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Genebra 2: paz é secundário Imprimir E-mail
Escrito por Luiz Eça   
Sexta, 31 de Janeiro de 2014
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Logo na abertura das cortinas de Genebra 2, o produtor do show foi bem claro.

 

John Kerry, secretário de Estado dos EUA, já foi informando que o objetivo da conferência de paz seria unicamente a formação de um governo  de transição SEM ASSAD.

 

Esquecendo que na semana passada, ele e Serge Lavrov, ministro russo do Exterior, tinham discutido um cessar fogo e o desarmamento das forças rivais, classificou essas medidas como meras “táticas diversionistas”, fugindo do verdadeiro gol: a cabeça de Assad.

 

Voltou assim à política do governo Obama de exigir de cara a defenestração do presidente sírio por indigno do seu cargo, iniciada logo na altura dos primeiros combates.

 

Nessa ocasião, uma iniciativa da Casa Branca para forçar um acordo de paz poderia ter êxito já que a revolta ainda estava praticamente começando, com pouca participação de guerreiros estrangeiros radicais.

 

O discurso belicoso de Obama, de olho na ideia de conseguir privar o Irã do seu principal aliado árabe, acabou colaborando para a fogueira transformar-se no incêndio, que já causou 130 mil mortes.

 

A agressividade do presidente americano chegou ao auge quando pretendeu bombardear Damasco, depois de culpar Assad pelo ataque químico a subúrbios da capital.

 

Teve de desistir, quando viu que seu pedido de apoio ao Senado seria derrotado pelo voto de senadores democratas progressistas e de ultraconservadores republicanos, que sempre contestam qualquer proposta de Obama.

 

Ele foi salvo ao topar a sugestão russa de se destruir o arsenal militar químico de Assad (aceita pelo presidente sírio), que lhe permitiu uma saída honrosa.

 

Graças aos bons serviços da mídia internacional, acabou sendo visto por muitos como um intrépido defensor da paz.

 

Agora, em Genebra, o leão americano voltou a rugir.

 

Mostrou sua força, pressionando Ban-Ki-Mon a retirar o convite feito ao Irã, com pretextos um tanto discutíveis.

 

Como ponderou Lavrov, caso ser favorável a um governo de transição sem Assad for pré-condição para adentrar os salões genebrinos, os russos também teriam de ser barrados.

 

Mesmo os representantes do governo de Damasco, ou seja, do próprio Assad, que garante jamais renunciar, por isonomia, não poderiam ser aceitos.

 

O que seria um absurdo, pois, como diz bem um velho ditado inglês, “it takes two tango”.

 

De fato, reitera Carl Bildt, ministro do Exterior do governo conservador da Suécia, referindo-se ao episódio: “Paz se promove entre inimigos, você não promove uma conferência de paz entre amigos”.

 

Mas Kerry não quis saber de nada.

 

No seu discurso inicial, declarou-se contente, pois sem os incômodos iranianos, seria possível “colocar nos trilhos” os trabalhos da conferência.
Isto é: discutir somente caminhos para a derrubada de Assad (que ele certamente traz no bolso do colete) e obter a aprovação de praticamente todos os 40 países presentes.

 

Acho que é bem possível o reconhecimento da Coalizão Nacional Síria como “governo sírio no exílio”, de acordo, aliás, com as pretensões dos seus dirigentes.

 

O que seria engraçado, pois essa organização representa muito pouco:  compareceu desfalcada da metade dos seus membros, o pessoal do Conselho Nacional Sírio – adversários declarados de qualquer acordo com o governo oficial.

 

Além de exercer apenas influência limitada sobre o moderado Exército Livre Sírio (apoiado pelos EUA), por sua vez sem nenhuma influência nas forças anti-Assad da poderosa Frente Islâmica e da al-Qaeda, senhoras de várias regiões tomadas pelos rebeldes.

 

Só a al-Qaeda, segundo a inteligência israelense, pôs 30 mil milicianos na guerra civil síria. Estima-se que a Frente Islâmica conta com 60 mil.

 

Todos contra qualquer acordo com o governo de Damasco.

 

São detalhes irrelevantes para a política americana.

 

O que importa é o impacto que Genebra 2 produziria na opinião pública mundial, com o peso da posição de 40 países (qual uma nova ONU), exigindo a queda de Assad, por seus crimes, agora mais do que nunca condenáveis, depois das fotos de milhares de presos assassinados nos subterrâneos do regime, reveladas oportunamente dias antes de Genebra 2 decolar.

 

E o que também será divulgado pelo mundo: a demonstração do amor à paz por parte do Ocidente, seus aliados do Golfo e dos rebeldes ao toparem se reunir com o governo Assad para a discussão do fim da guerra.

