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Ainda sobre os Black Blocs Imprimir E-mail
Escrito por Wladimir Pomar   
Quarta, 11 de Setembro de 2013
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Muita gente não gostou que eu tenha chamado de fascistas os black bocks, black blocs ou black blocks. Talvez tenha certa razão. O mais correto teria sido dizer que eles demonstram tendências fascistas. Para alguns, porém, mesmo isto parece exagerado. Pensam ser suficiente não compactuarmos e não agirmos como eles. Bastaria nos comportarmos de acordo com a nossa própria consciência, assegurando a eles a liberdade de agirem de acordo com a sua própria consciência. Aparentemente, somos todos contra o capitalismo e deveríamos evitar criminalizá-los.

 

No entanto, qual é a experiência histórica do movimento social contra o capitalismo, pelo menos a do século 20? No início desse século, um revolucionário chamado Lenin, que chegava a admitir o terror em algumas circunstâncias, em contraposição ao terror dos pogroms do czarismo contra as minorias étnicas e religiosas e contra os trabalhadores, dizia que semelhante meio de luta, nas circunstâncias de então, não era oportuno, nem adequado. Porque, segundo ele, só servia para afastar os militantes mais ativos de sua verdadeira tarefa, desde o ponto de vista dos interesses de todo o movimento. Isto é, não contribuía para desorganizar as forças do czarismo. Só contribuía para desorganizar as forças revolucionárias.

 

Lenin dizia, ainda, que naquela ocasião grandes massas de operários e da plebe das cidades ardiam de desejo de lançar-se à luta. No entanto, os revolucionários careciam de um estado maior de dirigentes e organizadores. Se os revolucionários se dedicassem ao terror, corriam o risco de debilitar precisamente os únicos destacamentos nos quais se podia cifrar esperanças sérias. Ameaçavam romper os laços de união existentes entre as organizações revolucionárias e as massas dispersas de descontentes que protestavam e queriam lutar, mas que eram débeis precisamente porque estavam dispersas. A manutenção de tais laços de união era a única garantia de êxito.

 

Ou seja, Lenin se rebelava contra os meios de luta de terror, mesmo estando diante de uma situação pré-revolucionária contra o terror do Estado czarista. Vinte anos depois, Lenin foi mortalmente ferido por um agrupamento terrorista de “socialistas revolucionários” que, de revolucionários, haviam se transformado em contrarrevolucionários. No final dessa mesma década, “socialistas” italianos criaram o movimento fascista, cujo principal meio de luta era o “fasci di combattimento” (fascismo de combate). Realizado por seus “camisas negras” (black shirts? black blocs? black bocks? black blocks?), o “fasci di combattimento” redirecionou seus ataques. Ao invés de ir contra símbolos do capitalismo, dedicou-se a destruir jornais, sindicatos e comícios da esquerda italiana.

 

Na Alemanha ocorreu algo ainda idêntico. Em 1919, era ativo nesse país um pequeno grupo político chamado Partido dos Trabalhadores Alemães, que dizia combater as mazelas que o capitalismo causava ao povo. Suas ações eram semelhantes às dos black blocs brasileiros atuais. No final dos anos 1920, já tendo Hitler em seu comando, esse partido adotou o nome de Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães (Nazi). E organizou os “camisas marrons”, brown shirts, brown blocs, brown bocks, ou brown blocks. Isto é, as famosas seções de assalto (SA). Estas, ao invés de quebrarem instalações do capitalismo, voltaram sua ira contra as manifestações populares e os sindicatos, jornais e sedes de grupos marxistas, socialistas, comunistas e judeus. No Brasil tivemos a versão “camisas verdes”, green shirts, green blocs, green bocks, ou green blocks, cujas ações pouco se diferenciavam das ações dos black blocs atuais.

 

Todos sabemos (pelo menos seria desejável) qual o resultado da ascensão do fascismo e do nazismo. No entanto, nem todos se dão conta de que seu caldo de cultura é o mesmo. Isto é, jovens descontentes com a situação em que o capitalismo os jogou e que supunham possível mudá-la ao descarregar sua raiva e seu ódio contra os chamados símbolos capitalistas. Nesse meio se encontravam, agrupados ou não, indivíduos de diferentes origens sociais, de orientação política tanto de esquerda, quanto de direita, além policiais infiltrados e lumpens, cuja tendência natural, pela condição em que viviam, era predominantemente destrutiva.

 

Ao não acharem organizações políticas fortes, que canalizassem seu descontentamento para ações direcionadas a transformar a sociedade num sentido verdadeiramente socialista, acabaram seduzidas por falsos socialistas. Deixaram de descarregar suas energias contra os símbolos do capitalismo e, como a história mostrou, transformaram-se no inverso do que diziam ser. Na prática, afastaram militantes sociais da tarefa de organizar as forças populares, desagregaram as forças sociais e políticas populares e democráticas, voltaram sua energia contra elas, e engrossaram as fileiras mais reacionárias. Tornaram-se fascis e nazis.

