topleft
topright
ISSN 1983-697X

Boletim Diário

Email:
Para assinar o boletim de
notícias preencha o
formulário abaixo:
Nome:

Brasil nas Ruas

Confira os artigos sobre manifestações e movimentos sociais no Brasil.

Arquivo - Artigos

Áudios

Correio da Cidadania, rádio Central 3 e Revista Vaidapé fazem “debate autônomo” sobre as eleições  

Leia mais...
Image

Plinio de Arruda

MEMÓRIA

Confira os textos em homenagem a Plinio


Leia Mais

Plinio em Imagens



Confira a vida de Plínio


Charge


Imagem




Artigos por data

 Nov   December 2016   Jan
SMTWTFS
   1  2  3
  4  5  6  7  8  910
11121314151617
18192021222324
25262728293031
Julianna Willis Technology

Links RSS

Correio da Cidadania Correio da Cidadania Correio da Cidadania Correio da Cidadania Correio da Cidadania

Áudios - Arquivo

AumentarDiminuirVoltar ao original
Leis antiterror e antijurídicas Imprimir E-mail
Escrito por Frei Betto   
Quarta, 28 de Agosto de 2013
Recomendar

 

 

Sem base legal, a polícia britânica deteve, no aeroporto de Heathrow, Inglaterra, o brasileiro David Miranda, no domingo, 18 de agosto.

 

Miranda fazia o voo Berlim-Rio, com escala em Londres. Seu crime: ser companheiro do jornalista estadunidense Glenn Greenwald. O crime de Greenwald: divulgar documentos confidenciais do governo dos EUA em poder de Edward Snowden, ora exilado na Rússia. O crime de Snowden: tornar público que os serviços de segurança dos EUA espionam milhões de pessoas, instituições e governos em qualquer ponto do planeta.

 

Em todo esse encadeamento, crime mesmo só há um: a espionagem do governo dos EUA, violando leis, fronteiras, acordos diplomáticos, privacidades e ética. O governo brasileiro não gostou ao saber disso, mas em agosto o secretário de Estado dos EUA, John Kerry, esteve em Brasília e, na cara do ministro Patriota e da presidente Dilma, declarou que não faria autocrítica e nem seu país mudaria de atitude.

 

As nações metropolitanas resolveram mandar às favas escrúpulos e Direito. Durante a Guerra Fria, com o mundo bipolarizado entre EUA e União Soviética, o pretexto para o Ocidente burlar a legislação, promover golpes de Estado, torturar e assassinar, era a ameaça comunista. Em nome do anticomunismo, Constituições foram rasgadas e a democracia tripudiada, como se passou no Brasil em 1964, com o golpe militar, e em outros países do continente: Chile, Argentina, Uruguai, Bolívia, Peru, El Salvador e Guatemala.

 

Agora, em nome do combate ao terrorismo, tudo se justifica aos olhos e à consciência da Casa Branca e de seus teleguiados, como o Reino Unido: sequestro de muçulmanos pela CIA, em vários países, e a tortura e prisão deles na base naval de Guantánamo, em Cuba, ocupada pela Marinha dos EUA; voos de drones (aeronaves militares sem tripulantes), para assassinar civis, confundidos com terroristas, no Afeganistão; aprovação explícita de tortura pelo então presidente Bush; os sete tiros dados por policiais ingleses na cabeça do brasileiro Jean Charles de Menezes, no metrô de Londres, por desconfiarem de que ele era terrorista; a perseguição a Julian Assange, ora abrigado na embaixada do Equador em Londres, por divulgar no Wikileaks documentos secretos; a interceptação da aeronave presidencial de Evo Morales, ao voar de Moscou a La Paz, obrigada a pousar em Viena, sob suspeita de levar Sowden a bordo etc. Os exemplos são múltiplos.

 

As leis antiterroristas são, de fato, medidas draconianas que jogam o Direito na lata de lixo. Não só o Direito, mas também a lógica. Quando do bombardeio da Líbia, em 2011, a oposição estadunidense se queixou de que Obama não havia solicitado autorização do Congresso para realizar operações militares naquele país. O presidente respondeu com esta pérola de cinismo: não era necessário pedir autorização, já que as operações dependiam de máquinas, e não de humanos...

 

Hoje em dia, as leis nacionais e internacionais já não dão conta de abordar aspectos legais e éticos do uso da informática, dos robôs e dos drones no suposto combate ao terrorismo. As tecnologias avançam a passo de coelho; a legislação, a passo de tartaruga.

 

Se em teste bélico um robô mata acidentalmente um funcionário da fábrica, quem responde perante a Justiça? O inventor, o dono da fábrica, o montador?

 

Ilude-se quem pensa que a cultura de dominação colonial é coisa do passado. Os EUA e seus aliados na Europa Ocidental estão pouco se lixando para os protestos de nossos governos subalternos. Em nome de sua segurança e de seus interesses, continuarão a bombardear civis, torturar supostos terroristas, invadir nações, espionar cidadãos e governos, deter ao bel-prazer e atirar à menor suspeita.

 

É a lógica do capital que predomina, e seu direito de não respeitar nenhum Direito. O terrorismo é o grande pretexto para nos infundir a perversa ideologia de que devemos trocar liberdade por segurança e acreditar que capitalismo e democracia são sinônimos. Exatamente como pensavam e agiam os cowboys do Velho Oeste interessados no dinheiro das diligências do Wells Fargo Bank.

 

Frei Betto é escritor, autor de “Hotel Brasil – o mistério das cabeças degoladas” (Rocco), entre outros livros.

Página e Twitter do autor: http://www.freibetto.org/ -twitter:@freibetto.


Copyright 2013 – FREI BETTO – Não é permitida a reprodução deste artigo em qualquer  meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização do autor. Se desejar, faça uma assinatura de todos os artigos do escritor. Contato – MHPAL – Agência Literária (mhpal(@)terra.com.br">mhpal(@)terra.com.br)

Recomendar
Última atualização em Sexta, 30 de Agosto de 2013
 

A publicação deste texto é livre, desde que citada a fonte e o endereço eletrônico da página do Correio da Cidadania




Para ajudar o Correio da Cidadania e a construção da mídia independente, você pode contribuir clicando abaixo.


Vídeos

Índios Munduruku: Tecendo a Resistência

Imagem

Documentário sobre as resistências indígenas às hidrelétricas do Tapajós
Leia mais...

A Ordem na Mídia

Eugênio Bucci: “precisamos de um marco regulatório democrático na comunicação”


Há uma falência nos modelos de negócios refletida nas relações trabalhistas, na concentração de propriedade, formação de monopólios e oligopólios e no aparelhamento por parte de igrejas e partidos. Entrevistamos Eugênio Bucci, jornalista e professor da ECA-USP, que afirmou a necessidade de um marco regulatório democrático para fortalecer a democracia no Brasil.
Leia mais...


Brasil_de_fato
Adital
Image
Image
Banner_observatorio
Image
Image
Image
Image
Image
Image
Image
Image

Diario Liberdade

Espaço Cult

Image
Image
Revista Forum
Joomla Templates by JoomlaShack Joomla Templates