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Venezuela: quem ganhou e quem perdeu? Hora de analisar de cabeça fria Imprimir E-mail
Escrito por Javier Biardeau   
Quarta, 11 de Dezembro de 2013
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Diferença de votos maior que em abril

 

Em momentos onde a alegria chavista é o sentimento predominante, e com justiça poderá passar as festas de 2013 com sabor de legítima vitória, é preciso não perder de vista para o ano de 2014 a necessidade de uma análise profunda das correlações de forças e suas dinâmicas de fluxo ou refluxo revolucionário, a fim de enfrentar os próximos desafios eleitorais, para a renovação do parlamento venezuelano.

 

Recentes informações dão conta que o número de prefeituras conquistadas pelas forças sociais e políticas que conformam o Grande Polo Patriótico (GPP), cujo principal eixo eleitoral é o Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), sobe para 210. Deste número de prefeituras, 13 correspondem às capitais, dos 24 estados do país.

 

Com 97,52% de apuração, o chavismo obteve 5.111.336 votos, o que significa 49,24%, enquanto as organizações de direita somaram 4.435.097 votos, o que representa 42,72%, com uma vantagem relativa a favor da revolução bolivariana de 6,52%, porcentagem suficiente para sair de uma zona de risco político (1).

 

Outras organizações políticas obtiveram 833.731 votos, o que se traduz em 8,03% dos eleitores, fato importante a ser levado em consideração para compreender os limites dos agrupamentos que incentivam a polarização política, pois esses votos poderão ser chaves para inclinar balanças a uma ou outra direção. O certo é que, nas atuais circunstâncias, a estratégia opositora de pescar em mar revolto foi momentaneamente derrotada (2).

 

Comemorar e refletir

 

Por agora, convém administrar a vitória com alegria, mas com critérios de mesura e cautela, pois estamos apenas no caminho da recuperação das vantagens do voto bolivariano, obtidas por Chávez em 7 de outubro de 2012, na geografia eleitoral do país.

 

Neste momento, o presidente Chávez coroou sua última vitória pessoal, consagrando-se definitivamente como competidor eleitoral invicto em matéria de eleições presidenciais (3). Mesmo assim, persistem regiões geográficas de instabilidade e desvantagem, que não podem ser perdidas de vista no contexto de uma legítima alegria pelo triunfo conquistado.

 

O principal significado da clara recuperação do voto bolivariano nas eleições de 8 de dezembro, contra todas as vozes agourentas dos “profetas do desastre”, foi a derrota contundente da tese opositora de plebiscito para “tirar Maduro do Palácio de Miraflores”. Mesmo assim, a orquestração política e midiática, da direita continental e mundial, ficou com o mico na mão, ao imaginar que o chavismo estava a ponto de sofrer sua mais estrepitosa derrota (4).

 

O principal descalabro foi para os que avalizaram a tese do plebiscito contra Maduro, e o saldo desse fracasso não deixará de sentir seus movimentos telúricos no seio do campo opositor e de sua dirigência, que perde prestígio e reconhecimento de liderança, ante a impossibilidade de sincronizar e calibrar seu avanço em algumas das principais capitais dos estados do país, sem conseguir superar em votos o campo bolivariano e chavista.

 

A unidade bolivariana conseguiu recuperar, assim, a direção da vitória, ainda que falte muito por fazer para consolidar uma superação realmente frutífera das debilidades, diferenças, tensões e contradições não antagônicas que percorrem internamente as forças sociais e políticas que conformam uma grande aliança popular revolucionária (5).

 

Certamente, a principal barreira de contenção dos planos desestabilizadores da direita foi a unidade da multidão chavista, bolivariana, plebéia e revolucionaria ao redor de sua liderança. O povo bolivariano organizado colocou limites em quem os segue minimizando e desvalorizando como sujeitos de mudança na Venezuela.

 

Se a correlação de forças entre o protagonismo popular, o prestígio da liderança política da Revolução Bolivariana e o legado revolucionário de Chávez se consolidar, tal equilíbrio de forças seguirá favorável à condução do presidente Maduro, que continua sendo subestimado por uma oposição e por alguns setores bolivarianos vacilantes, que não compreendem nem decifram suas qualidades de líder.

 

As importantes vitórias da oposição e a viragem de Maduro

 

A grande frustração do “Estado Maior Político” da oposição foi não poder conseguir mais votos que o processo bolivariano em nível nacional, nem conseguir conquistar a vitória na prefeitura de Libertador, apesar de ter conquistado a vitória no resto dos municípios da área metropolitana de Caracas, fato que não permitiu a tão necessária vitória do candidato bolivariano Ernesto Villegas para a Prefeitura Maior, mesmo que com desvantagem estreita no pleito.

 

Uma vitória de Ernesto Villegas poderia ter significado um autêntico salto qualitativo para o avanço das forças bolivarianas na principal capital do país, e sua figura continua servindo para alavancar a unidade das forças bolivarianas em todo o complexo campo minado da governabilidade da grande capital.

