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Escrito por Paulo Passarinho   
Segunda, 06 de Janeiro de 2014
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2014 será o último ano de governo do atual mandato de Dilma Rousseff. A atual presidente, tudo indica, será também a candidata do seu partido, o PT, na próxima eleição à presidência da República. Candidata, portanto, à reeleição. Mas qual será a novidade que Dilma, o seu partido e seus aliados poderão oferecer ao país? Na verdade, nada de novo.

 

Desde o final do primeiro ano do seu governo, em 2011, Dilma e sua equipe econômica prometem reativar o ritmo do crescimento econômico do país. Os resultados, contudo, não foram nem um pouco animadores. Ao contrário, depois de 2011, com uma taxa de expansão do PIB de 2,7%, os resultados de 2012 (1%) e 2013 (em torno de 2%) foram para lá de decepcionantes.

 

Além disso, a promessa de governar o país com uma taxa real de juros baixa e câmbio não valorizado, para termos uma “nova matriz econômica”, de acordo com a definição utilizada por Guido Mantega, caiu no vazio. A pressão inflacionária interna e a crise externa, especialmente os receios do ministério da Fazenda com a redução dos estímulos monetários do Banco Central dos Estados Unidos, falaram mais alto e, no momento, o que assistimos é ao retorno do Brasil à condição de país com os juros reais mais elevados do mundo e uma taxa de câmbio muito aquém da desejável.

 

Inflação, pressão sobre o câmbio, financiamento das contas externas, endividamento financeiro acelerado – puxado pela taxa de juros – são problemas que continuarão a tirar o sono de um governo que, gerenciando um modelo ditado pelos interesses maiores de bancos e multinacionais, acaba por dispor de um limitado repertório, para enfrentar as turbulências de uma economia muito vulnerável aos humores e ondas da economia mundial.

 

O governo, por sua vez, aposta nas privatizações como solução, ou esperança, de incrementar a taxa de investimento na economia. Sempre de acordo com Guido Mantega, a expectativa é que possamos entrar, na formação bruta de capital, na casa dos 20% em relação ao PIB. Mas o que é de fato uma vantagem para a política em curso ainda se encontra na oferta de emprego e no nível de renda que vem sendo possível para os segmentos mais pobres da população.

 

Este é um dado importante para um ano eleitoral. Assim como Collor, FHC e Lula, Dilma reproduz uma política que, procurando fortalecer os interesses dos mais ricos, oferece vantagens aos mais pobres. Esta combinação é possível, graças às indecentes desigualdades que marcam o nosso país e que acabam por tornar bastante viável uma política que, ao mesmo tempo em que transfere mais de 40% do Orçamento Geral da União para os rentistas da dívida pública – bancos, grandes empresas, fundos de pensão e fundos de investimento estrangeiros –, mantém uma ativa política de emergência social, voltada para os mais pobres. Programas como o Bolsa Família e reajustes reais para o salário-mínimo, o que também beneficia a maioria dos aposentados e pensionistas do INSS, garantem a popularidade do governo de plantão junto aos mais pobres. E o modelo de subdesenvolvimento gera empregos de baixa qualificação e remuneração, justamente para esses mesmos segmentos.

 

Collor, com a sua midiática campanha de caça aos marajás, e FHC, com o plano que derrubou a inflação, também se respaldaram no apoio dos mais pobres para ganharem eleições e simpatias populares, embora de forma mais transitória. Os governos do neopetismo foram mais fundo: criaram programas mais consistentes de apoio aos mais pobres, mantendo o que era essencial para as classes dominantes e mais ricas. “Cuidar de pobre é barato”, já sentenciou Lula, cada vez mais envolvido com a promoção dos negócios mundo afora dos seus novos amigos, a oligarquia tupiniquim e suas multinacionais verde-amarelas.

 

Entretanto – os acontecimentos de 2013 já deram mostras disso –, há vida pulsante e crítica nos quatro cantos do país. A concentração de renda e riqueza nas mãos de poucos, as dificuldades de uma verdadeira classe média que se ressente de direitos que lhe são negados e uma gigantesca massa de pobres que vive em condições dificílimas de vida, e que também convive com a falência dos serviços públicos e a tragédia social dos grandes centros urbanos, fazem com que mudanças políticas profundas sejam reivindicadas, cada vez com mais força e contundência.

 

Esses movimentos, porém, têm se defrontado com a absoluta incapacidade das instituições políticas em responderem de forma minimamente adequada a essas pressões. Mais do que isso, o que se vê é uma ofensiva dos setores dominantes em radicalizar os seus próprios interesses, como se nada estivesse ocorrendo. A retomada das privatizações e dos leilões de petróleo, a política de desonerações fiscais às empresas – mantendo-se a iníqua estrutura tributária que afeta os assalariados e trabalhadores de renda média e baixa –, a paralisia da reforma agrária, a ofensiva do agronegócio contra as demarcações de terras indígenas ou o subfinanciamento das políticas de saúde, educação e transportes urbanos de massa são exemplos da conduta política do governo e da insensibilidade elitista.

 

Por conta de tudo isso, a variável imponderável da conjuntura estará nas ruas. É muito provável que as gigantescas manifestações de descontentamento, que ocorreram em junho de 2013, voltem a acontecer em 2014, especialmente durante a realização da Copa do Mundo. Os estádios de futebol, construídos agora como “arenas” do esbanjamento e desperdício do dinheiro público, terão os seus exorbitantes custos novamente cobrados pela população.

 

O ano eleitoral tornará também mais aguda a disputa de interesses, entre os próprios donos do poder econômico e político. As defecções já registradas no amplo leque de alianças original do lulismo, como são os casos do PSB e da Rede de Marina Silva, são exemplos claros desse processo. E na esfera econômica, a possibilidade de um recrudescimento da crise – em termos inflacionários e com relação aos graves desequilíbrios das nossas contas externas – poderá jogar ainda mais lenha na fogueira de um novo ano, que pode se mostrar emblemático da encruzilhada histórica em que nos encontramos.

 

Afinal, somos um país de milhões de brasileiros, em um território riquíssimo e com potencialidades de natureza ímpar. Contudo, somos também marcados por uma história de infâmias, desigualdades e injustiças gritantes. Com instituições dominadas por uma elite antinacional, e despida de qualquer visão estratégica do país, cada vez mais serão frequentes os momentos em que séculos de espera estarão sendo questionados.

 

Paulo Passarinho é economista e apresentador do programa de rádio Faixa Livre.

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Última atualização em Segunda, 06 de Janeiro de 2014
 

A publicação deste texto é livre, desde que citada a fonte e o endereço eletrônico da página do Correio da Cidadania




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