Aqui e lá

0
0
0
s2sdefault

 

 

Aqui, em Fortaleza, a Câmara Municipal, tangida pelo mais imoral corporativismo, resolveu arquivar um pedido de cassação, por improbidade, do vereador conhecido como Leonelzinho. Enquanto isso, lá em Brasília, movida pela mesma indecorosa motivação, a Câmara de Deputados negou-se a cassar o mandato de um de seus membros, Natan Donadon, do PMDB do estado de Roraima, hoje cumprindo pena por crimes de peculato e formação de quadrilha.

 

Esses episódios servem para evidenciar o fato de que não há condições de moralizar o capitalismo. A corrupção lhe é inerente, e o discurso ético, que bem pode servir para ganhar votos, tem se mostrado ineficaz e fraudulento. Como exemplos de condutas moralistas enganosas, temos os casos dos senhores Jânio Quadros e Fernando Collor. Jânio logrou se eleger presidente da República, ostentando uma vassoura. Dizia ele que, se eleito, varreria todas as sujeiras existentes no governo. Fernando Collor se apresentou como o “caçador de marajás”, e prometia, caso eleito presidente, encher o estádio do Maracanã com todos os corruptos do país.

 

Jânio da Silva Quadros foi eleito e, sete meses após sua posse, renunciou. O que foi descoberto, posteriormente, é que ele, um simples professor, tinha conseguido acumular uma grande soma nos bancos londrinos. Quanto ao Fernando Collor, foi alvo de um impeachment, em decorrência das assustadoras ladroeiras que eram praticadas em seu governo. Cabe-nos, então, perguntar: por que o discurso moralista tende a ser tão bem visto pela população?

 

Existe, no meio do povo, o convencimento de que as nossas mazelas sociais decorrem do fato de termos as verbas destinadas aos serviços públicos desviadas pela corrupção. Esse discurso leva a crer que todos os nossos males decorrem, tão somente, das roubalheiras. É bem verdade que a prática desabrida de atos ilícitos, nas administrações públicas, é um elemento agravante para os problemas sofridos pelo povo. Mas a verdadeira causa das chagas sociais deve-se a esse sistema socioeconômico, chamado capitalismo, que se rege pela busca do lucro, a qualquer custo, para uma pequena minoria.

 

Brademos, sim, contra a corrupção e a incompetência, mas não nos esqueçamos de bradar, mais ainda, contra o capitalismo, pois, enquanto subsistir esse sistema, teremos que amargar a desfaçatez dos ricos e as injustiças do dia a dia.

 

Gilvan Rocha é presidente do Centro de Atividades e Estudos Políticos – CAEP.

Blog: www.gilvanrocha.blogspot.com

Para ajudar o Correio da Cidadania e a construção da mídia independente, você pode contribuir clicando abaixo.

Relacionados