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Estados Unidos: realistas versus neoconservadores Imprimir E-mail
Escrito por Virgílio Arraes   
Segunda, 01 de Outubro de 2007
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Desde a derrota nas eleições de novembro de 2006, há, internamente, no Partido Republicano a acentuação do tensionamento entre as suas duas principais tendências: de um lado, os neoconservadores enfraqueceram-se, em vista da saída do secretário de Defesa, Donald Rumsfeld, e do embaixador junto à Organização das Nações Unidas, John Bolton. Ambos apresentaram ao presidente George Bush os seus respectivos pedidos de exoneração com uma diferença apenas de pouco mais de uma semana, haja vista os esforços da Casa Branca para assegurar a permanência ao menos de Bolton, bastante próximo do vice-presidente Dick Cheney.

Por seu turno, os realistas tradicionais fortaleceram-se, ao efetivarem o novo titular da Defesa, Robert Gates, compartilhante da visão de mundo simbolizada por James Baker, responsável pelo Departamento de Estado durante a gestão George Bush Sr. Naquela época,  houve o êxito militar na Guerra do Golfo, ao expulsar-se o Iraque do Kuwait por meio de uma coligação multilateral. A substituição de Rumsfeld por Gates teria simbolizado - mesmo sob resistência dos partidários de Cheney - o reconhecimento de que a política externa norte-americana fracassou, ao cobiçar a imediata transformação político-econômica da área médio-oriental - não se assistia a tamanho voluntarismo desde o período da Guerra da Coréia, no desdobrar da bipolaridade.

Atualmente, em função do horizonte temporal delineado, deslocou-se a diplomacia para um plano secundário. Ao mesmo tempo, delegou-se na utilização da tecnologia bélica confiança imoderada, o que justificaria o envio de um número menor de combatentes - em torno de 1/3 se comparados aos empregados na primeira versão do conflito - e, por conseguinte, possibilitaria menor desgaste perante a opinião pública do país, flagelada de quando em quando pelas lembranças sinuosas da Guerra do Vietnã.

As raízes da credulidade na superioridade da via militar sobre a diplomática formaram-se nos primeiros anos da década de 90. Naquele contexto, atribuiu-se, na análise retrospectiva, à reestruturação do complexo bélico norte-americano a fadiga soviética e conseqüente derrocada, por incapacidade de poder atualizar-se no compasso requerido. Os Estados Unidos, ao serem a superpotência remanescente, não se sobrepuseram, por outro lado, à tentação da jactância, de sorte que o multilateralismo - não obstante o êxito na I Guerra do Golfo - seria gradualmente desconsiderado pelos formuladores republicanos - em geral, mais conservadores -, especialmente no duplo quadriênio em que seriam alijados do Poder Executivo. No retorno à presidência da República, a postura individualista deles seria fixada sem acanhamento, haja vista o rechaço à manutenção ou aperfeiçoamento de acordos militares - relacionados a mísseis antibalísticos ou a testes de armamentos nucleares, por exemplo - ou à implementação de tratados na área ambiental - Protocolo de Quioto - ou na criminal - Tribunal Penal Internacional.

O intento de maior impavidez, no entanto, dos neconservadores não foi a rejeição de determinadas tratativas internacionais - sob a alegação generalizada de que haveria transferência parcial de soberania, o que afrontaria a carta constitucional do país -, mas o empenho em assegurar, na maior extensão possível, o controle de reservas de combustíveis fósseis no Oriente Médio.

Na prática, isso significou confrontar eventualmente o Irã ou o Iraque, dado que com a Arábia Saudita o relacionamento tem sido bastante próximo, a despeito de alguns arrufos. Segundo recente declaração de Alan Greenspan, ex-responsável pela administração do Banco Central dos Estados Unidos por quase duas décadas, a defenestração do ditador Saddam Hussein teria sido, em princípio, essencial para assegurar a estabilidade da economia mundial. No fim, os Estados Unidos, de acordo com a perspectiva neoconservadora, transformar-se-iam nos terras-tenentes da região, de sorte que choques do petróleo seriam memória longínqua do período da Guerra Fria.

A condução de Robert Gates ao Departamento de Defesa demonstrou a postura equivocada de tal delineio. Mesmo sendo adepto do realismo, Gates reconhece a necessidade de utilizar, de forma mais expandida, o diálogo. De imediato, não se descortina mais a possibilidade de fixar de fato a democracia no Iraque, mas estabilizar o país minimamente. O aparato bélico é ainda importante, mas o emprego de instrumentos de dissuasão também. Na avaliação de Gates, o potencial da Agência dos Estados Unidos de Desenvolvimento Internacional (USAID) foi subestimado desde o fim do período bipolar. Portanto, há o convencimento, mesmo tardio, de Washington de alterar o curso de sua presença em território iraquiano.

Contudo, o novo dirigente encontra-se entre a cruz e a caldeirinha, porque o tempo é-lhe totalmente desfavorável para refletir sobre a formulação de uma nova concepção a ser implementada, em decorrência da obsessão de os remanescentes neoconservadores na Casa Branca acreditarem ser ainda possível aplicar as diretrizes outrora estipuladas para o Irã, de feitio similar às do Iraque.

 


Virgílio Arraes é professor de Relações Internacionais na UnB. 

 

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