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Escrito por Paulo Passarinho   
Sexta, 18 de Outubro de 2013
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Foi dada a largada da corrida eleitoral para o cargo de gerente da colônia Brasil.

 

Dilma, a atual gerente, Marina Silva, Eduardo Campos e Aécio Neves procuram nesses últimos dias sinalizar posições simpáticas à comunidade financeira, representada pelos bancos e multinacionais.

 

Aécio Neves, respondendo à ofensiva de Dilma nos Estados Unidos, onde a gerente de plantão andou recentemente fazendo propaganda de suas novas privatizações, participou de uma conferência, em Nova York, organizada pelo BTG Pactual. O atual presidente do PSDB, naturalmente, pregou o mantra predileto ao gosto da plateia que o ouvia: defesa da estabilidade da moeda, da responsabilidade fiscal e da livre flutuação do câmbio.

 

Aqui na colônia, por sua vez, Marina Silva elevou a sua voz para criticar a atual gerente e defender o tripé da política econômica com veemência. Segundo a ex-senadora e agora aliada partidária de Eduardo Campos, o governo Dilma está comprometendo o tripé representado pelo câmbio flutuante e pelas metas de inflação e de superávit primário. Qualquer semelhança com a pregação de Aécio em Nova York não é mera coincidência.

 

Marina Silva, que parece ser a porta-voz da dupla para assuntos de natureza econômica, nesse momento inicial de seu “casamento” com Eduardo Campos, foi apoiada por assessores do atual governador de Pernambuco, que lembraram que a posição de Marina – expressa em um encontro promovido pelo banco Credit Suisse – já foi defendida anteriormente pelo presidente do PSB, a legenda que deu abrigo à ex-senadora e à sua Rede Sustentabilidade.

 

Dilma Rousseff, por sua vez, não deixou de rebater o que ela considera uma injustiça. Para empresários mineiros, ela fez questão de lembrar o seu compromisso com o que eufemisticamente é chamado de “solidez macroeconômica”: o combate à inflação, o rigor fiscal e a defesa e prática da flexibilidade cambial.

 

O importante a ser questionado é, de fato, a lógica e coerência desse tipo de discurso, frente às preocupações também expressas por esses possíveis futuros candidatos em 2014. Aécio Neves, por exemplo, falou aos convidados do BTG Pactual em “fortalecimento da indústria” e “impulso à inovação tecnológica”; Marina é conhecida pelo seu eco-capitalismo e a apologia do que ela chama de “desenvolvimento sustentável”; e Dilma vive a defender o crescimento econômico e, especialmente, a necessidade de elevação da taxa de investimento do país.

 

Ora! O que temos visto desde os anos 1990 e particularmente desde 1999 – quando o tripé do câmbio flutuante/metas de inflação/metas fiscais passou a ser uma exigência do FMI – é, a rigor, uma política de controle inflacionário, baseada na abertura financeira e comercial. Essa política impõe a perigosa combinação de câmbio valorizado e juros reais elevados. Câmbio valorizado é mortal para um país periférico que tenha alguma pretensão de fortalecer a sua indústria local. Combinado com uma política monetária baseada em juros reais elevados e abertura comercial, o resultado é o que temos assistido: a indústria brasileira, largamente transnacionalizada, regride para um papel de montagem de peças e componentes importados. Como, portanto, defender esse tipo de política e, ao mesmo tempo, o fortalecimento da indústria e de um processo de inovações tecnológicas?

 

Não sem razão, o Brasil hoje se defronta com um sério problema de financiamento das suas contas externas. O dito tripé macroeconômico em questão faz com que as despesas com importações, as remessas de lucros, o pagamento de juros e outras despesas de serviços tenham uma trajetória de gastos ascendentes. Frente a esse quadro, as receitas de exportação passam a ser vitais, ao menos para amenizar o desequilíbrio das contas correntes do país (transações de comércio e de serviços).

 

Desse modo, o favorecimento e incentivo às atividades do agronegócio e à exportação mineral passam a ser estratégicos e funcionais à manutenção do modelo de economia que temos. Como, portanto, com o setor de commodities agrícolas e minerais assumindo essa importância, poderemos falar em desenvolvimento sustentável? Todos sabemos que o modelo agrícola voltado às exportações usa e abusa de toneladas de venenos tóxicos, defensivos agrícolas e sementes transgênicas. Sem deixar de lembrar também que a produção mineral, a exploração e exportação de minérios e petróleo, por exemplo, estão longe de se constituírem em atividades adequadas à defesa do meio ambiente. Como então defender a compatibilidade do tripé do FMI com o polêmico e demagógico conceito de eco-capitalismo?

 

Por fim, não podemos deixar de lembrar o elevado custo financeiro do irresponsável, antinacional e subalterno modelo econômico em curso. O crescimento da dívida bruta em títulos do governo é a melhor tradução para a verdadeira deformação macroeconômica que vivemos. As elevadas taxas reais de juros com que essa dívida é administrada faz com que atualmente quase a metade do Orçamento Geral da União seja consumida com o pagamento de despesas financeiras. A tradução cotidiana desse descalabro é demonstrada especialmente para as condições degradantes das políticas estratégicas para o bem estar do povo. Não sem razão, há uma crise sistêmica na educação pública, no Sistema Único de Saúde, na infraestrutura urbana de transportes de massa, sem falar na infraestrutura de transportes de cargas.

 

Dilma Rousseff parece desconhecer por completo essa realidade quando, ao mesmo tempo, faz a sua profecia de fé no tripé ao gosto dos bancos e multinacionais e acena, também, com as ilusões de um hipotético desenvolvimentismo e a promessa de elevar a taxa de investimento na economia. Ela sabe, na verdade, que essas são promessas que não se compatibilizam. E a melhor prova disso foi a patética reunião em que, recentemente, ela implorou, junto à fina flor da especulação internacional, em reunião organizada pelo Goldman Sachs, em Nova York, por investimentos e “capacidade de gestão” dos gringos. Investimentos que, diga-se de passagem, poderão ser financiados pelo sempre generoso BNDES e estimulados por incentivos fiscais.

 

É esse dramático quadro que faz, também, com que Dilma rompa com seus compromissos de campanha – quando denunciou José Serra como “privatista” e prometeu que o pré-sal seria o nosso “passaporte para o futuro”. Ela, agora, muda o seu discurso e insiste no propósito de entregar, através de leilão, o campo de Libra, campo de petróleo descoberto pela Petrobrás, com reservas estimadas pela própria ANP entre 8 e 12 bilhões de barris de petróleo, podendo até mesmo ter uma riqueza que supere esse volume.

 

Da minha parte, em meio a uma conjuntura de muitas incertezas – no plano econômico, mas principalmente no plano político –, o único caminho para um verdadeiro passaporte para o futuro, que não seja o do subdesenvolvimento e da dependência externa, é o rompimento com o modelo dos bancos e multinacionais e o seu nefasto tripé.

 

Paulo Passarinho é economista e apresentador do programa de rádio Faixa Livre.

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Última atualização em Segunda, 21 de Outubro de 2013
 

A publicação deste texto é livre, desde que citada a fonte e o endereço eletrônico da página do Correio da Cidadania




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