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Fantástico, quem contrata o Royal? Imprimir E-mail
Escrito por Plínio Gentil   
Terça, 05 de Novembro de 2013
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O caso dos cães beagle resgatados do laboratório Royal é mais um capítulo da luta do capital selvagem/empreendedor contra todo o resto. Neste caso “o resto" é representado por uma entidade protetora de animais. Que para alguns isso não passe de um modismozinho burguês é outro problema.  O fato mesmo é que o capital é habitualmente muito mais forte que qualquer entidade protecionista da fauna ou similar. Na busca do lucro não costuma haver qualquer limite ético. Que o digam a Volkswagen, Mercedes, Basf e outras alemãs que, sem qualquer constrangimento, utilizaram mão de obra escrava (de prisioneiros) para enriquecerem durante a II Guerra, segundo nos lembra José Damião de Lima Trindade, no seu História social dos direitos humanos (São Paulo: Peirópolis, 2002). Ou, para ficarmos mais perto, que também o digam as elites agro-exportadoras luso-brasileiras que, por quase quatrocentos anos, enriqueceram explorando mão de obra escrava.

 

O capital só pára quando é seriamente confrontado. O selvo-empreendedorismo principalmente. Seu interesse espraia-se pelas instituições do Estado e nos meios de comunicação. Estes, na qualidade de empresas privadas, também têm os seus próprios interesses e assim todas as partes se acertam. Não é possível, por isso, confiar naquilo que sai nos pseudo-noticiários ou em outros programas da TV, quase sempre festivais de variedades fúteis. Aplica-se o mesmo ao que dizem os representantes do Royal, ou boa parcela dos agentes do Estado, quando se manifestam a respeito, pelos mesmos motivos.


Os ativistas, é claro, também têm interesses na história. Mas é inegável que não vivem o mesmo concubinato com a mídia e o Estado. Não possuem, portanto, o mesmo espaço. Afrontam o capital selvagem, ao denunciar maus tratos em seres indefesos, contrariando interesses de quem deve obter muito lucro com a coisa.

 

Até hoje não se sabe quais são as empresas que contratam o Royal para se beneficiarem com os testes. Segundo postagem da jornalista Luísa Mell, na Internet, tampouco o laboratório permitiu a livre entrada de jornalistas ou se submeteu, voluntariamente, a qualquer espécie de observação confiável. Assim, a suspeita de que ali torturam animais para pesquisas cosméticas, ou de ainda menor importância, é plenamente justa. Como parecem esconder a verdade, pode-se suspeitar que praticam barbaridades, provavelmente desnecessárias, pois vários países europeus proíbem testes com animais para fins cosméticos.

 

Não se espere nenhum esclarecimento da mídia amiga. O Fantástico do dia 27 de outubro iniciou o assunto com a pergunta “é justo utilizar animais para testes?”. Começou errado, pois deveria perguntar se isso “é necessário”. É óbvio que faltou a pergunta principal: “quem se beneficia dos testes do laboratório Royal?”.

 

Seguiram-se comentários sobre a lei vigente, a duvidosa transposição dos resultados obtidos em animais para seres humanos, a discutível necessidade de tais testes e a sua proibição na Europa, como falei acima. Nada, nadinha de nada, sobre quem são os clientes do Royal. Não pude matar minha curiosidade, pois estava me lembrando da Luísa Mell contando que empresas como Dove, Avon, L’Oreal etc. fazem testes em animais para seus produtos. Lógico que não são remédios contra o câncer.

 

A matéria do Fantástico termina estrategicamente com a notícia de alguém pondo à venda um dos beagles resgatados, o que cria um clima propício de crítica aos ativistas, tidos por muitos como ladrões de cachorros. Na falta de explicações, podemos ou não concluir o óbvio? Ou seja, que certamente os testes com animais saem mais barato e é por isso que são feitos. Uau... descobrimos a pólvora.

 

Só pra registrar: o Fantástico, que nada de novo informou, é o mesmo programa que, naquela noite, completou sua pauta com notícias de um robô que tem coração, respira e anda (a pequeno-burguesia adora isso, acha que é progresso), a fabricação de olhos artificiais (para nada disso precisaram de animais), Roberto Carlos dizendo nada (o que não chega a surpreender) sobre autorização de biografias de astros, uma seção de auto-ajuda para mulheres aprenderem a seduzir (Cristo santo, precisa ensinar?), além de uma disputa pra ver qual famoso emagrece primeiro (o que soa ofensivo num mundo em que ainda há crianças desnutridas que morrem de diarréia).

 

E atenção para aquela que foi a primeira reportagem do programa: uma glorificação da polícia (mineira) por chegar imediatamente ao cenário da explosão de um caixa eletrônico. Como é rápida a nossa polícia ao defender o dinheiro de um banco... Fico me lembrando do então delegado-geral da polícia paulista ao dizer (sobre a PM), na posse do secretário de segurança, ano passado: “A gente nunca teve chacina nos Jardins aqui em S. Paulo. Por que será? Por que é tão fácil matar pobre na periferia?”.

 

Me faço a mesma pergunta. Ela fica no ar, assim como a pergunta-título deste artigo. O Fantástico não vai responder, gente?

 

Plinio Gentil é Doutor em Direito (PUC-SP) e em Educação (UFSCar). Pesquisador do Grupo Educação e Direito, da UFSCar. Professor de Direitos Humanos (PUC-SP). Procurador de Justiça criminal no Estado de S. Paulo. Integrante do Movimento do Ministério Público Democrático. Autor de obras de direito, política e educação (Saraiva, Elsevier, Boreal etc.).

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Última atualização em Qui, 07 de Novembro de 2013
 

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