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Segunda Guerra Fria, em ‘off’, levanta-se contra a Rússia e seu projeto de maior visibilidade Imprimir E-mail
Escrito por Achille Lollo   
Segunda, 03 de Fevereiro de 2014
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O presidente russo, Vladimir Putin, chegou a Bruxelas para dar um “novo tom” na 32ª Cúpula que, a cada seis meses, se realiza entre a União Europeia e a Rússia para avaliar a evolução das relações políticas e econômicas entre os dois blocos. Relações que, desde 2012, registram o mais baixo nível de entendimento e de concordância, sobretudo nas questões internacionais:

 

1) à causa do envolvimento da Rússia na defesa dos governos da Síria, do Irã, da Venezuela e da Ucrânia; 2) por Putin ter criticado os EUA em função “do monopólio de seu domínio nas relações internacionais e o uso excessivo de sua força militar"; 3) por ter rejeitado o belicismo da OTAN que, segundo o presidente russo, “em Kosovo, bem como na Líbia, atuou negando o Direito Internacional, além de estimular a corrida armamentista...”.

 

A presença em Bruxelas do presidente Putin, ao lado de seu ministro das Relações Exteriores, Serguei Lavrov, foi decisiva para recriar com o presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, e o presidente do Conselho da Europa, Herman van Rompuy, um novo equilíbrio político e diplomático entre UE e Rússia, que a ministra das Relações Exteriores da União Europeia, Catherine Ashton, havia rompido, assumindo abertamente a posição dos EUA e da Grã Bretanha. Entretanto, após ter assinado os comunicados conjuntos segundo os quais as relações entre a Rússia e a União Europeia voltaram à normalidade, o presidente Putin, diante dos jornalistas, não deixou de criticar os ministros e os países da UE que aderiram à linha ditada pelo Secretário de Estado dos EUA, John Kerry.

 

Por isso, quebrando a diplomacia dos meios sorrisos e dos apertos de mão, Vladimir Putin declarou: “a Rússia não está interessada em decidir qual força política irá governar a Ucrânia. Nos interessa apenas saber que tipo de política econômica será implementada, visto que temos assinados acordos sobre o fornecimento do gás a preços preferenciais e concedido um empréstimo de 15 bilhões de euro”. Atacou depois diretamente a ministra Catherin Ashton, sublinhando “como teria reagido a União Europeia se o nosso ministro das relações exteriores tivesse ido à Grécia para fazer chamamentos contra a União Europeia?”. Declarações fortes para quem diz que não há mais problemas entre a Rússia e a União Europeia!

 

De fato, em ocasião da recente Conferência sobre a Síria, “Genebra-2”, e no Fórum Econômico Mundial de Davos, ficou evidente que a Casa Branca e seu fiel escudeiro britânico pretendem impor à Rússia um rígido isolamento diplomático e político, para limitar as aspirações econômicas e, sobretudo, as ambições geoestratégicas dos “siloviki” (1) do Kremlin.

 

Uma perspectiva que as “excelências” da Casa Branca e de Downstreet mantêm ativa, do momento que não perdoam a Vladimir Putin três importantes questões: 1) ter conseguido inviabilizar o projeto do mega-gasoduto “Nabuco”, que os EUA pretendiam construir a partir da Turquia para acabar com a dependência europeia do gás russo; 2) ter vencido a guerra na Ossétia do Sul e na Chechênia (2008); 3) ter criado um sistema de segurança mútua na Ásia Central, reunindo com o Tratado de Cooperação de Xangai (2001) a Rússia, a China, o Cazaquistão, o Quirguistão, o Tadjiquistão e o Uzbequistão.

 

É neste âmbito que a mídia ocidental – interpretando as posições da Casa Branca – desqualifica diariamente Putin, chamando-o de “o novo ditador russo”, por ter quebrado o poder político e financeiros dos oligarcas Mikhail Khodorkovskij e Boris Berezovski – beneméritos associados dos conglomerados financeiros estadunidenses, que hoje os tabloides ocidentais consideram “os novos dissidentes da Rússia”, e por ter assinado um decreto-lei homofóbico que sanciona pesadas condenações para a propaganda e as manifestações gays.

 

Porém, o principal argumento político das chancelarias europeias contra o presidente russo está relacionado com a decisão que Putin tomou em 2008, quando recusou a “proteção geoestratégica” da OTAN. Enquanto isso, os banqueiros estadunidenses e os europeus pressionam seus governos à causa das reformas institucionais, econômicas e fiscais que Putin introduziu na Rússia, graças às quais os lobbies das transnacionais perderam sua influência na Duma (parlamento), permitindo à Rússia alcançar a estabilidade econômica, apesar da crise de 2008. Reformas que, nos últimos cinco anos, reformularam a desastrada administração de Boris Ieltsin, impondo um novo conceito de Nação, além de reforçar a autoridade do Estado e sua autonomia política e econômica. Por isso, o presidente Putin é acusado pela mídia de recorrer ao autoritarismo e de querer reeditar o “estadismo da URSS”

 

Todo o mundo sabe que a volta do capitalismo na Rússia, sob a gestão de Boris Ieltsin, foi um grande negócio para as transnacionais e os banqueiros do Ocidente, visto que os programas de privatização, na realidade, promoveram a formação de uma nova burguesia especuladora e consumista – conhecida por “oligarcas” –, que procurou construir uma ampla representação política na Duma (parlamento) e exercer um controle efetivo nas instituições. E, assim, legitimar a apropriação dos setores mais produtivos do Estado, além de inviabilizar o sistema de controle fiscal da receita.

