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2013, o ano do fim da unipolaridade Imprimir E-mail
Escrito por Ramez Philippe Maalouf   
Sexta, 20 de Dezembro de 2013
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A construção ideológica

 

O corrente ano que se finda será lembrado pela comunidade internacional como o ano em que a (ou o mito ou a ilusão da) unipolaridade dos EUA foi extinta.

 

Desde sua fundação, no século XVIII, os Estados Unidos da América (EUA), constituídos como uma “república de proprietários” (proprietários brancos protestantes escravocratas), forjaram o mito do “destino manifesto” do “povo eleito por Deus” (os mesmos proprietários brancos protestantes escravocratas).

 

Um mito muito conveniente num momento em que combatiam a Inglaterra para preservarem a escravidão e se apropriarem dos territórios indígenas – expulsando e exterminando a população autóctone. Fanatismo religioso, racismo e opressão (aos trabalhadores pobres, índios e negros africanos escravizados) foram os elementos fundamentais do “lar dos bravos (proprietários)” e a “terra da liberdade (dos proprietários)”, criando o primeiro Estado racial da História.

 

Foi em nome da escravidão e, portanto, da propriedade que o sul do país se colocou em armas para combater aquele que ameaçava a liberdade de usufruir sua propriedade, isto é, de escravizar: o governo central. A revolta liberal gerou uma guerra genocida descomunal em 1863. E os EUA levaram sua “missão divina” ao resto do mundo: a liberdade da casta de proprietários brancos anglo-saxões protestantes de dominar a humanidade.

 

Belicismo insaciável

 

Após a II Guerra Mundial (1939-45), com a derrota do nazi-fascismo e a vitória soviética (logo convertida em inimiga), o “povo eleito por Deus” constituiu seu Estado num foco “regressista” mundial, combatendo, por todos os meios (guerras, golpes, políticas econômicas etc.), o desenvolvimento econômico e social de povos e nações (especialmente da África, Ásia e América Latina), para manter sua hegemonia sobre o planeta.

 

Esta sanha destrutiva só se aprofundou com a queda do bloco soviético (1991) e, desde então, como nas palavras do geopolítico e economista libanês Georges Corm, uma verdadeira febre bélica de assombrosa proporção se apossou do país, que o faz invadir ou despedaçar países ao redor do mundo, tais como: Panamá, Iraque, Somália, Iugoslávia, República Democrática do Congo, Afeganistão, Iêmen, Líbano, Sudão, Paquistão, Colômbia, Líbia, Síria, entre outros; com uma ânsia insaciável, sob a farsa de seletivos argumentos morais ou a defesa dos direitos humanos. Esta sanha genocida foi em grande parte alimentada pela crença na “unipolaridade”, uma vez que, além da queda do bloco soviético, a própria União Soviética (a “tirania” dos que lutam contra a propriedade e a favor da igualdade) desapareceu do mapa, sem o derramamento de uma gota de sangue. Por este motivo, os EUA se consideraram vitoriosos e a completa submissão do planeta seria o seu “troféu” para cumprir o “destino manifesto do povo eleito por Deus”.

 

Mais de duas décadas da guerra planetária contra o “resto” da humanidade, os EUA finalmente se depararam com a dura realidade de que a unipolaridade era um sonho. Novas velhas potências retornavam ao panteão dos gigantes: Rússia, China e Índia, denunciando o inevitável e o irreversível fim do “ciclo colombiano” iniciado nos estertores do século XV, com a chegada de Cristóvão Colombo às Américas, dando início ao expansionismo europeu-ocidental. Mesmo enfrentando resistências no seu “quintal”, com a década e meia de governo democrático e constitucional de Hugo Chávez na Venezuela, sob a égide do “bolivarianismo”, os EUA desencadearam duas campanhas militares simultâneas, no Afeganistão e no Iraque, no início do século XXI, que lhes custaram a maior crise econômica desde o “crash” de 1929. Ainda assim, esta crise não cessou o seu furor genocida.

 

A volta do contraponto

 

Foi somente com a revolta popular no mundo árabe (midiatiacamente chamada de “Primavera Árabe”) que toda uma geoestratégia ianque para o Oriente Médio (base terrestre para a conquista da Ásia Central e, portanto, do mundo) foi posta à prova, comprometendo definitivamente a unipolaridade. Após a inesperada queda do ditador do Egito, Hosni Mubarak, um fiel aliado do Ocidente e da Arábia Saudita, por meio de um levante popular em 2011, os EUA se aproximaram da Irmandade Muçulmana (IM), que era apoiada pela Turquia e pelo Catar, porém, inimiga do reino saudita.

 

Esta geoestratégia de favorecer a IM em todo o Oriente Médio, em substituição aos regimes autoritários árabes contestados popularmente, começou a ruir quando o presidente eleito em 2012 (num sistema eleitoral viciado), Mohammed Mursi, membro da IM, foi deposto por meio de um golpe militar (apoiado pelos sauditas e israelenses) e de um novo levante popular, em julho de 2013, que impuseram uma nova ditadura militar.

