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Brasil, 1968 Imprimir E-mail
Escrito por Gilvan Rocha   
Sexta, 11 de Outubro de 2013
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Pouco se discute 1964, e o pouco peca por equívocos. O mais grave é a caracterização do golpe. Diz-se, um golpe militar. Os militares não são uma classe social, são o braço armado da burguesia. O que houve foi um golpe contrarrevolucionário.

 

Ultimamente, os “gênios” acadêmicos passaram a chamar esse evento de golpe civil/militar. Cretinice pura, pois passa ao largo do caráter de classe do poder. Outra aberração é a denúncia de que o “golpe nasceu em Washington”. Por definição, Washington é inimigo da revolução, e “os inimigos não mandam flores”. A História registra que os ianques foram derrotados pelos vietcongues, em um testemunho de que não são as armas e, sim, a natureza da guerra que pode determinar o seu resultado. A alusão a Washington tinha, despudoradamente, a pretensão de dizer que, caso houvesse um conflito armado no Brasil, a revolução seria, necessariamente, esmagada, e isso não procede.

 

Consumado o golpe, instalou-se um governo de exceção (ditadura). Mas, após a derrota, o movimento de massa se rearticulou, promovendo passeatas, greves, enfrentamento no campo, ameaçando a estabilidade política. Deu-se, então, um golpe dentro do golpe, em 1968.

 

A pobreza teórica das esquerdas levou à redução de toda discussão a um falso dilema: luta armada ou o caminho pacífico para o socialismo. Os primeiros se julgavam revolucionários e diziam: basta de blábláblá, a revolução se dá com armas e dinheiro. Armas, vamos buscar nos quartéis e, dinheiro, nos bancos. Partindo dessa premissa, a maioria se propôs a organizar grupos armados prontos para ações.

 

Essa simplificação decorria, como dissemos, do nosso raquitismo teórico e, para ilustrar, lembremos do fato de que uma das referências dos “revolucionários” era Cuba e, lá, predominava a máxima: “hay que tener cojones”, o que não passa da degradação política produzida pelos longos anos de hegemonia stalinista-trotskista.

 

Tais fatos explicam o silêncio que se impôs em torno de 1964, enquanto 1968 constituiu-se no foco das abordagens, destacando-se as produções cinematográficas que se detiveram e se detêm na denúncia de que a ditadura impôs o seu terror, perseguindo, prendendo, torturando e executando uma legião imensa de bravos militantes. Assim, ao invés da necessária reflexão, resvala-se para o culto do martírio e esse enfoque não nos permite avançar no caminho da lucidez política.

 

Gilvan Rocha é presidente do Centro de Atividades e Estudos Políticos – CAEP.

Blog: www.gilvanrocha.blogspot.com

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