 

Um contexto que, em pouco tempo, se transformou em uma perigosa luta pelo poder político, que o grupo liderado por Putin e majoritário no partido “Rússia Unida” ganhou, apostando tudo na reconstrução do Estado e no ajuste das disfunções criadas pelo mercado.

 

Mesmo assim, somente no terceiro mandato é que o governo de Putin conseguiu definir: a) as novas regras para os contratos internacionais, com vista a impedir a fuga de capitais, que, em 2013, alcançou o valor de 400 bilhões de dólares;

 

b) o código de conduta para atrair os investidores estrangeiros, de forma que a Rússia seja o 20º país no mundo com melhores oportunidades de negócios (em 2001 era o 92º);

 

c) um mercado exportador de âmbito regional, do momento em que a indústria automotiva cresceu 76%, os investimentos pelas infraestruturas industriais aumentaram 125% e a produção agrícola praticamente duplicou suas colheitas. Consequentemente, também o salário mínimo aumentou de 80 dólares (cerca de R$163) para 640 (cerca de R$1.300).

 

Isso explica por que na última pesquisa realizada na Rússia, pelo Levada Centre, 68% dos russos, hoje, votariam novamente em Putin.

 

A visibilidade geopolítica

 

As Olimpíadas de Inverno – que se realizarão em Sochi de 7 a 23 de fevereiro – serão o evento em que o governo russo apostou tudo para romper o isolamento político e ganhar uma visibilidade geopolítica de âmbito mundial, visto que mais de 1.000 jornalistas foram credenciados para documentar o evento desportivo e, também, a realidade socioeconômica do país.

 

Por isso, a partir do mês de outubro, na cidade de Volgogrado (antiga Stalingrado), os últimos militantes jihadistas do “Emirado da Chechênia” realizaram quatro atentados, provocando a morte de 34 pessoas, tentando, assim, inviabilizar as Olimpíadas. O mandante dos atentados é o líder fundamentalista islâmico, Doku Umarov, fundador do grupo armado Imarat Kavkaz, cujos militantes, em sua maioria, haviam fugido para Síria, alistando-se nas brigadas jihadistas de Aleppo. É claro que os ilimitados financiamentos que o “Emir da Chechênia” recebeu da Arábia Saudita e do Qatar permitem, ainda, a sustentação de uma rede de terroristas espalhados em diferentes territórios da região caucásica, nomeadamente Chechênia, Inguchétia, Daguestão, Ossétia do Norte, Carachai-Circássia e Cabardino-Balcaria. Por isso, o Ministério do Interior da Rússia mobilizou em Sochi cerca 64.000 policiais para impedir novos atentados durante as Olimpíadas de Inverno.

 

Porém, além das bombas dos jihadistas de Doku Umarov e das proclamações separatistas de Akmed Zakaiev (refugiado de honra em Londres), o que poderá estragar a festa olímpica em Sochi serão os beijos dos/das atletas homossexuais diante das câmaras de TV. Além disso, os fotógrafos e os operadores de TV esperam poder enquadrar os corpos nus das militantes do grupo FEMEN, que prometeram estar em Sochi para manifestarem sua solidariedade para com as Pussy Riot, Maria Alekhina e Nadejda Tolokonnikova, a quem o presidente Vladimir Putin concedeu a graça da libertação da cadeia, juntamente ao ex-oligarca Mikhaïl Khodorkovski. Medidas de clemência que Putin tomou para evitar que os escandalosos tabloides da Grã Bretanha e dos EUA voltem a bombardear a Rússia com reportagens sobre as prisões da Pussy Riot e do antigo dono da empresa petrolífera Yukos.

 

Foi nesse clima que o Ministério do Interior se aproveitou de um atraso na renovação da permanência para decretar a expulsão do jornalista estadunidense David Setter, 66, que estava credenciado em Moscou pelo Wall Street Journal e pelo Financial Times. Na realidade, Setter é um dos principais consultores da Rádio Free Europe/Radio Liberty (a emissora financiada pelo Congresso dos EUA desde os anos 50), que, hoje, é a principal voz das campanhas denegridoras contra o presidente Putin e a Rússia.

 

Uma expulsão que pesou bastante na decisão do Comitê Olímpico dos EUA em desertar os festejos da abertura das Olimpíadas Invernais, enviando em seu lugar um grupo de homossexuais, cujo desfile vai deteriorar ainda mais as relações diplomáticas entre EUA e Rússia. Postura que dividiu os Comitês Olímpicos, com uma minoria formada por Grã Bretanha, Bélgica, Suécia e Holanda, que deram seu o apoio incondicional às manifestações contra as leis homofóbicas, enquanto a maioria declarara que prefere não interferir na política interna da Rússia, que para esse evento investiu cerca de 50 bilhões de dólares.

 

Nesse cenário é difícil dizer se a Rússia de Vladimir Putin vai conseguir alcançar uma nova visibilidade geopolítica. Porém, é evidente que tudo o que está acontecendo é, na realidade, “uma segunda guerra fria em off”, que Estados Unidos e Grã Bretanha promovem contra a Rússia e contra todos aqueles que ameaçam ou atropelam seus planos de expansão.

 

Nota:

 

1) Os silovikos são os homens de confiança do presidente Vladimir Putin, na sua maioria antigos oficiais das Forças Armadas ou do serviços secretos (a velha KGB e o novo FSB).

 

Achille Lollo é jornalista italiano, correspondente do Brasil de Fato na Itália, editor do programa de TV “Quadrante Informativo” e colunista do "Correio da Cidadania".

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Última atualização em Quarta, 12 de Fevereiro de 2014
 

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