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Alemanha: conservadores e socialdemocratas juntos no "Modelo Teutônico" Imprimir E-mail
Escrito por Achille Lollo, de Roma para o Correio da Cidadania   
Segunda, 30 de Setembro de 2013
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A vitória do CDU/CSU de Angela Merkel nas eleições legislativas alemãs (41,50%) e a fragorosa derrota da Frente Liberal - o partido dos banqueiros que desta vez desapareceu do Bundestag (Parlamento) – promoveram a definição de um novo cenário político na Alemanha, que, por sua parte, não determinará mudanças substanciais no âmbito da União Europeia. Isso porque os signatários da "Grande Coalizão", Angela Merkel pelo CDU/CSU e o socialdemocrata Peer Steinbrueck pela SPD, têm divergências na política interna, enquanto, no que diz respeito à União Europeia, EUA, Israel, o Oriente Médio e a América Latina, seguem com os mesmos objetivos: austeridade fiscal, privatizações, apoio aos governos moderados, prioridades estratégicas da OTAN.

 

A derrota da Frente Liberal e sua saída do Bundestag estragaram a festa que o CDU/CSU havia preparado para celebrar o terceiro mandato de Angela Merkel. Esse fato obrigou os editores da "grande mídia" europeia a reformular suas previsões, a partir do momento em que, sem os votos dos liberais, o CDU/CSU não pode governar e, tampouco, enfrentar o risco de novas eleições. Assim, 24 horas após os festejos em Berlim, Angela Merkel e a direção do CDU (Cristãos Democratas) iniciaram as negociações com os dirigentes da socialdemocracia (SPD) para definir o programa do futuro governo. Porém, cabe sublinhar que Angela Merkel iniciou logo essas negociações para evitar que a direção do CSU (Cristão Sociais) - o principal representante da direita histórica da Alemanha - volte a criar problemas com a SPD, como aconteceu em 2005, quando, à causa do posicionamento da direção do CSU, as negociações com a SPD duraram quase três meses.

 

Energia, pensões, investimentos

 

A velha proposta de substituir a energia nuclear com as alternativas (energia solar, eólica, biomassa e hidroelétrica); a questão do envelhecimento da população alemã e consequentemente o aumento dos pensionistas; enfim, o aumento dos investimentos públicos na saúde, na instrução e no mercado interno, são os argumentos centrais das negociações que Angela Merkel está tendo com os socialdemocratas Peer Steinbrueck e Sigmar Gabriel.

 

As "excelências do mercado" que assinam seus artigos na imprensa alemã estão veiculando a ideia de que a sabedoria política da Merkel e o "aparelho" que ela controla no governo federal serão os elementos determinantes para enquadrar a SPD no programa por um "governo estável", tal como aconteceu em 2005 quando a Grande Coalizão governou até 2009. Porém, desta vez Angela Merkel e o CDU/CSU não podem levantar muito a voz, visto que, agora, no Bundestag, a centro-esquerda (SPD/Verdes/DieLinke) é majoritária com 319 parlamentares, contra os 311 do CDU/CSU.

 

Um contexto político difícil que ficará ainda mais complicado, quando o Partido Verde fixará na agenda do Parlamento o dia para debater o futuro da energia nuclear. De fato, na passada legislação, Angela Merkel, com a ajuda dos liberais, conseguiu adiar para janeiro de 2014 esse debate, que, ao ser reaberto, pode até romper a "grande coalizão", visto que a maior parte dos deputados da SPD, respeitando as opções de seus eleitores, não quer votar em favor da manutenção das centrais nucleares. Portanto, Peer Steinbrueck e Sigmar Gabriel sabem muito bem que, se optam pela submissão a Angela Merkel - como fizeram em 2005 -, a contrapartida política será a saída em massa de seus eleitores para o partido Verde ou o Die Linke.

 

Em segundo lugar, a questão do aumento dos pensionistas e a falta de investimentos nos setores públicos, sobretudo na saúde e na educação, são as principais reivindicações dos socialdemocratas para integrar a "grande coalizão". Por isso, é difícil prognosticar se Merkel aceitará o "out - out" da SPD para poder governar tranquilamente nos próximos cinco anos. De fato, o novo governo deverá dar mais atenção à situação interna, visto que o volume dos desempregados (5,8%) começa a ser mais visível nas cidades. Aliás, 0,9% dessa percentagem são representadas por jovens entre 18 e 27 anos que nos últimos três anos permaneceram desempregados. É bom lembrar que o desemprego dos jovens acirra outra problemática de natureza política nas periferias das grandes metrópoles da Alemanha, onde o contexto social é bastante difícil à causa da maciça presença de imigrados africanos e árabes e da intensa atividade dos grupos neonazistas que, em função disso, mobilizam os jovens desempregados para promover suas atividades racistas.

