Petróleo: a história se repete

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Naqueles anos, de triste recordação para o povo brasileiro, mal assumiu o governo, Fernando Henrique Cardoso (FHC) enviou ao Congresso um projeto de emenda constitucional que visava acabar com o monopólio da Petrobrás sobre a exploração e produção de petróleo.

 

Em 3 maio de 2013,completou 18 anos a histórica e heroica greve de 32 dias dos petroleiros, que, em plena era FHC, foi fundamental como movimento de resistência para impedir a privatização da Petrobrás (ou PetroBrax, como se chamaria). Naquele ano de 1995, foi autorizado pelo presidente da República que o exército com tanques, metralhadoras e militares ocupassem as refinarias e reprimissem os trabalhadores.

 

A Federação Única dos Petroleiros (FUP), que liderou este movimento, acabou despertando um movimento nacional de solidariedade, resultando no grito único de que “somos todos petroleiros”. Um alto preço foi pago, resultando na demissão de muitos trabalhadores, e em multas astronômicas para os sindicatos ligados à FUP. Com toda repressão, a luta valeu a pena, e a Petrobrás não foi totalmente privatizada.

 

Agora, novamente, os petroleiros mostram o caminho em uma greve contra o leilão do Campo de Libra, na Bacia de Santos - a primeira licitação de área do pré-sal. Libra não é um mero campo, é um reservatório totalmente conhecido, delimitado e estimado em seu potencial de reservas em barris. Ou seja, esta área não é um bloco aonde a empresa petrolífera irá “procurar petróleo”. Constitui na maior reserva comprovada de petróleo brasileiro no pré-sal, descoberto pela Petrobrás em 2010, e uma das maiores descobertas mundiais dos últimos 20 anos, possuindo entre 12 e 14 bilhões de barris de petróleo (equivalente a dois terços das atuais reservas brasileiras).

 

No dia 17/10, a presidente Dilma Rousseff assinou um decreto que autoriza o envio, além das tropas do Exército, homens da Força Nacional de Segurança, da Polícia Federal (PF) e da Polícia Rodoviária Federal (PRF)  para garantir (?) a realização do leilão da área de Libra. O Ministério da Defesa ficou com a função de coordenar as ações com apoio do Ministério da Justiça, em uma operação denominada de Garantia da Lei e da Ordem (GLO), a ser executada pelo Comando Militar do Leste, com um agrupamento de mais de 1.100 homens. Tudo sem se descartar a possibilidade de reforço da Marinha e até da Aeronáutica.

 

Mais uma vez a presidente Dilma decidiu imitar FHC, pois, além de privatizar o petróleo, chama o exército contra aqueles que denunciam o entreguismo, como o tucano fez em 1995. Além disso, alimenta a judicialização e a criminalização por parte da mídia. Sem dúvida ficará para a história pelo uso do exército, contra os manifestantes que defendem os interesses nacionais.

 

Contra os leilões do petróleo e pela soberania nacional. O petróleo é nosso.

 

Heitor Scalambrini Costa é professor da Universidade Federal de Pernambuco

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