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Belo Monte em 2013: o início da descida da montanha-russa Imprimir E-mail
Escrito por Rodolfo Salm   
Sexta, 20 de Dezembro de 2013
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Quem já andou de montanha russa, especialmente nos primeiros carros do trem, sabe como é aquela sensação do começo da descida, quando você já está indo ladeira abaixo, mas lentamente, pois os últimos carros subindo ainda freiam a composição. A antecipação da emoção que virá em breve já dá o frio na barriga. Acho que essa sensação resume bem a situação de Belo Monte em 2013. Mas pelo lado negativo, infelizmente.

 

A subida precedente vem de longe. Vem de todas as tentativas já frustradas de se construir essa barragem, desde o fim dos anos 1980, ao longo das quais se derrubou muita floresta por conta da expectativa da hidrelétrica. Por isso que é enganadora a comparação do Sr. Francisco Oliveira, diretor do Departamento de Combate ao Desmatamento do Ministério Ambiente, de que em um raio de 50 quilômetros de Belo Monte o desmatamento passou de 380 km², em 2011, para 41 km² em 2013, para tentar nos fazer crer que não há uma relação direta entre os desmatamentos e as hidrelétricas na Amazônia. O desmatamento de 2011 já era consequência de Belo Monte. E se 41 km² parece pouco, imagine que muitas áreas protegidas no sul e sudeste não têm nem isso. Corresponde à perda de mais de 4000 campos de futebol.

 

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O primeiro carro do trem do recente boom econômico em Altamira em função do início das obras da hidrelétrica foi evidentemente o dos aluguéis. O vagão primeiro a subir e também o primeiro a começar a descer. Você, leitor, que mora ou trabalha em imóvel alugado, multiplique o seu custo mensal com isso por quatro ou cinco. Pois foi esta a mudança que ocorreu em Altamira! Era a fase de instalação da obra, quando milhares de trabalhadores chegavam à cidade todos os meses e as grandes empresas não poupavam para instalar seus engenheiros nas melhores casas da cidade.

 

Não é preciso falar como isso foi devastador para a população local. Hoje, com a infraestrutura de casas dos canteiros de obras e também com o início da migração de engenheiros e trabalhadores em sua destruidora marcha para o oeste, já se veem dezenas de placas de “aluga-se” por toda parte. Os emigrantes seguem para a bacia do rio Tapajós, onde se pretende construir uma devastadora série de sete barragens em áreas de mata virgem. Aqui em Altamira os preços dos aluguéis e imóveis em geral ainda estão caindo pouco porque os proprietários mal acreditam e não se conformam com uma queda tão rápida para tanto investimento. Para muitos dos que sonharam enriquecer com Belo Monte, logo sobrarão apenas casas abandonadas e pesadas prestações a pagar.

 

Apesar da obra de Belo Monte já caminhar para os seus finalmentes, nenhuma das promessas de melhoria para a cidade foi concluída. Hoje em dia não se vê ninguém na cidade que diga que isso foi um bom negócio para Altamira. Na época da euforia, quando nós ambientalistas fizemos os alertas que estamos fazendo há anos, fomos discriminados. O que nos resta é dizer, amargamente, que nós avisamos. E nos conformarmos por não sermos culpados pela cumplicidade.

 

O “milagre econômico” certamente ainda não acabou para os donos de botecos vendedores de cachaça. Além das centenas de caminhões e ônibus ameaçando os pedestres, travando o trânsito, levantando poeira e quebrando o asfalto, temos multidões de homens desacompanhados, bêbados, nos bares de quase cada esquina. Ou andando como zumbis pela cidade, estranha para eles. É assim que “relaxam” nas horas de folga os trabalhadores de Belo Monte, os verdadeiros escravos da modernidade. A obra ainda é um bom negócio para os mercados do crack e da prostituição. Os novos consumidores, vindos de longe sem conhecer a cidade, às vezes batem até em casas normais de família, perguntando se têm da droga para vender. Por quase toda parte, de noite, as prostitutas são o componente feminino da paisagem.

 

No mais, o que dizer de Belo Monte e das barragens na Amazônia em 2013? Circula um vídeo aterrorizante ao som de heavy metal, o “Avatropicos”, com imagens de devastação, protestos e Lula e Dilma cinicamente usando adornos indígenas, que resume tudo.

 

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Mas, apesar de todo o absurdo da ideia de se ampliar em 277% a produção de energia elétrica na região amazônica nos próximos 10 anos à custa da destruição da maior floresta tropical do planeta, e dessa obra em específico, o tema não ocupa o coração nem as mentes do povo brasileiro. Povo que se levantou para manifestações esse ano (a maioria amorfa e sem direção, diga-se), mas não acordou para a tragédia para esse mesmo povo que será a destruição da metade florestada do país. Mais que a música, o futebol ou a miscigenação dos povos, essa devastação será o grande legado brasileiro de nosso tempo para a humanidade.

 

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No Brasil essa ideia não está bem clara, mas muita gente pelo mundo já tem essa consciência. Minha esperança para 2014 é que, com os olhos do mundo realmente voltados para cá, mesmo que em função da Copa, o problema da devastação programada da Amazônia comece a ganhar pelo menos parte da dimensão que merece.

 

Rodolfo Salm, PhD em Ciências Ambientais pela Universidade de East Anglia, é professor da UFPA (Universidade Federal do Pará) em Altamira, e faz parte do Painel de Especialistas para a Avaliação Independente dos Estudos de Impacto Ambiental de Belo Monte.

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