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A violência gratuita de cada dia Imprimir E-mail
Escrito por Daniel Jaçanã   
Qui, 31 de Outubro de 2013
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Dois dias antes da morte do jovem Douglas Martins Rodrigues, de 17 anos, da Vila Medeiros, outros dois garotos do mesmo bairro quase tiveram o mesmo fim, ao serem espancados por sete seguranças de um bingo, na porta da minha casa.

 

Na madrugada do dia 24/10, fui acordado aos gritos por minha mãe, que não parava de chorar dizendo que dois meninos estavam sendo espancados na porta da nossa casa pelos seguranças do bingo e que ela já tinha chamado a polícia. Me troquei e fui até a casa da minha irmã, que tem sacada pra rua de frente, onde estavam os meninos. Ao chegar, encontrei meu pai com uma cara de terror e, do outro lado da rua, a vizinha estava com a mesma face de transtorno pelo excesso de violência.

 

Quando eu cheguei, os meninos estavam deitados, com as mãos pra trás e com a cara no chão. Em volta, havia os sete seguranças e um carro da PM com dois policias, que acabara de chegar e cumprimentar um por um dos sete seguranças – inclusive, alguns eram amigos.

 

Questionei meu pai e minha mãe sobre o que havia acontecido exatamente. Eis o relato:

 

“Acordei com barulho de grito e de soco, corri pra sacada da sua irmã pra ver o que estava acontecendo, ao chegar eu vi os seguranças do bingo da praça, sete homens, PMs afastados ou que fazem bico para o crime organizado nas horas vagas. Dois moleques magrelos de idade entre 17 e 20 anos, espancados por esses homens fortes e grandes, que afirmavam que eles tentaram roubá-los. Detalhe: SEM ARMA.

 

Eles fugiram e desceram por nossa rua, que fica a uns 800 metros do bingo, os seguranças chutaram cabeça, davam soco na barriga, no rosto e um deles chegou a apontar a arma pra um dos meninos já caído no chão, ameaçando-os de morte e dizendo que deram sorte de ter sido ali e não no final da rua, que é escura e tem um rio. Eu e a vizinha começamos a gritar com eles pra pararem, que eram meninos, que não estavam armados e que aquilo era desproporcional e iríamos chamar a polícia, que não demorou a chegar.

 

Quando eu cheguei, havia um carro da PM no local, e os policias trocavam ideia com os seguranças. Rindo, muito provavelmente se conheciam. Ficaram pelo menos meia hora conversando e decidindo o que fazer com os moleques. Nisso, chegaram mais duas ou três viaturas da PM, somando um total de 12 policiais.

 

Minha mãe e a vizinha tentaram pegar o telefone e o nome dos moleques para ligar para as mães, mas um dos policias destratou-as e disse: ‘é seu parente por acaso?’ A vizinha respondeu: ‘Não. E isso não faz a menor diferença, pois ele deve ter uma mãe que vai ficar desesperada por seu filho não voltar pra casa. E eu, como mãe, sinto que devo ligar pra ela e comunicar que seu filho foi espancado covardemente e que será encaminhado pra tal delegacia’. O PM a ignorou, e ela completou: ‘só estou aqui até agora pra evitar que vocês sejam mortos, pra salvaguardar a vida de vocês’.

 

Por fim, os policiais não os deixaram fornecer seus telefones e nem os nomes, mas acabaram dizendo a qual delegacia seriam encaminhados. Trocaram mais umas ideias com os ‘seguranças-heróis’, agradecendo-os pelo feito.

 

Soubemos no dia seguinte que um dos meninos não tinha nada a ver com a história. Estava passando no lugar errado, na hora errada, quando outro rapaz tentou furtar um dos carros próximos ao bingo. Os dois fugiram, pois estavam atirando neles. Eles não se conheciam.

 

Nenhum outro vizinho saiu na rua; mesmo com o barulho das viaturas e das agressões, nenhum vizinho ajudou com imagens de suas câmeras, nenhum vizinho quer saber de marginais ou possíveis marginais, ainda mais se forem negros. As câmeras de segurança servem apenas para proteger seus bens, mais do que suas próprias vidas”.

 

---

 

Todos os seguranças conhecem minha mãe, pois o tal bingo é do lado do seu comércio e, mesmo assim, ela os peitou e pediu pra pararem com tal agressão. Só não foram mortos por isso.

 

A mesma cena aconteceu mais ou menos 15 anos atrás, em frente a minha casa, quando minha mãe peitou um tenente da Rota, que, junto de mais três policiais, espancaram covardemente dois rapazes, conhecidos por todos na região. Levaram socos, chutes, choques e um deles teve a barriga perfurada com uma caneta porque estavam fumando e portando maconha.

 

Nesse dia, a rua inteira saiu pra olhar o que se passava, e todos deram aval para a atitude da Rota - afinal, maconheiros são perigosos. Depois de minha mãe apontar o dedo na cara do tenente da Rota e xingá-lo de todos os nomes que conhecia, eles resolveram soltá-los, já que havia muita testemunha, mesmo dando aval à atitude bizarra.

 

A classe média caga e anda para o mundo. Se a PM está batendo é porque fulano mereceu. Se a Globo, a Veja e a Folha estão publicando é porque está certo. E assim a periferia é dizimada, com o aval da classe dominante, abrindo caminho a futuras desapropriações, para a alegria da especulação imobiliária e da futura verticalização da zona norte.

 

Daniel é morador do bairro do Jaçanã.

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Última atualização em Terça, 05 de Novembro de 2013
 

A publicação deste texto é livre, desde que citada a fonte e o endereço eletrônico da página do Correio da Cidadania




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