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Quo Vadis Partido Democrático? Imprimir E-mail
Escrito por Achille Lollo, de Roma para o Correio da Cidadania   
Qui, 12 de Dezembro de 2013
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Este é o questionamento que a maioria dos eleitores do Partido Democrático (PD) faz após as eleições primárias de 8 de dezembro, onde Matteo Renzi, prefeito de Florença, ganhou a cadeira de Secretário Geral, juntamente a doze desconhecidos dirigentes, membros da nova direção que, agora, pretendem “rottamare”, isto é, “mandar embora” o velho grupo dirigente, filhote do compromisso histórico de Enrico Berlinguer e dos “acordos amplos” de Giorgio Napolitano.

 

Neste contexto, que toda a mídia exalta, a principal característica política da “Onda de Matteo Renzi” é que com ele o PD não vai atacar o capital financeiro ou o mundo empresarial. De fato, a Confindustria (FIESP italiana), os diretores da “grande mídia”, o Departamento de Estado e o Banco Central Europeu sabem perfeitamente que Renzi é apenas um “democrático progressista” que nunca teve a ver com o marxismo e nunca integrou a contestação juvenil. Renzi é, praticamente, o produto político e cultural da crise ideológica que o PCI introduziu na esquerda italiana quando optou em querer entrar nas salas do poder sustentando a componente progressista da Democracia Cristã. De fato, a componente “cristã social”, cujos principais líderes são o chefe do governo Enrico Letta e Dario Franceschini, hoje é quase majoritária no PD.

 

Por outro lado, Renzi, ao manifestar o projeto de rejuvenescer o partido, revelou, também, que seu objetivo é acabar com os ícones do passado, que, a partir de 1989, favoreceram a maquiagem política do “PCI-PDS-Ulivo-PD”. Declarações que satisfazem plenamente as excelências do capital porque desta forma o PD vai concluir sua projeção socialdemocrata, para assumir, concretamente, o caminho do social-neoliberalismo, também conhecido por Terceira Via. Se isso vai mesmo acontecer, em muitos sindicatos e, sobretudo, na central sindical CGIL e na Federação dos Metalúrgicos (FIOM), muitas carteiras do PD serão queimadas em sinal de protesto. Uma contestação feita por setores de esquerda da base operária que, porém, não modificará o rumo que o partido vai assumir.

 

Em linhas gerais, a possível transformação política do PD prevê aposentar a velha guarda berlingueriana, isto é, dirigentes históricos, tais como D’Alema, Veltroni, Epifani, Bersani, Finocchiaro, Rosy Bindi etc., que no PD são donos de poderosas “correntes” e controlam cerca de 68% do “aparelho partidário”.

 

Um problema complicado que Matteo Renzi e, sobretudo, seus doze apóstolos da Secretaria deverão enfrentar com muito cuidado, porque sem estes 68% o PD não se movimenta e, em caso de conflito interno, pode ficar definitivamente parado, porque o Partido Democrático, desde sua fundação, em 2007, priorizou profissionalizar o pessoal indicado pelas correntes, no lugar de recorrer ao voluntariado dos militantes. Desta forma, em poucos anos, o controle do partido passou às mãos das correntes que dizem zelar pela unidade do partido, mas, na verdade, praticam uma ferrenha luta subterrânea em todas as federações e círculos partidários.

 

É suficiente lembrar o famoso “caso dos 101 sabotadores”, os 101 parlamentares do PD ligados às correntes que inviabilizaram a eleição à presidente de Romano Prodi, abrindo assim o caminho ao segundo mandato de Giorgio Napolitano, antigo líder da corrente “melhoradora” no então PDS (ex-PCI) e grande aliado da nomenclatura berlingueriana, liderada por Massimo D’Alema.

 

Mas se a situação do PD é tão imbricada, por que dois milhões de eleitores do PD escolheram Matteo Renzi, e não o candidato continuísta, Gianni Cuperlo?

