Assessoria

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O PT nasceu, fundamentalmente, da luta contra o peleguismo. Batalhas foram travadas na sua construção. Paralelamente, construiu-se a CUT. Parecia que estavam criados os instrumentos para uma luta anticapitalista. Entretanto, os anos de hegemonia stalinista produziram uma esquerda sem a necessária formação teórica. Diante desses limites, prosperaram no seio do PT graves desvios.

 

Vieram as primeiras vitórias eleitorais em âmbito municipal, destacando-se a eleição de Luiza Erundina, a prefeita de São Paulo. Junto a essas vitórias, deram-se as primeiras denúncias de improbidades, ressaltando-se os casos de Santo André, com o assassinato de Celso Daniel, e episódios turvos em relação à prefeitura de São José dos Campos, assim como a morte de Toinho do PT, em Campinas.

 

O PT se propôs a chegar ao planalto a qualquer custo e, para tanto, redigiu a famosa “Carta ao POVO Brasileiro”, em que deixava clara a sua capitulação. Estabelecendo uma aliança capital/trabalho, Lula/José Alencar, e levantando a bandeira do “modo PT de governar”, logrou a vitória e cumpriu todas as promessas feitas ao grande capital: assegurou lucros para a burguesia e a tranquilidade social, através do engessamento das centrais sindicais e estudantis.

 

PT no governo, veio a público o escândalo do “mensalão”. Alguns dos envolvidos tiveram que se afastar. Mas o intrigante desse episódio é que os grandes líderes, afastados do governo, dedicaram-se à tarefa de assessores. Antonio Pallocci converteu-se em hábil mediador de negócios, acumulando uma fortuna de “vinte milhões de reais”, prestando assessoria a grandes empresas. O sr. Dirceu tornou-se frequentador de requintados restaurantes, por conta dos seus vultosos ganhos como assessor.   Lula da Silva, após deixar a presidência, tem se empenhado em assessorar grandes empreiteiras em seus negócios na América Latina, na África, ou onde quer que seja. Luiz Gushiken, recém falecido, afastou-se do planalto para se dedicar ao trabalho de assessoria, não aos sindicatos, mesmo sendo um sindicalista, mas aos interessados nos negócios dos Fundos de Pensão.

 

A CUT ficou reduzida a um novo peleguismo, e os sindicatos, regra geral, foram transformados em agências burocráticas a serviço da ordem socioeconômica vigente.

 

Por conta de tão eficazes assessorias eles têm merecidos generosos ganhos.

 

Gilvan Rocha é presidente do Centro de Atividades e Estudos Políticos – CAEP. Blog: www.gilvanrocha.blogspot.com

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