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Pedro Pomar – 100 anos Imprimir E-mail
Escrito por Wladimir Pomar   
Segunda, 23 de Setembro de 2013
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Se vivo estivesse, Pedro Pomar teria completado 100 anos no dia 23. Entre os que tiveram papel relevante na história dos comunistas brasileiros, ele parece ganhar, com o tempo, crescente relevância. A primeira tentativa de não deixar a memória de sua vida cair no esquecimento ocorreu em 1980, com o lançamento da coletânea Pedro Pomar. Somente bem depois, em 2003, foi lançada a primeira edição, impressa, de Pedro Pomar – Uma Vida em Vermelho. Uma década depois, saiu Pedro Pomar – Ideias e Batalhas, da Fundação Maurício Grabois. E a Fundação Perseu Abramo está publicando a edição digitalizada de Pedro Pomar – Uma Vida em Vermelho.

 

Pomar era não só um comunista revolucionário profissional, cuja sobrevivência dependia do trabalho partidário e dos recursos pecuniários decorrentes, mas igualmente alguém que se dedicava completa e totalmente à perspectiva e à ação de transformar a sociedade e mudar as condições de trabalho e de vida das classes que considerava exploradas e oprimidas pela burguesia e por outras classes dominantes. 

A sua vida familiar e a sua vida pessoal eram irremediavelmente subordinadas àquele profissionalismo especial de vida, de tal modo que não era possível distinguir seu “lado político” de seu “lado humano”. O seu ser político era impregnado de humanismo. Por isso, era tão apegado a autores como Goethe, Shakespeare e Marx, para os quais nada do que é humano era indiferente. E o ser humano de Pomar era um ser político, no qual chocavam-se, harmonizavam-se, dissolviam-se e amalgamavam-se as qualidades e defeitos de sua época, de seu povo e de seu partido.

 

Em muitas ocasiões, ele parecia ser um intelectual orgânico fora de lugar. Numa época em que a autoridade do poder partidário era norma entre a maioria dos dirigentes comunistas, a maior parte deles intelectuais, ele era capaz de procurar convencer, com argumentos compreensíveis, àqueles que divergiam das orientações partidárias. Isso, mesmo no caso de ele próprio também discordar delas. Era de sua natureza. Por isso, nos escritos de Pomar é preciso distinguir aquilo que era a explanação de uma decisão partidária daquilo que ele próprio pensava a respeito.

 

Pomar nunca abandonou a convicção de que revoluções e ações transformadoras dependem da participação de grandes massas. Essa convicção ganhou consistência nos anos 1940, quando ele se tornou o principal dirigente do comitê estadual do PCB, em São Paulo, e se convenceu de que a mobilização de grandes massas só seria possível se o partido estivesse enraizado nas fábricas, bairros, escolas, sindicatos, associações e outras formas de organização da base da sociedade. Em outras palavras, sem estar ligado, através de inúmeros fios, laços e pontes, às massas trabalhadoras, populares e democráticas, conhecendo suas reivindicações, suas demandas e sua força, a ação do partido seria o que ele costumava chamar de blanquista.

 

Isto é, poderia gerar ações heroicas, mas que levariam inevitavelmente ao fracasso e a danos na organização partidária e na consciência das grandes massas. Essa linha de pensamento esteve presente durante a fase de reestruturação partidária dos anos 1940; na fase de ascensão das lutas operárias dos anos 1950; durante o processo de reorganização partidária dos anos 1960; e na preparação e posterior avaliação da luta armada, nos anos 1960-1970. Mesmo nos anos 1960, em que a luta armada era chamada de quinta tarefa mas, na prática, se tornava crescentemente a primeira, deve-se em grande parte a Pomar o fato de a 6ª Conferência Nacional do PCdoB adotar uma tática de aliança com as mais diversas forças políticas anti-ditatoriais, propugnando a convocação de uma Assembleia Nacional Constituinte.

 

O problema consistia em que a linha de pensamento que preconiza a participação inarredável das grandes massas é inatacável do ponto de vista teórico. Mas ela pode ser colocada de lado na atividade prática, criando uma contradição cujos resultados só se tornam visíveis com o desastre. A política de luta armada contra a ditadura militar foi um exemplo trágico dessa dicotomia entre a ausência de construção de bases políticas e a prática das ações militares. A luta armada poderia ter contribuído ainda mais para o fim da ditadura se houvesse construído bases políticas e houvesse adotado a estratégia defensiva de resistência.

 

No entanto, desligadas da realidade política das massas populares, as forças guerrilheiras adotaram uma estratégia ofensiva de combate frontal às forças repressivas, na errônea suposição de que as condições objetivas para a revolução estavam maduras e as massas seguiriam os combatentes.

