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Pescar caranguejos Imprimir E-mail
Escrito por Gilvan Rocha   
Segunda, 18 de Novembro de 2013
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Após mais de cinquenta anos de militância socialista, estamos cada dia mais convencidos de que fazer política é como pescar caranguejos. Isso implica em dizer que, como para pescar caranguejos, temos que botar a mão na lama. Fazer política, na nossa realidade, aqui e alhures, tem muita semelhança.

 

E não é só a política de direita que é marcada por truques, calúnias, mentiras e outros expedientes nada éticos. Na esquerda de matriz stalinista, incluindo-se aí ou, sobretudo, os ditos grupos trotskistas, os métodos condenáveis são praticados abundantemente. Mas o que devemos fazer diante desse quadro nada auspicioso para os que querem participar ativamente da vida política? Muitos se isolam sob o argumento de que detestam essa convivência tão nefasta. Porém, esse, ao nosso ver, não deve ser o caminho das pessoas decentes, que têm clareza da grave situação que vivemos, tanto aqui, como em escala mundial.

 

A única saída, no que pesem nossos escrúpulos, é meter a mão na lama da política e procurar retirar desse lamaçal resultados que sirvam para o grande propósito de libertação humana das garras de um capitalismo exaurido e, francamente, predatório.

 

Em outras palavras, é preciso termos consciência de que os problemas sociais são de natureza política. Tomemos como exemplo a fome, esse mal mais antigo que o próprio homem, que poderia ser solucionado, pois dispomos de condições técnicas e científicas para abolir essa chaga da face da terra, em questão de pouco tempo.

 

No entanto, a fome persiste, castigando pessoas. Alguns, pouco avisados, procuram diminuir os seus efeitos, promovendo campanhas minúsculas de combate à fome que se caracterizam por sua inegável insuficiência.

 

Outro exemplo que poderíamos citar é a questão ambiental. É um erro, um grave erro, imaginar que tal questão pode ser resolvida no âmbito do capitalismo, com algumas leis proibitivas de ações predatórias do meio ambiente. Essa questão é, sobretudo, de natureza política. É preciso que a humanidade se dê conta de sua gravidade e tome nas mãos o destino do planeta.

 

Tomados esses dois exemplos emblemáticos, fácil fica ver a importância da ação política transformadora, revolucionária. Assim sendo, apesar de nossas escusas, outro caminho não há, senão encarar os dissabores que se colocam no caminho de nossas militâncias e persistir lutando. Não podemos, portanto, arredar do lamaçal político e, sim, enfrentá-lo, separando a lama do saboroso caranguejo.

 

Gilvan Rocha é presidente do Centro de Estudos e Atividades Políticas – CAEP.

Blog: www.gilvanrocha.blogspot.com

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Última atualização em Terça, 19 de Novembro de 2013
 

A publicação deste texto é livre, desde que citada a fonte e o endereço eletrônico da página do Correio da Cidadania




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