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2014: a guerra mundial continua Imprimir E-mail
Escrito por Ramez Philippe Maalouf   
Segunda, 06 de Janeiro de 2014
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Liberalismo, a grande ditadura

 

Desde as primeiras décadas do século XX e ao longo deste período, a maioria dos países do então chamado Terceiro Mundo (ou seja, aqueles que foram submetidos a um processo de domínio colonial), e que se emanciparam neste período, sob a égide do sistema capitalista, conheceram governos reformistas (ou com projetos reformistas) nas áreas econômica, social e política, buscando diminuir o impacto dos efeitos negativos deste sistema sobre estas sociedades.

 

No limite, tais reformas visavam a diminuição das diferenças sociais e apresentavam um forte potencial para a ruptura com o Capitalismo. Estas experiências (ou tentativas) reformistas foram testemunhadas em quase a totalidade da América Latina, Ásia e África. Porém, uma força reativa a este fenômeno reteve violentamente esta tendência quase universal à igualdade social e econômica: os Estados Unidos da América (EUA), com seus serviços secretos e instituições financeiras internacionais sob sua hegemonia, agindo em conjunto com suas forças armadas.

 

Desde a fundação do “lar dos bravos e a terra da liberdade (sic)”, no final do século XVIII, foi apresentado pela sua casta de proprietários brancos anglo-saxões-protestantes (“povo eleito por Deus”) o projeto de domínio mundial, como “Destino Manifesto”. Foi por este motivo que, desde o término da II Guerra Mundial, em 1945, os EUA buscaram, pelos mais diversos meios (guerras civis, sociais e econômicas, direta ou indiretamente, golpes de Estado, entre outros), interromper ou senão destruir este projeto de emancipação humana e de libertação do Capitalismo.

 

Desta forma, podemos afirmar claramente que o sistema capitalista foi imposto à quase totalidade dos países descolonizados pelas instituições financeiras internacionais sob hegemonia dos EUA, assim como pela força bruta do poder militar e dos serviços secretos ianques, ao longo do século XX. A partir de 1973, com a ruptura do padrão-ouro, as forças armadas dos EUA se converteram de facto no verdadeiro lastro da moeda da república imperialista. As guerras dos EUA contra as Coréias (1950-3), o Vietnã (1964-75), as invasões israelenses do Líbano (1978 e principalmente a de 1982), para citarmos os casos mais tristemente célebres, eram o prelúdio do que os EUA e seus associados estavam dispostos a fazer com o mundo se vencessem a Guerra Fria.

 

Esta sanha genocida foi refreada parcial e momentaneamente enquanto a União Soviética (URSS) e seu bloco de países socialistas sobreviviam. Foi somente após a desintegração do bloco soviético e da própria URSS, entre 1989 e 1991, que a “nação eleita por Deus” e seus aliados se lançaram à guerra mundial contra o “resto” do mundo para o domínio global. Uma febre bélica muito alimentada pela ilusão de uma unipolaridade eterna, somente refreada parcialmente pelo veto russo-chinês ao ataque à Síria, na virada de agosto para setembro de 2013.

 

Guerras por “procuração” no Oriente Médio

 

Este veto/derrota na Síria trouxe à realidade uma parcela da elite ianque, que percebia que uma guerra em grande escala no Oriente Médio poderia, no mínimo, a despeito de um provável revés militar, aprofundar ainda mais a crise econômica, e sabotar os planos político-eleitorais de Barack Obama e de seu Partido Democrata. Porém, isto apenas abriu a oportunidade para Obama pôr em marcha a geoestratégia brzezinskiana de cercar a China, por meio de uma acomodação momentânea com a Rússia e o Irã. Por este motivo, podemos afirmar que o Acordo Nuclear com o Irã não é um constrangimento para que os EUA continuem a promover a guerra pelo domínio mundial inconteste no ano de 2014, marcado pela Copa do Mundo de futebol no Brasil.

