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‘Enquanto a Síria se suicida, Israel e EUA desfrutam do espetáculo’ Imprimir E-mail
Escrito por Frank Barat   
Sexta, 20 de Setembro de 2013
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Em entrevista exclusiva para o portal britânico Cessar Fogo (Ceasefire), o renomado intelectual Noam Chomsky falou com Frank Barat sobre a situação atual no Oriente Médio, em particular a crise da Síria, as negociações de paz entre Israel e os palestinos e o papel do poder dos EUA na região. “Se os EUA e Israel quisessem ajudar os rebeldes – não o fazem – poderiam fazê-lo sem intervenção militar”.

 

Leia a entrevista completa:

 

Qual é a definição das negociações entre Israel e Estados Unidos e porque a Autoridade Palestina (AP) continua se prestando a isso?

 

Do ponto de vista dos EUA, as negociações são, com efeito, um caminho para Israel continuar sua política de tomar sistematicamente tudo o que quiser ma Cisjordânia, mantendo o assédio brutal de Gaza, separando Gaza da Cisjordânia e, claro, ocupando os Altos do Golã sírio, tudo com pleno apoio dos EUA. E o marco das negociações, igualmente aos últimos 20 anos de experiência de Oslo, simplesmente proporcionou o encobrimento desta situação.

 

Em sua opinião, por que a Autoridade Palestina continua jogando esse jogo?

 

Provavelmente, em parte, por desespero. Podemos nos perguntar se é a decisão correta, mas ela não tem muitas alternativas.

 

Definitivamente, a AP aceita esse marco apenas pra sobreviver?

 

Se ela se nega a negociar, tal como propõem os Estados Unidos, sua base de apoio se derrubaria. A AP sobrevive essencialmente à base de doações. Israel se assegurou de que não tenha uma economia produtiva. É uma espécie do que em Iídiche se chamaria “Sociedade Schnorrer”: pede emprestado e vive do que puder conseguir.

 

Se a AP tem outra alternativa, não está claro, mas se rejeitar a exigência dos EUA de acudir às negociações em condições totalmente inaceitáveis, sua base de apoio iria se erodir. E não tem apoio – externo – suficiente para que a elite palestina possa viver de maneira bastante decente – por tabela pródiga – em seu estilo de vida, enquanto a sociedade que a rodeia cai aos pedaços.

 

Desse modo, seria negativa a queda e desaparição da AP, depois disso tudo?

 

Depende do que vier a substituí-la. Se fosse permitido a Marwan Barghouti, por exemplo, se unir à sociedade da forma como fez, por exemplo, Nelson Mandela, poderia ter um efeito dinamizador na organização de uma sociedade palestina, que poderia pressionar por demandas mais importantes. Mas lembre-se que eles não têm muitas opções.

 

De fato, se nos remetemos ao princípio dos Acordos de Oslo, há 20 anos, havia negociações em curso, as negociações de Madrid, nas quais a delegação palestina estava encabeçada por Haider Abdel-Shafi, uma figura muito respeitada da esquerda nacionalista palestina. Abdel-Shafi se negava a aceitar os termos dos EUA e Israel, que lhes permitiam fundamentalmente a continuidade da expansão dos assentamentos. Negou-se, e as negociações estancaram sem chegar a lugar algum.

 

Enquanto isso, Arafat e os palestinos do exterior foram paralelamente a Oslo, ganharam o controle e Haider Abdel-Shafi se opôs de forma tão contundente que nem sequer se apresentou à dramática cerimônia sem sentido, onde Clinton sorria enquanto Arafat e Rabin apertavam as mãos. Abdel-Shafi não se apresentou porque se deu conta de que era uma traição absoluta. Mas se baseava em princípios e, portanto, não poderia chegar a nenhuma parte, a menos que conseguisse um importante apoio da União Europeia, dos Estados do Golfo e em última instância dos EUA.

 

O que acha que realmente está em jogo na Síria neste momento e o que significa para a região em geral?

 

A Síria está se suicidando. É uma história de terror e cada vez está pior. Não há uma saída no horizonte. O que provavelmente acontecerá, se continuar assim, é que a Síria será dividida em três regiões: uma região curda – que já está se formando – que poderia se desgarrar e se unir de alguma maneira ao semi-autônomo Curdistão iraquiano, talvez com algum tipo de acordo com a Turquia.

 

O resto do país se dividiria entre uma região dominada pelo regime de Assad – um regime brutal, horrível – e outra seção dominada pelas diversas milícias, que vão desde o extremamente nocivo e violento até o secular e democrático. Se olharmos o que saiu no New York Times, há uma citação de um funcionário israelense que expressa essencialmente sua alegria de ver os árabes massacrando-se uns aos outros.

 

Sim, eu li.

