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Escrito por Gilvan Rocha   
Sexta, 20 de Dezembro de 2013
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Quando tínhamos apenas 15 anos de idade, e fazíamos a quarta série do então chamado Curso Ginasial, tivemos a oportunidade de ter uma competente e zelosa professora de História, a saudosa mestra Adalgisa. Ela dedicou vários dias ao estudo da Revolução Francesa. Temos que confessar, aquele grande episódio histórico nos causou a mais profunda impressão e incontida admiração. Primeiro, ela falou dos Iluministas, particularmente, de suas figuras exponenciais como Voltaire, Rousseau, Montesquieu, Diderot. Chamou-nos atenção a frase atribuída a Voltaire, referindo-se à igreja católica, então sustentáculo e partícipe da ordem feudal: “esmagai a infâmia”. Isso nos parecia de uma coragem extraordinária, considerando o grande poder que detinha a Santa Madre Igreja Católica, sempre disposta a fazer uso da intolerância, empregando, inclusive, o instituto da excomunhão.

 

A obra de Jean Jaques Rousseau, o Contrato Social, também nos impressionava bastante, assim como o Espírito das Leis, do Montesquieu. Não bastassem o talento e a genialidade dos Enciclopedistas, nos atraía a atenção o lema que se propunha ser o objetivo de uma almejada revolução burguesa: “igualdade, liberdade e fraternidade”.

 

No campo dos embates políticos que ensejaram a insurreição francesa de 1789, destacavam-se figuras heroicas e brilhantes, como: Jean-Paul Marat, Mirabeau, Danton, Robespierre e alguns outros. Marat, editor do jornal “O amigo do povo”, vivia escondido nas galerias pluviais de Paris para fugir da repressão, desde que, como jornalista revolucionário, ameaçava o sistema político vigente, ou seja, a carcomida ordem feudal. Mesmo mantendo cautela, Marat não evitou o punhal assassino da contrarrevolução, e isso nos comovia sobejamente.

 

Outro personagem que nos atraía era o Conde de Mirabeau, principalmente quando a nossa professora descrevia, dramaticamente, o momento em que tropas do rei teriam se dirigido ao local onde se instalava a Assembleia Nacional, com o propósito de fechá-la, e Mirabeau, dirigindo-se ao comandante das tropas, com dedo em riste, teria dito: “ide e dizei ao rei, vosso amo, que aqui estamos pela vontade do povo e daqui não sairemos senão pela força das baionetas”. Tamanha coragem, tamanha determinação, nos provocavam sinceras reverências. Como foi triste quando, anos depois, descobrimos que Mirabeau era um venal, um informante a serviço do rei.

 

Georges Danton, grande tribuno, proclamou, com todo acerto, que os momentos revolucionários exigem “audácia, audácia, audácia”. Enquanto Robespierre, “o incorruptível”, brilhava na galeria desses heróis revolucionários, e o conjunto desses fatos calava bem fundo em nossos juvenis corações. Foi a Revolução Francesa e seus postulados democráticos a nossa primeira grande referência, a nossa primeira grande causa.

 

No ano seguinte ao mencionado, tivemos ocasião de conhecer outro episódio histórico que, pelo seu significado, vinha ocupar um lugar destacado em nossas cabeças e em nossos sentimentos. Tratava-se de outra revolução, tratava-se da revolução socialista, acontecida na Rússia, nos anos de 1917. Foi justamente nos idos de 1958 que, na condição de jovens, tivemos a oportunidade de ouvir dissertações sobre o significado dessa nova página da História, qualitativamente diferenciada da anterior e, também, repleta de figuras notáveis e heroicas.

 

A partir daí, passamos a considerar que a antiga Revolução Francesa havia, brilhantemente, cumprido o seu papel histórico e que o novo momento era da revolução socialista. Sob esse pano de fundo, nos foi passado um discurso político, que afirmava ser o nosso compromisso levar avante uma luta pelo socialismo, porém, essa luta, aqui no Brasil, seria dividida em duas etapas. A primeira etapa seria a da revolução democrática burguesa e tinha, como propósito, alcançar dois objetivos: eliminar os restos feudais, presumidamente presentes em nossa realidade, e promover uma política de soberania nacional. Dizia, então, o Partido Comunista Brasileiro – PCB, patrono desse discurso, que nossas misérias, nossas mazelas sociais, advinham dos restos feudais no campo e da exploração imperialista, sobretudo e, quase exclusivamente, do imperialismo norte-americano.

 

Esse discurso, emanado de Moscou, apontava para a necessidade de se estabelecer uma íntima aliança com a “burguesia progressista”, interessada em promover reformas sociais e políticas e, ao lado delas, promover a “libertação nacional”.

 

Dizia, então, o velho PCB, desde 1928, não ser a hora da revolução socialista e, mais ainda, não era tático falar em socialismo, pois isso haveria de afastar os nossos aliados, a “burguesia progressista”. Em outras palavras, diziam que o socialismo é algo que devia ser guardado no fundo dos nossos corações ou entre quatro paredes, enquanto nos empenhávamos em viabilizar uma política nacional reformista bem ao gosto de um certo segmento da burguesia.