 

Ano de Copa do Mundo e de Olimpíadas é sinônimo de guerra para o Oriente Médio. Assim foi em 1978, com a Copa da Argentina, quando Israel invadiu o Líbano pela primeira vez; em 1982, com a grande invasão israelense do Líbano durante a Copa da Espanha, com a presença mágica da seleção brasileira de futebol de Telê Santana; em 1996, ofensiva israelense ao Líbano, com as Olimpíadas de Atlanta (EUA); na terceira grande invasão israelense do Líbano, de 2006, durante a Copa do Mundo da Alemanha; e durante as Olimpíadas de Pequim em 2008, com a invasão georgiana, apoiada por Israel, da Ossétia do Sul (aliada da Rússia).

 

De fato, há uma forte probabilidade de Israel promover nova guerra em grande escala ou novas ofensivas intermitentes contra seus vizinhos (Líbano, principalmente) e territórios árabes ocupados (Fazendas de Sheba, Colinas de Golã, Cisjordânia e Faixa de Gaza). O Acordo Nuclear Interino de Genebra estabelecido entre EUA e Irã, em novembro de 2013, deixou sauditas e israelenses perplexos e furiosos com os EUA, especialmente com o presidente Barack Obama, pois se configurou numa derrota para o eixo saudita-israelense. Uma derrota que se somou à vitória russa na Síria e ao reconhecimento momentâneo do governo do Ba’ath em Damasco, pelos EUA.

 

Por este motivo, não podemos ser otimistas para 2014. Os atentados a bomba tanto no Líbano quanto no Iraque contra alvos que sejam reconhecidos como partes do poder iraniano (mesquitas, prédios e demais instalações das comunidades xiitas destes países árabes) no mundo árabe continuarão e se intensificarão, levando, aos libaneses e iraquianos, o espectro da guerra civil até mesmo para aumentar a desestabilização e desintegração da Síria e forçar uma revisão da política de Obama para a região.

 

Em situação mais crítica se encontra o reino saudita-wahhabita. A saúde muito debilitada do atual monarca rei Abdallah traz a questão sucessória à tona, num momento de derrotas externas. A instabilidade do reino saudita, que financia e arma grupos extremistas salafistas, wahhabitas e takfiristas (anti-xiitas) ao redor do mundo, favorecerá a ação armada destes bandos, num arco de destruição/desestabilização que se estenderá da costa ocidental da África à Ásia Central, perpassando o Cáucaso e os Bálcãs, o que indiretamente também favorecerá os EUA.

 

Este “Arco de Crises”, como já foi descrito uma vez pelo ex-assessor de Segurança Nacional do governo Carter, Zibgniew Brzezinski, continuará sendo, em 2014, uma fonte inesgotável de desestabilização mundial, até porque a geoestratégia ianque é concentrar forças contra os chineses no Leste Asiático, desengajando-se parcialmente do Oriente Médio. No norte da África, a destruição da Líbia, com a derrubada da Jamahiriya e o assassinato de Muamar Kadafi, abriu caminho para as guerras por procuração dos EUA, por meio da França, contra os Estados africanos subsaarianos, garantido a continuidade da recolonização do continente, iniciada com o ataque ianque contra Ruanda, em 1990.

 

Outros fronts

 

No front norte do “arco das crises”, o colapso econômico induzido da Grécia está permitindo uma recolonização europeia da república helênica. Em situação não mais favorável está a vizinha da Grécia, Turquia e o governo do premier Recep Erdogan (pró-islâmico), um dos maiores perdedores de 2013. Com a fragorosa derrota de sua desastrada política externa, especialmente ao apoiar a destruição da Síria, colocou em risco a própria integridade territorial turca, como também só deixou como opção uma aliança nada confortável com os curdos iraquianos, desgastando as relações com o Iraque, Síria e Irã. Com o fracasso externo, terá que enfrentar internamente as contestações das tradicionais classes médias forjadas no governo de Mustafá Kemal, pouco favorecidas pelo recente ciclo de crescimento econômico do país, em ebulição desde a metade de 2013.