 

Para os Estados Unidos, assim está bom, não querem outro tipo de saída. Se os EUA e Israel quisessem ajudar os rebeldes – não o fazem – poderiam fazê-lo, inclusive, sem intervenção militar. Por exemplo, com Israel mobilizando forças nos Altos do Golã (claro, são as montanhas do Golã da Síria, mas por agora o mundo, mais ou menos, tolera ou aceita a ocupação ilegal de Israel). Se fizessem isso, obrigariam Assad a mover forças até o sul, o que aliviaria a pressão sobre os rebeldes. Mas não há nenhum indício sequer disso. Mesmo assim, não estão dando ajuda humanitária à grande quantidade de refugiados que sofrem, não estão fazendo nenhuma das coisas simples que poderiam fazer.

 

Tudo isso sugere que tanto Israel como os EUA preferem exatamente o que está acontecendo, tal como informava o NYT que mencionamos. Enquanto isso, Israel pode celebrar, em sua condição do que chamam de “cidade na selva”. Houve um interessante artigo do editor do Haaretz, Aluf Benn, que escreveu sobre como os israelenses vão à praia, desfrutam e se congratulam de serem uma “cidade na selva”, enquanto as bestas selvagens de fora se desgarram entre si. E, claro, Israel, sob essa imagem, não está fazendo nada, exceto se defender. Eles gostam dessa imagem e os EUA tampouco parecem muito descontentes com ela. O resto é enrolação.

 

Assim, podemos falar de um ataque dos EUA, você acredita que ocorra?

 

Um bombardeio?

 

Sim.

 

É uma espécie de debate interessante nos Estados Unidos. A ultra-direita, os extremistas da direita, que são uma espécie de espectro internacional, se opõem, ainda que não seja pelas razões que me agradariam. Se opõem porque pensam: “por que se dedicar a resolver os problemas dos outros e perder nossos próprios recursos?” Estão literalmente perguntando: “quem vai nos defender quando nos atacarem, se nós mesmos estamos dedicados a ajudar outros países, no estrangeiro?” Essa é a ultra-direita. Se nos fixamos na direita “moderada”, gente como, por exemplo, David Brooks, do New York Times, considerado um comentarista intelectual de direita, seu ponto de vista é de que o esforço dos EUA em retirar suas forças da região não está tendo um “efeito moderador”. Segundo Brooks, quando as forças estadunidenses estão na região, isso tem um efeito moderador, melhora a situação, como se pode ver no Iraque, por exemplo. Mas se vamos retirar nossas forças, então já não somos capazes de moderar e melhorar a situação.

 

Essa é a visão normal da direita intelectual na corrente principal, os democratas liberais e outros. De modo que há um monte de indagações sobre como “devemos exercer nossa ‘responsabilidade de proteger’”. Bom, basta dar uma olhada nos registros históricos dos EUA sobre a ‘responsabilidade de proteger’. O fato, inclusive, de dizer tais palavras revela algo de, certamente, insólito nos EUA e, de fato, na cultura moral e intelectual do Ocidente.

 

Isso é, à parte do fato em si, uma grave violação do direito internacional. A última linha de Obama é que ele não estabeleceu uma “linha vermelha”, mas que o mundo a estabeleceu, por meio de suas convenções sobre a guerra química. Bom, na verdade o mundo tem um tratado, que Israel não assinou e que os EUA descuidam totalmente – por exemplo, quando apoiaram o uso, realmente horrível, de armas químicas por Saddam Hussein. Hoje, isso é utilizado pra denunciar Saddam Hussein, ignorando o fato de que não só se tolerava, mas, basicamente, havia o apoio do governo de Reagan. E, claro, a convenção não tem mecanismos de aplicação de sanções.

 

Tampouco existe o que se denomina ‘responsabilidade de proteger’, isso é uma fraude promovida na cultural intelectual do Ocidente. Há um conceito, na verdade dois: um aprovado pela Assembleia Geral da ONU, que se refere à ‘responsabilidade de proteger’, mas que não oferece nenhuma autorização a qualquer tipo de intervenção, exceto nas condições da Carta das Nações Unidas. Outra versão, que se aprovou só por parte do Ocidente, os EUA e seus aliados, que é unilateral e diz que tal responsabilidade permite a “intervenção militar das organizações regionais na região de sua autoridade, sem a autorização do Conselho de Segurança”.

 

Pois bem, traduzindo, isso significa que se proporciona a autorização aos EUA e à OTAN de utilizarem a violência aonde quiserem, sem autorização do Conselho de Segurança. Isso é o que se chama ‘responsabilidade de proteger’ no discurso ocidental. Se não fosse tão trágico, seria ridículo.

 

Frank Barat é coordenador do Tribunal Russell sobre a Palestina. Seu livro Gaza in Crisis: Reflections on Israel's War Against the Palestinians, com Noam Chomsky e Ilan Pappe, já está disponível. A edição francesa  do livro, publicada em 2013, conta com uma extensa entrevista com Stephane Hessel.

 

Originalmente publicado no portal Ceasefire

http://ceasefiremagazine.co.uk/

Tradução ao espanhol de Rebelión e ao português de Gabriel Brito, do Correio da Cidadania.

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Última atualização em Terça, 24 de Setembro de 2013
 

A publicação deste texto é livre, desde que citada a fonte e o endereço eletrônico da página do Correio da Cidadania




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