 

Outro elemento que o setor mais progressista da SPD considera determinante para integrar a "grande aliança" é a transparência do orçamento do governo. De fato, é necessário lembrar que a ausência de déficits nos orçamentos dos governos de Angela Merkel se deram porque não houve investimentos nos serviços públicos e em favor do crescimento do mercado interno. Por isso a saúde e a educação continuaram funcionando com a lógica do "Estado social" de 1998, sem, porém, receber do governo as necessárias verbas para sua manutenção e expansão.

 

Um quadro econômico que para o professor Jan-Werner Müller, do Departamento de Estudos Europeus da Universidade estadunidense de Princeton, "É anacrônico! Dificilmente os socialdemocratas o poderão engolir, visto que o estado nega os recursos aos serviços públicos para transferi-los à indústria exportadora, cujos lucros ficam alocados nos bancos privados para efetuar transações de compra-venda de empresas no exterior ou para custear meras operações de especulação".

 

Enriquecimento com a crise do Euro

 

A Alemanha é o único país que se beneficiou com a adoção do sistema monetário europeu do "Euro". Suas instituições financeiras foram as que mais ganharam com a crise do Euro e com o gerenciamento pelo mercado das dividas soberanas dos países da UE. Nos últimos dez anos, os bancos alemães e os franceses passaram a controlar as finanças dos países europeus, tornando-se assim os principais responsáveis pelo enforcamento das economias dos países em crise (Irlanda, Portugal, Grécia, Espanha, Itália, Eslovênia, Croácia, Hungria, Romênia) .

 

Nesse contexto, os governos alemães fizeram de tudo para fortalecer seu sistema financeiro. De fato, poucos sabem que, após a clamorosa bancarrota da Lehmann Brothers, em 2008, foi a vez do banco alemão Hypo-Re falir. Porém, para evitar o escândalo político e segurar o mercado, o ministro das finanças do então governo de Angela Merkel, o "companheiro" Peer Steinbrueck (líder do partido socialdemocrata SPD), providenciou, em apenas 15 dias, o salvamento imediato do banco Hypo-Re, retirando do Tesouro alemão recursos superiores aos que a BCE gastou em 2011 para salvar todo o sistema financeiro de Portugal!

 

Por outro lado, a Alemanha, à diferença dos outros países da UE, que devem seguir as orientações fiscais do BCE e do FMI, introduziu em seu sistema financeiro um sistema de taxação mínima sobre os empréstimos e as demais operações financeiras que, a cada ano, garante ao Tesouro uma poupança de 21 bilhões de euros. Um valor que equivale à contribuição anual da Alemanha para o orçamento da União Europeia.

 

É evidente que os governos da Alemanha e também da França e da Grã Bretanha, aproveitando-se da cumplicidade do BCE, do FMI e do próprio Parlamento Europeu, criaram no âmbito da União Europeia mecanismos que exploram os elementos da crise econômica para fortalecer seus respectivos sistemas financeiros. Assim, quando a crise do Euro explodiu em muitos países da União Europeia, em função das altas taxas de juros que os bancos alemães e franceses adicionaram às dividas soberanas, tornando-as praticamente impagáveis, foi o BCE que interveio para transferir recursos europeus em favor dos bancos dos países endividados que, por sua parte, os repassaram, logo, para os bancos credores, na sua maioria alemã e francesa.

 

Nesse contexto, as manipulações da "grande mídia" - em particular as do Economist - tiveram um papel determinante para impor aos governos dos países devedores o "Modelo Alemão para Todos" (Modell Deutschland über alles), que, na realidade, impõe a "austeridade fiscal" aos demais para garantir o enriquecimento de poucos. É por isso que Angela Merkel, logo após o primeiro dia de negociação com os  socialdemocratas, Peer  Steinbrueck e Sigmar Gabriel, garantiu: "Por qual motivo a Alemanha deve mudar sua política na Europa? Não há necessidade de mudança alguma! As políticas de austeridade servem para alcançar a estabilidade financeira. Depois haverá políticas de  investimento para o crescimento da economia!".

 

O drama disso tudo é que, por mais cinco anos, os trabalhadores europeus deverão suportar as consequências do "Modell Deutschland über alles", graças, sobretudo, ao colaboracionismo dos "companheiros" socialdemocratas da SPD, que preferem o neoliberalismo de Angela Merkel no lugar de um governo de centro-esquerda formado por SPD, Verdes e Die Linke, já majoritário no Parlamento, com 319 deputados.

 

Achille Lollo é jornalista italiano, correspondente do Brasil de Fato na Itália, editor do programa TV “Quadrante Informativo” e colunista do "Correio da Cidadania"

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Última atualização em Terça, 08 de Outubro de 2013
 

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