 

No que se refere ao Irã, certamente, o grande vencedor do ano de 2013, manterá suas posições no mundo árabe, além de reconquistar a aproximação com o grupo de resistência palestino Hamas, e também com seu vizinho e aliado caucasiano, a Armênia, ainda sob pesado cerco pró-ocidental. O Acordo Interino garantirá aos iranianos um ano novo menos turbulento com relação aos ianques, mas não com relação aos israelenses e sauditas, como dito antes.

 

Para sírios e iraquianos, 2014 não será dos mais afortunados. Embora o governo do Ba’ath tenha afastado a possibilidade de ser derrubado (pelo menos no curto prazo), grandes parcelas do território sírio continuarão em mãos dos invasores estrangeiros. Estes territórios são próximos às fronteiras com o Iraque e com a Turquia, dois países em crise interna. Eleições presidenciais estão programadas para 2014 na Síria, mas é muito pouco provável que Bashar al-Assad seja derrotado, uma vez que o apoio popular ao seu governo é inconteste, especialmente em resposta à invasão estrangeira, patrocinada indiretamente pelos EUA e seus aliados locais, como Israel e Arábia Saudita.

 

Todavia, a desestabilização do Iraque, que contribui para alimentar a guerra no país árabe vizinho, permanecerá em decorrência tanto do caráter liberal (portanto, autoritário e sectário) do regime iraquiano fundado em 2005, num consórcio americano-iraniano, quanto pelo potencial “separatista” do “Curdistão”, uma região criada pelas intervenções militares ocidentais por procuração desde a década de 1930. O Iraque foi convertido num Estado falido (sic) pelas invasões e ocupações militares anglo-australo-americanas de 1991 e de 2003, apoiadas pelo Irã, que exterminaram mais de 3 milhões de pessoas.

 

No tocante à guerra colonial israelense contra os palestinos, os “assentamentos” de colonos (sic) judeus devem continuar na Cisjordânia, uma vez que o mundo árabe permanece eclodido sem qualquer perspectiva de uma recomposição imediata. Deste modo, não podemos estranhar que as recentes mudanças de governo no Cairo em nada alteraram a cooperação egípcio-israelense no cerco à Faixa de Gaza, deixando milhões de palestinos num quadro de catástrofe humanitária (fome, epidemias, desemprego etc.).

 

No meio de tudo, o Brasil

 

Os EUA (“povo eleito por Deus”) estão dando, portanto, garantias de que sua guerra contra o “resto” (sic) da humanidade continuará em 2014. O mais grave desta constatação permanece sendo a indiferença do Brasil a este cenário internacional dantesco. Desde a instalação de um Estado liberal-colonial em 1990, sob o governo Collor, testemunhamos a desestruturação do Estado brasileiro paralelamente ao esgarçamento do seu tecido social.

 

A introjeção do liberalismo no “gigante do sul” aprofundou a dependência aos capitais estrangeiros, a criminalização das relações sociais – com a formação de máfias nas mais diversas instâncias do Estado e da sociedade brasileira (inclusive nas universidades) –, promovendo a destruição do sistema de ensino tanto nos níveis fundamental e médio, além da degradação cada vez maior do nível superior (tanto entre discentes, quanto docentes). A obrigação constitucional de rolar a dívida pública consome metade da renda nacional e é causa principal do colapso dos sistemas de saúde e transportes públicos e o sucateamento da infraestrutura e das forças armadas, mantendo o país subordinado ao capital anglo-americano.

 

Tudo isto aliado a um crescente aparato repressivo estatal, usado contra qualquer movimento social reivindicatório. Tal quadro nos leva a questionar se o Brasil está sofrendo um processo de desintegração nacional deliberado ou planejado, podendo até mesmo acarretar uma desintegração territorial a longo prazo. É preciso lembrar que a desintegração do Brasil é do interesse dos EUA, pois é o país com maior capacidade de articulação geopolítica do Cone Sul, a única região que pode se contrapor à hegemonia ianque no continente americano.

 

Ramez Philippe Maalouf é historiador (UERJ) e doutorando em Geografia Humana (USP)

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Última atualização em Segunda, 06 de Janeiro de 2014
 

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