 

O novo regime militar egípcio, liderado pelo general al-Sissi, colocou na ilegalidade a IM, assim como prendeu o presidente deposto, em claro desafio ao poder dos EUA, cuja única resposta foi a temporária suspensão da ajuda financeira e militar ao país do Nilo. Não apenas a IM foi e está sendo violentamente caçada em todo Egito, mas também Washington foi obrigado a aceitar os novos donos do poder no Cairo, restabelecendo a ajuda financeira. Assim como ficou em silêncio diante da reaproximação entre egípcios e russos, fato inédito desde 1971.

 

Com a derrubada de Mursi e o golpe de Estado no Catar, acreditava-se no retorno da hegemonia saudita no OM. Mas foi a Síria (ou pelo menos a feroz resistência do regime nacionalista e laico do Ba’ath e de seu líder Bassar al-Assad, contra a invasão de uma horda de mais de 100 mil homens estrangeiros, armados e financiados pela Arábia Saudita, Catar, Turquia, Israel e EUA) que freou momentaneamente a geoestratégia ocidental e de aliados regionais de implodir o mundo árabe (e, por tabela, a África e a Ásia) em mini-Estados étnico-confessionais.

 

A ofensiva contra o país árabe que foi o berço do Cristianismo e a sede do primeiro império árabe-muçulmano, iniciada em 2011, sofreu um sério revés no final de agosto deste ano, quando Washington, percebendo a derrota iminente da horda de milicianos armados, decidiu atacar diretamente a nação árabe, no que representou uma ameaça militar à Rússia e a China, aliadas da Síria, e também atingidas pelas hordas de milicianos patrocinados pelas potências ocidentais. Uma contra-ofensiva diplomática e militar (com o envio de uma frota de 16 navios para o Mediterrâneo Oriental) do presidente russo Vladimir Putin, que também não dispensou ameaças militares veladas contra o reino saudita, salvou, paradoxalmente, Barack Obama de um desastre militar no Oriente Médio.

 

A contra-ofensiva russa destruiu o sonho americano da unipolaridade, porém, ao impedir o ataque à Síria, prevenindo a guerra ao Irã, abriu caminho para os EUA distenderem momentaneamente a hostilidade com o chamado “eixo da resistência” (ao domínio colonial ocidental), formado pelo Hizbollah, Irã, Síria, o ambivalente Iraque (também pró-ianque) e a Armênia.

 

Como resultado, Washington firmou um acordo interino com Teerã sobre o programa nuclear iraniano, repudiado pelo reino saudita e Israel. Com mãos livres no Oriente Médio, Barack Obama pode dar prosseguimento às intervenções imperiais, direta ou indiretamente, no Extremo-Oriente, na África e na América Latina (Honduras, Paraguai e Venezuela), visando impedir o ressurgimento da China como potência mundial.

 

Recuo no auto de fé?

 

No Extremo-Oriente, os EUA intervieram nas eleições malaias de maio deste ano, ao tentar impor um governo fantoche em Kuala Lampur favorável ao Acordo de Comércio Trans-Pacífico, assim como ameaçaram atacar a Coreia do Norte. Em resposta ao cerco ocidental, a China criou uma zona de defesa aérea no Mar da China Oriental, o qual os EUA foram obrigados a respeitar até o presente momento.

 

Na África, após a destruição da Líbia em 2011, Washington tem permitido à França desencadear uma “guerra por procuração”, para a reconquista colonial da sua região subsaariana, que atingiu o Mali, em janeiro deste ano, Níger e o Chade, nos meses posteriores, alcançando no presente momento a República Centro-Africana, deixando um rastro de destruição, desagregações territoriais e mortes. Ao mesmo tempo, mantêm ocupação militar em mais de 30 países africanos.

 

Fomos testemunhas, ao longo do ano de 2013, da longa marcha do “povo eleito por Deus” cumprindo o seu “destino manifesto” de submeter toda a humanidade aos seus desígnios. Pela primeira vez, em duas décadas, contudo, a “nação eleita” encontrou uma barreira à expansão de seu projeto de reduzir os países de todo o planeta a pequenas entidades territoriais, baseadas no exclusivismo étnico-confessional, tal como é o Estado de Israel.

 

A derrota dos EUA na Síria, pela Rússia, resultando no fim da unipolaridade, não representou, porém, o fim “estado de sítio” que a “casta dos proprietários brancos anglo-saxões pós-protestantes/pagãos” impôs a toda humanidade desde 1991 – não apenas impedindo o desenvolvimento econômico e soberano das nações, mas também as atacando militarmente. O que demonstra que sua missão é o resultado de uma fé na sua superioridade moral e racial sobre todos os povos do mundo.

 

 

Ramez Philippe Maalouf é historiador (UERJ) e doutorando em Geografia Humana (USP).

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