Antes de tudo, porque Renzi é um candidato jovem, extremamente comunicativo, que não usa tergiversações quando fala, sabendo contentar as platéias e, então, dizer o que elas querem que seja dito. Na prática, é um populista moderno que encantou todos aqueles que perderam a confiança no PD e a esperança de governar a Itália dentro de uma ótica de esquerda. De fato, cerca da metade do eleitorado do PD é formado por comunistas que, por absurdo, acreditam que os dirigentes que em 1989 enterraram o PCI e a ideologia do marxismo ainda são comunistas! Um equívoco político e histórico que se consolidou a partir de 1994, em função da grande saudade do PCI e pela incapacidade de Pietro Ingrao e dos dirigentes do PRC (Partido da Refundação Comunista) em refundar o Partido Comunista Italiano.

 

Ao analisar o complexo cenário de crise do PD, é preciso dizer que a vitória de Matteo Renzi foi um mal inevitável para a salvação desse partido, visto que D’Alema ou Bersani nunca conseguiram que o PD fosse um verdadeiro partido socialdemocrata e também Veltroni nunca conseguiu transformar o PD em um partido liberal-democrático clintoniano. De fato, o próprio D’Alema, líder da maior corrente do PD, admitiu que “...a vitória de Matteo Renzi permitirá ao PD recompor os laços de confiança com o eleitorado e, assim, afastar a grave crise em que havia submergido nesses últimos dois anos”.

 

Será, portanto, nesta base que nos próximos meses os líderes das correntes deverão fechar um acordo tácito com Renzi, do momento que o PD deve sustentar o governo de amplas coligações de Enrico Letta, pelo menos até julho de 2014, visto que em 22 de junho se realizarão as eleições europeias. Eleições que o PD deve absolutamente ganhar para dar oxigênio político ao governo liderado por Enrico Letta e, consequentemente, marcar as eleições legislativas somente em maio de 2015.

 

Para garantir essa agenda, é preciso que o novo secretário do PD, Matteo Renzi, trabalhe em concomitância com o primeiro-ministro, Enrico Letta, o presidente da República, Giorgio Napolitano, e a Secretária Geral da central sindical CGIL, Susanna Camusso. Isto é, dar continuação, em nível econômico e financeiro, aos laços de dependência que a Itália mantém com a Troika (FMI, Banco Mundial e BCE).

 

Em nível político, o governo e o PD deverão respeitar todos os parâmetros de austeridade fixados pelo BCE e implementar as diretivas da União Européias para abaixar a dívida pública, que alcançou 132% do PIB. No que diz respeito ao contexto geoestratégico da região mediterrânea, as regras serão sempre ditadas pelos generais do Pentágono e da OTAN. São questões que Matteo Renzi nunca questionou, nunca criticou e nunca se atreverá a por em discussão na reunião de Secretaria do PD.

 

O 9º Congresso do PRC que a mídia ignorou

 

Pela primeira vez, nos últimos vinte anos de história do jornalismo político italiano, todos os órgãos da grande mídia, seja jornal, revista, rádio, televisão ou até webtv, censuraram o PRC (Refundação Comunista), recusando-se a escrever uma única linha sobre o 9º Congresso desse partido. Não é exagero, mas, sim, a simples verdade, visto que até dia 10 nenhum jornalista do progressista diário La Repubblica criticou os “cripto-comunistas do PRC”, como sempre faz, e nenhum editor do “L’Unità” (o jornal do PD) repetiu os maldosos comentários, com os quais esse jornal sempre atacou o PRC.

 

Praticamente ninguém veiculou a miserável notinha com 250 caracteres para dizer que “...de 6 a 8 de dezembro se realizou em Perugia o Congresso do PRC (Partido da Refundação Comunista), que nesses últimos dois anos sofreu cinco cisões e uma volumosa sangria de militantes, que determinaram o rebaixamento eleitoral a menos de 1,5%...”.