 

Este segundo lance pode ser diminuído já que os enviados de Damasco ameaçam retirar-se antes do último ato, por sentirem que não têm nada a ganhar permanecendo.

 

Afinal, Kerry está demonstrando excessiva parcialidade.

 

No discurso de abertura, o secretário de Estado americano investiu fortemente contra o governo Assad, listando todas as suas ações brutais contra os direitos humanos.

 

No entanto, deixou de lado a citação dos atentados praticados pela al-Qaeda e os radicais islâmicos do exército rebelde.

 

Recusou-se a incluir na agenda da conferência a discussão de medidas para pôr fora de ação esses terroristas, como queriam os representantes do governo sírio.

 

Coisa que esperavam ser vista com bons olhos pelo Ocidente, para quem o crescente domínio do norte da Síria pela al-Qaeda e similares não deve ser nada agradável.

 

Todas essas considerações me fazem achar que Genebra 2 não vai conseguir nada de substancial.

 

Se o objetivo final é a paz na Síria, exigir a renúncia de Assad, já de antemão negada por ele, está longe de ser uma ideia inteligente.

 

Parece óbvio que só se vai chegar lá por partes, através da diplomacia, e não da coação. Começar propondo medidas básicas, porém mais fáceis de serem aceitas pelas partes.

 

O mapa do caminho para a paz, conforme o papa Francisco, Ban-ki-Mom e outros estadistas de respeito defendem, tem como ponto de partida o esvaziamento dos arsenais, cofres e armazéns dos litigantes.

 

A proibição do Irã, Arábia Saudita,  Qatar,  Turquia,  EUA e  Rússia de fornecerem dinheiro, alimentos, aparelhagem técnico-militar e/ou armas e munições aos exércitos que patrocinam. Talvez garantindo esse objetivo com uma força de paz da ONU nas fronteiras.

 

Em seguida, a retirada simultânea dos combatentes do Hisbolá, da al-Qaeda e da Frente Islâmica é uma ideia teoricamente bem vista pelas nações que apoiam os dois lados.

 

Sem comida, sem munições, sem arma para reposição e desfalcada dos seus mais agressivos combatentes, a guerra perderia força e as partes ficariam mais propensas a serem razoáveis numa negociação da paz final.

 

Que poderia começar com a mais democrática das ações: uma eleição livre, aliás, já proposta pelo presidente Rouhani.

 

Afinal, ninguém pode negar ao povo sírio o direito de escolher seu presidente. O que se deve garantir é que sua posição seja expressa  de forma livre, sem pressões.

 

Se isso aconteceria num governo de transição, possivelmente sem Assad, que já se declarou candidato às próximas eleições, ou no governo atual, com anistia geral, liberdade e eleições controladas pela ONU, aí sem a candidatura de Assad, são possíveis soluções.

 

Admito  que seria complicado se chegar a um acordo.

 

Mas, não impossível.

 

Tendo vencido uma série de etapas no caminho da pacificação do país, esse processo teria muita chance de se tornar irreversível.

 

Seja como for, a postura rígida do governo Obama, expressa por Kerry em Genebra, não parece permitir um único passo à frente.

 

Tudo ou nada costuma dar em nada.

 

Assad não vai aceitar um suicídio político, cujo desdobramento seria sua transferência do gabinete presidencial de Damasco para o banco dos réus do Tribunal Criminal Internacional, em Haia.

 

E mesmo que os 40 países de Genebra 2 exijam transição sem Assad, a Rússia e provavelmente a China vão vetar no Conselho de Segurança da ONU.

 

Impossível supor que Obama e seus estrategistas não estejam a par disso.

 

Por que então essa volta à linha anterior, já superada, de colocar o fim imediato de Assad como essencial para se pensar em paz na Síria?

 

Há quem ache que seria uma forma de convencer os congressistas do Partido Democrata e do Pentágono de que a Casa Branca continua encarando o Irã como um adversário.

 

Claro, a imagem de um Obama agressivo na política internacional é importante para se contrapor à tradicional acusação de fraqueza dos democratas nessa área.

 

Dar uma colher de chá à Arábia Saudita e a Israel, grandes inimigos da Síria e do Irã, é outra hipótese válida.

 

A propósito, lembro outro ditado: o hábito de fumar cachimbo entorta a boca.

 

Depois de passar anos tocando uma política internacional estilo George Bush e John Wayne, o originalmente pacifista Barack Obama talvez tenha se acostumado a falar grosso, como chefe da maior força militar do planeta.

 

Espero que não.

 

Luiz Eça é jornalista.

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Última atualização em Terça, 04 de Fevereiro de 2014
 

A publicação deste texto é livre, desde que citada a fonte e o endereço eletrônico da página do Correio da Cidadania




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