A crítica cuidadosa de Pomar às diversas formas de guerrilha que não contaram com bases de massa tinha como fio condutor aquela linha de pensamento sobre o papel das massas. Crítica tanto mais cuidadosa quanto aquela avaliação colocava em risco a unidade de seu partido. Sem tal unidade seria difícil reorganizar-se, adotar a tática de fingir-se de morto, para escapar da sanha da repressão, enfrentar as novas políticas de distensão da ditadura, colocar de lado o boicote às eleições, começando a apoiar candidatos do MDB, e retomar o trabalho sindical.

 

Embora Pomar continuasse repetindo que a ditadura não seria derrotada sem a luta armada, na prática procurava preparar o partido para novas condições ainda não totalmente claras no horizonte político brasileiro. 

O massacre de 16 de dezembro de 1976, no bairro da Lapa, em São Paulo, destruiu todo o processo em curso e criou uma situação partidária totalmente nova. Tal situação se mostrou ainda mais complexa quando Pomar, no final da reunião, confidenciou que Jover Teles não deveria ter sido convocado e dera explicações esquivas sobre as condições de segurança no Rio de Janeiro. Pomar considerava que a direção do partido corria o risco de “cair” a qualquer momento, e que seria necessário esclarecer quem autorizara passar à Jover o ponto de encontro.

 

Depois do massacre, alguns dirigentes atribuíram a queda a um possível liberalismo de Pomar diante das regras de clandestinidade. Essa suposição se manteve mesmo após serem informados de evidências que acusavam Jover de haver praticado um ato de traição. Preferiu-se afirmar que o preso acusador havia falado durante os interrogatórios, e não merecia crédito. Isto, apesar de os presos na ocasião terem sido brutalmente torturados, e não terem havido prisões posteriores. Vale dizer, o Exército não conseguiu obter deles informações que permitissem novas capturas.

 

Somente após a anistia, em 1979, com a descoberta de que Jover vivia em Porto Alegre, com nome clandestino, houve mudança na apreciação das causas da queda da reunião de dezembro de 1976. Mesmo assim, jamais foi esclarecida a responsabilidade pela convocação de Jover. Apesar da revelação de Pomar, Sérgio Miranda manteve sua versão de que fora autorizado pela Comissão de Organização a convocar Jover e, ao falecer em 2012, levou consigo a verdade para o túmulo. De qualquer modo, a suposição de Pomar quanto ao risco de “queda” concretizou-se. Resultou no assassinato dele, de Angelo Arroyo e de João Baptista Drummond, e na prisão dos demais membros da reunião, com exceção de Jover e de José Gomes Novaes, este casualmente escapando de ser preso por sair da casa na mesma viagem do traidor, a quem os órgãos de repressão deixaram fugir.

 

Na atualidade, paradoxalmente, continuam em voga hipóteses sobre mudanças do pensamento de Pomar a respeito de questões que permaneceram pendentes, ou foram superadas de modo diferente do que ele pensava. Embora sejam hipóteses impossíveis de verificação, podendo ser utilizadas apenas como construções retóricas, elas tentam justificar políticas contra as quais Pomar se rebelava. Para ajudar as novas gerações a conhecerem a história do desenvolvimento capitalista no Brasil e as dificuldades da luta de classes, seria muito mais coerente fazer a crítica de seu pensamento real, em comparação com a realidade de seu tempo.

 

No final de sua vida, ele teve a coragem de prestar uma sentida e elevada homenagem aos que tombaram na guerrilha do Araguaia. Ao mesmo tempo, não vacilou em apontar que uma guerrilha desligada da ação de grandes massas, e sem base política, estaria fadada à derrota. Tal visão se chocava, então, contra a tentativa de retomar a mesma política de preparação militar desligada da construção de bases políticas de massa.

 

Olhando em retrospectiva, esta política foi varrida pelas mudanças que sacudiram o Brasil. Mas a maior parte do pensamento de Pomar manteve suas condições superiores de adaptação à emergência de uma forte classe trabalhadora industrial e aos demais acontecimentos que levaram à democratização do país e ao fim o regime militar.

 

Portanto, Pomar merece ser homenageado, no centésimo aniversário de seu nascimento, principalmente pelo que foi, fez e deixou escrito para as gerações futuras. Em meio aos cenários de sua época, ele levantou preocupações sobre questões humanas universais, como a necessidade de caráter e de princípios ideológicos, de estudar as ciências e a realidade concreta das sociedades humanas, em especial da sociedade brasileira, e de obter cultura para servir ao povo e à classe trabalhadora, e não para deleite próprio.

 

E sustentou, principalmente, a necessidade de evitar a tendência de erigir pessoas e grupos heroicos como salvadores do povo. Este, tendo à frente a classe trabalhadora, deveria ser encarado como o único capaz de salvar a si próprio e, massivamente, construir uma nova sociedade.

 

Wladimir Pomar é analista político e escritor.

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Última atualização em Qui, 26 de Setembro de 2013
 

A publicação deste texto é livre, desde que citada a fonte e o endereço eletrônico da página do Correio da Cidadania




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