 

O motivo é simples, talvez o de sempre: as excelências da direita, da centro-direita e da centro-esquerda, em uníssono, decidiram que para a grande mídia ampliar, ainda mais, a crise política que Paolo Ferrero e Claudio Grassi determinaram no PRC, com suas devassantes propostas eleitorais e organizativas, dever-se-ia ignorar a realização do Congresso do PRC.

 

Uma situação difícil, para um pequeno partido comunista como o PRC, que não tem mais seu jornal “Liberazione” para se comunicar com o movimento e com a sociedade, não tanto por falta de dinheiro, mas por excessos de incompatibilidade política na redação. De fato, quando os conflitos políticos quebraram a unidade na Comissão Política Nacional (CPN), algumas “tendências” começaram a atuar como mini-partidos no seio do PRC, exasperando ainda mais as brigas pessoais e as pretensas “diferenciações ideológicas”, alimentando, assim, a corrida em direção à cisão. Primeiro foi a SEL (Esquerda, Ecologia, Liberdade), depois foi a vez da Esquerda Crítica, a seguir foi o PCL (Partido Comunista dos Trabalhadores), a Esquerda Anti-capitalista e, por último, foi a vez da Reconstrução do Partido Comunista!

 

Diante desse cenário de fragmentação política e ideológica, Claudio Grassi, líder da corrente majoritária “Reconstruir a Esquerda”, propôs neste Congresso a formação de um “Syriza italiana”, para assim poder voltar ao universo parlamentar e negociar uma aliança eleitoral com o PD. Praticamente, Claudio Grassi sonha consolidar a formação de um novo partido federativo da esquerda alternativa, cujos principais sujeitos seriam o PRC, liderado por Paolo Ferrero, SEL (de Niki Vendola - que já está no Parlamento por ter apoiado o PD nas últimas eleições) e o PDCI (Partido dos Comunistas Italianos) de Oliviero Diliberto – que também apoia o PD em nível regional. Uma proposta que foi vaiada no Congresso e mereceu uma crítica pelo próprio secretário Paolo Ferrero, que, por sua vez, pretende dar uma nova identidade à esquerda italiana, sem ficar atrelado ao aparelho eleitoreiro do PD e da centro-esquerda.

 

Porém, o que mais surpreendeu nesse congresso, do ponto de vista ideológico, foi a “Moção 3”, que é um documento político apresentado por Raul Mordenti e Andrea Fioretti, que praticamente sintetizaram as conclusões dos debates que se realizaram nas bases (federações e círculos do PRC). Um documento politicamente interessante, que rompeu com o falso jogo antagonista entre Paolo Ferrero e Claudio Grassi. De fato, na sua introdução à “Moção 3”, rejeita e condena o conceito e a prática das tendências e auspicia a retomada do trabalho político no território para, finalmente, refundar o Partido Comunista em uma ótica comunista gramsciana, e não apenas parlamentarista.

 

A linearidade das propostas políticas da Moção 3, seu apego à ideologia marxista e a tenacidade com que foram resgatadas as idéias de Gramsci, na realidade, impediram que a dupla Ferrero-Grassi verticalizasse o debate congressual em seu favor. À causa disso, não houve a eleição da nova cúpula dirigente, que será realizada somente após um ulterior debate nas bases (federações e círculos). É também por isso que a “grande mídia” ignorou o Congresso e nada disse acerca das propostas políticas da Moção 3, que, na realidade, foram o principal elemento político inovador deste 9º Congresso do PRC. Propostas que, muito provavelmente, determinarão a volta do PRC ao cenário político e sua atuação como verdadeiro partido comunista italiano, com uma linha classista, anticapitalista, antiimperialista e solidária com os povos em lutas.

 

Achille Lollo é jornalista italiano, correspondente do Brasil de Fato na Itália e editor do programa TV “Quadrante Informativo” e colunista do "Correio da Cidadania"

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Última atualização em Sábado, 14 de Dezembro de 2013
 

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