursos naturais do país. Sofreu, por isso, vários atentados - o mais grave deles, na época do menenismo,  quando estava no exercício do mandato, parlamentar.

 

O Partido Socialista Autêntico, generosamente, ofereceu legenda para sua candidatura presidencial, sem exigir qualquer contrapartida.

 

O lançamento do nome de Pino teve imediatamente repercussão favorável naqueles militantes políticos que se auto-marginalizaram, por se recusarem a participar nos partidos políticos existentes na Argentina hoje. Outros apoios importantes vieram da Central de Trabalhadores Argentinos (CTA), do Movimento por Buenos Aires, hoje bastante presente em toda a cidade, e das organizações de defesa dos recursos naturais, tanto das províncias como da Grande Buenos Aires, bem como do Movimento Peronista Autêntico e de antigos militantes de diversos distritos da província de Buenos Aires.

 

A candidatura Pino não tem possibilidades de vitória no pleito do dia 28. O lançamento tardio do seu nome e a precariedade de recursos para gastos de campanha impedem que ele possa bater as candidaturas principais: a candidatura chapa-branca de Cristina Kirchner e a de Roberto Lavagna, que conta com o apoio dos radicais anti-Kirchner. Sua votação não deve superar nem mesmo a de candidatos com menor chance como Elisa Carrió, Alberto Rodriguez Saá (atual governador da província de San Luis) e de Jorge Sobisch (atual governador de Neuquén).

 

Mas se o conjunto de forças que se reuniu rapidamente em torno da candidatura Pino for adiante, sem dúvida, a esquerda conseguirá tornar-se uma alternativa política real em 2009 e em 2011. Será um enorme avanço.

 

 

Guillermo Gallo-Mendoza é ex-governador da Província de Buenos Aires.

 

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