 

De maneira que os planos opositores de descalabro definitivo do governo se viram contidos pela multidão chavista plebéia, em toda a geografia eleitoral do país, ainda que caiba destacar que no “dia da lealdade” a Chávez não se conseguiu vencer a prefeitura da cidade capital do estado de Barinas, seu estado natal. Situações como essa, assim como nas capitais dos estados de Táchira, Mérida e Monagas, devem ser lidas com cabeça fria e com humildade intelectual, para evitar que a recuperação obtida pelas forças bolivarianas dê lugar a atitudes arrogantes de triunfalismo.

 

A evidente viragem da política de governo de Maduro, em direção a medidas de corte popular no terreno econômico e social a partir do mês de outubro, quando solicitou formalmente os poderes habilitantes, foi uma clara demonstração de re-sintonização do governo com o legado revolucionário de Chávez.

 

Assim, cabe complementar esta viragem à esquerda, renovando e reatualizando a fundo as “linhas de ação política para a conjuntura política” elaboradas pelo partido vitorioso da atual contenda, o PSUV. Reforçando-as com os critérios político-ideológicos, a participação e compromisso das forças aliadas ao PSUV, que também contribuíram com a consolidação de um claro rumo de recuperação para a vitória bolivariana.

 

Se o GPP, como aliança popular revolucionária (6), conseguir superar suas tensões e diferenças internas, poderá definitivamente mostrar que há uma estrutura de oportunidade para a viabilidade do Plano da Pátria, assim como sua mais alta fidelidade à meridiana claridade expressada por Chávez, quando falou de unidade, batalha, luta e vitória, naquele 8 de dezembro de 2012.

 

Não se deve minimizar que a oposição ganha espaços de poder em vários estados. Cidades importantes como Valencia (Carabobo) e Barquisimeto (Lara) passam a mãos opositoras. Dados os cômputos obtidos até agora, no que diz respeito às capitais das entidades federativas, o oficialismo venceu em pelos menos 13 e a oposição em pelo menos 8. Dessa forma, a MUD recuperou Barquisimeto, Valencia, Maturín e Barinas, e perdeu Cidade Bolívar e San Carlos.

 

Os resultados de Porto Ayacucho (Amazonas), San Juan de los Morros (Guárico) e Coro (Falcón) mostram uma competição acirrada. Em Zulia, a MUD conseguiu manter Maracaibo, por pequena margem, um município vital para a colocação das forças bolivarianas. Em Táchira, a oposição mostra sinais importantes de recuperação, o que nos leva de novo a compreender as regiões de referência, em termos de potencial de desestabilização.

 

Tampouco se chegou a valorizar suficientemente o papel da abstenção nas recentes campanhas. A participação no processo de eleições municipais (58,9%) superou a registrada nas regionais de 16 de dezembro de 2012 (53,8%), portanto, dados os objetivos políticos e o contexto em jogo, continua elevada.

 

Alguns analistas já tinham feito a previsão de apontar que o PSUV ganharia em porcentagem de prefeituras, mas não se atreviam a dar prognósticos do total de votos nacionais, dados os equilibrados resultados de 14 de abril de 2013. Mas se é para marcar tendências, foi o chavismo quem recuperou sua vantagem frente à oposição.

 

Ganho de tempo

 

Certamente, nas próximas horas nos moveremos no contexto de mensagens de maximização de vitórias e minimização de derrotas, de lado a lado. Ao povo bolivariano, que deseja recuperar as brechas alcançadas em vida pelo presidente Chávez, lhe caberá analisar profundamente as correlações de forças eleitorais dos últimos seis anos e analisar as situações e acontecimentos que permitirão tirar a revolução bolivariana de uma zona de risco político.

 

O objetivo de superar uma potencial crise política que transcorria no encadeamento da crise eleitoral de 14 de abril de 2013, e a crise econômica que se move como pano de fundo da “guerra econômica”, foi parcialmente alcançado às portas do ano de 2014.

 

O processo bolivariano alcançou dois objetivos estratégicos fundamentais na política: obteve um tempo político crucial, sem perder grandes espaços de poder; e, de outro lado, conseguiu conter a estratégia de queda a curto prazo executada por parte da oposição, saindo francamente da zona de risco. Assim, a unidade da aliança bolivariana revolucionária deve se sentir contente, mas, principalmente, deve aprofundar-se na análise e manter a cabeça fria, para enfrentar as delicadas conjunturas socioeconômicas de 2014.

 

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Regiões de “risco” para o bloco bolivariano

 

Notas:

1) http://www.rebelion.org/docs/155457.pdf

2) http://www.rebelion.org/docs/150733.pdf

3) http://www.rebelion.org/docs/161399.pdf

4) http://www.aporrea.org/internacionales/n241452.html

5) http://www.aporrea.org/ideologia/a174248.html

6) http://www.aporrea.org/ideologia/a167481.html

 


Javier Biardeau é professor da Escola de Sociologia da Universidade Central da Venezuela.

Traduzido por Gabriel Brito, jornalista do Correio da Cidadania.

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Última atualização em Terça, 17 de Dezembro de 2013
 

A publicação deste texto é livre, desde que citada a fonte e o endereço eletrônico da página do Correio da Cidadania




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