 

Não podemos desdenhar essas lições da história, embora haja quem acredite que os black blocs brasileiros estariam na linha de frente das manifestações, apenas fazendo um escudo humano para impedir que seus participantes fossem feridos pela repressão policial. Somente depois da repressão policial os black blocs teriam redirecionado seu ataque contra o patrimônio capitalista. Essa versão não corresponde, porém, à prática das manifestações. Nas de junho, em geral os black blocs utilizaram a tática de se misturar às massas em movimento e, quando a polícia atacava, eles se retiravam e se dirigiam em grupo a outros locais para realizar as depredações, nem sempre contra símbolos do capitalismo.

 

Só a partir de agosto eles passaram a utilizar a tática de ir à frente das manifestações, supostamente como escudo de defesa. No entanto, logo que a polícia ataca, se retiram rapidamente. E, enquanto os manifestantes sofrem a ação policial, os black blocs realizam seu quebra-quebra. Em todas as manifestações, desde junho, a polícia nunca esteve onde os black blocs quebravam, só chegando depois para que não se pudesse afirmar que ela só atirava e batia nos manifestantes pacíficos.

 

Nessas condições, é um engano supor que estamos apenas diante de uma estratégia de ação direta que, originalmente, visaria proteger os manifestantes da truculência policial. Além de atrair a polícia contra os manifestantes, a ação dos black blocs tem sido altamente eficaz em afugentar e desagregar as massas que pretendem protestar. Basta verificar como as manifestações mais recentes estão se restringindo cada vez mais à militância de movimentos sociais, perdendo seu caráter massivo. Na prática, os black blocs afastam da luta as grandes massas e levam vários setores delas a concordar com a ação policial contra as manifestações.

 

Isso já seria suficiente não apenas para discordar deles, mas também para travar uma luta política firme em relação a eles. Primeiro, no sentido de eles se convencerem de que nossa solidariedade deve ser para as massas em manifestação, que são o principal alvo da sanha policial. Os escudos de defesa, quando são organizados, não provocam as forças repressivas. E se estas se jogam contra as manifestações, ao invés de abandonarem os manifestantes e realizar quebra-quebras, os escudos devem realmente defender os manifestantes e fazer com que somente a polícia pague o ônus da violência ante a opinião pública.

 

Depois, é preciso convencê-los de que a pretensa destruição dos símbolos do capitalismo não leva a nada. Divide e amedronta as camadas populares, assanha os setores reacionários e lhes dá argumentos para atacar a democracia. Nossa luta não objetiva destruir o patrimônio capitalista, mas sim transformá-lo em propriedade social a serviço da maioria do povo. Portanto, devemos dizer claramente aos black blocs que eles não estão lutando realmente em defesa das manifestações e pelo bem-comum, e que só poderemos nos unir a eles, na luta contra o capitalismo, se eles se incorporem aos movimentos de resistência popular com métodos que não desagreguem tais movimentos, mas os unifiquem. Métodos que são contrários aos utilizados por eles.

 

No momento, no Brasil, não vivemos uma situação pré-revolucionária que justifique qualquer tipo de luta como a dos black blocs. Há grandes massas de operários urbanos, da plebe das cidades e dos campos, e das camadas médias, que começaram a despertar nas manifestações de junho, mas não sabem ainda como se lançar à luta organizada para conquistar suas reivindicações mais sentidas, como transportes decentes, atendimento de saúde, saneamento, educação etc. Carecem de um estado maior que as oriente em meio à situação inusitada de ter um governo de coalizão, com grande participação da esquerda, mas com um Estado totalmente dominado pela burguesia conservadora, com um setor reacionário sedento de qualquer pretexto para golpear as frágeis conquistas democráticas acumuladas nos últimos 30 anos.

 

Se a esquerda não for firme no enfrentamento político com os black blocs, e não conseguir atrair a maior parte deles, certamente estará deixando chocar o ovo da serpente da direita reacionária fascista. Esta procura enfraquecer os movimentos populares e busca motivos para acabar com o que consideram uma farra democrática. Nessas condições, os black blocs podem não se considerar fascistas, mas tendem a se transformar neles se não forem politicamente mudados. De simples expressão do desejo de luta de camadas oprimidas e excluídas, como pensam alguns, poderão se transformar rapidamente em tropas de choque do reacionarismo caboclo. Diante disso, a passividade da esquerda não se justifica.

 

Leia Também: Black Blocks e PMs

 

Wladimir Pomar é escritor e analista político.

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Última atualização em Qui, 12 de Setembro de 2013
 

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