 

Em 1959, consumou-se a vitória da Revolução Cubana. Enquanto isso, vinha a público a divergência entre a China e a URSS. Esses dois episódios nos levavam a um rebaixado dilema: de um lado estariam os “revolucionários”, que advogavam a luta armada e tinham na China e em Cuba as suas referências; por seu turno, havia outra corrente inspirada por Moscou, que defendia a esdrúxula tese do caminho pacífico para o socialismo. Aos primeiros, como já foi dito, era imputada a condição de revolucionários e, ao segundo agrupamento político, dispensava-se os adjetivos de revisionistas e reformistas. Nesse novo quadro histórico, aderimos de armas e bagagens ao segmento que defendia a luta armada, tocados, sobretudo, pelo exemplo cubano, que nos parecia mais próximo. Nesse instante, apresentava-se para nós uma nova verdade. Tudo se reduzia a optarmos pelo caminho do confronto direto com o aparelho de Estado “reacionário e entreguista”, na busca de promover uma situação insurrecional, que pudesse viabilizar pela força o pretendido programa nacional reformista.

 

Para sermos mais claros, digamos: uns defendiam o nacional reformismo, pela via do caminho eleitoral, pacífico; e outros defendiam o caminho da libertação nacional e das reformas, por via do confronto armado. É claro, para nós, hoje, que tal posicionamento expressava um imperdoável reducionismo, cujos prejuízos são incalculáveis.

 

Depois de termos tentado, como partícipes, organizar um grupo guerrilheiro no norte do então estado de Goiás, nos anos de 1962, inspirados e patrocinados pela Revolução Cubana, a experiência fracassou e, depois disso, passamos por um certo momento de reflexão, tentando entender melhor tanto a Revolução Russa quanto a chinesa e a cubana, que eram tão presentes em nossas vidas políticas. Foi nesse instante que tivemos a oportunidade de conhecer um agrupamento trotskista e ele nos trouxe, então, a “suprema luz”.

 

Traziam eles, os trotskistas, um singelo discurso: “a revolução foi traída” e, por conta da traição, os rumos do socialismo ficaram seriamente comprometidos, levando-nos a sucessivas derrotas. Com discursos do tipo “revolução traída”, “revolução desfigurada”, “Estado operário burocratizado”, “revolução política regeneradora”, e outras colocações assemelhadas, esses camaradas nos distanciavam da verdade histórica, pois ela estava reduzida a uma única afirmação: a revolução foi derrotada em escala mundial.

 

Mas, por alguns anos, aceitamos esses discursos como verdadeiros e, somente bem depois, através de um sofrido processo de reflexão, garimpando aqui e ali informações vitais, é que atentamos para o deplorável fato de que fomos enganados nos diversos instantes que aqui assinalamos.

 

Somente hoje, após tantos obstáculos vencidos, à custa de lágrimas, suor e sangue, é que pudemos romper com o cerco, ou melhor, com o círculo de ferro que nos foi imposto, de um lado pela contrarrevolução burguesa e, do outro, pela contrarrevolução stalinista. Isso, entretanto, só foi possível quando nos dispusemos a debruçar diante da Revolução Russa e da Terceira Internacional, e nos empenhamos em desvelar os “mistérios”, desfazer as lendas e as fantasias e, sobretudo, as fartas mentiras que envolviam os fatos históricos.

 

A partir daí, pudemos compreender que a sobrevivência de um capitalismo exaurido, posto na UTI da História, tem a sua sobrevivência explicada pela combinação de duas grandes forças contrarrevolucionárias. A primeira delas é a burguesia imperialista, assumindo-se explicitamente como contrarrevolucionária; e a segunda força, extremamente danosa, deu-se e dá-se pela direita travestida de esquerda. Essa conclusão rompe, definitivamente, com as forças da contrarrevolução, seja ela a direita explícita, seja ela a direita que se autoproclama “marxista-leninista” ou “marxista-leninista-trotskista”.

 

É oportuno, entretanto, que se ressalte que a contrarrevolução stalinista não é um produto das mentes degeneradas, como pretende a análise idealista e moralista da História, que fazem alguns segmentos, em particular, os trotskistas. Não há de se negar que a contrarrevolução stalinista contou com a participação de psicopatas, sanguinários, traidores, degenerados e, lamentavelmente, contou e conta com inúmeras legiões de beatos, acríticos, dotados de boa fé. Porém, não foram os bandidos que produziram a contrarrevolução e, sim, foi a contrarrevolução que os produziu, pois eles foram apenas os seus criminosos operadores.

 

Na Rússia, pós 1917, não se construiu e nem se poderia construir um projeto socialista. Ali se deu a edificação do Capitalismo de Estado e foi justamente essa construção que exigiu a mais brutal das repressões, a mais brutal das explorações e a mais perversa prática totalitária, quando os princípios da democracia política, legados pela revolução burguesa, foram revogados e, em seu lugar, estabeleceu-se o estado policial.

 

Por razões facilmente compreensíveis, é de se ver que a trajetória em busca da verdade histórica é marcada por um sem número de obstáculos e adversidades. Damo-nos por felizes em ter sabido participar, refletir e superar cada momento de engodo. Mas isso não é o suficiente, porque somos uma extrema minoria e nunca será a minoria, por mais lúcida que seja, dotada da força política necessária para superar esse momento tão grave da História, quando o capitalismo exaurido, sem perspectiva, sem nos oferecer nenhuma esperança, nos arrasta para o precipício. Contenta-nos saber, porém, que as novas gerações não necessitam promover a mesma sofrida travessia para enxergar as fraudes e alcançar a verdade histórica.

 

Gilvan Rocha é presidente do CAEP - Centro de Atividades e Estudos Políticos

Blog: http://www.gilvanrocha.blogspot.com

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