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Contra o sufoco e pela Tarifa Zero, o MPL voltou às ruas Imprimir E-mail
Escrito por Raphael Sanz, da Redação   
Qui, 22 de Agosto de 2013
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Quase dois meses depois de protagonizar grandes mobilizações populares, o MPL voltou às ruas no último dia 14, uma quarta-feira de frio e chuva fina, em ato reivindicando a sonhada tarifa zero e o fim do sufoco no transporte público, ou seja, o fim dos ônibus e vagões entupidos de gente e completamente precarizados. Depois do dia 20 de junho, quando comemorou a redução da tarifa em São Paulo para R$3,00, o MPL se retirou das ruas oficialmente – e declarou que voltaria para suas bases – após presenciar na Avenida Paulista algumas cenas de intolerância, protagonizadas por setores dos manifestantes que cometeram agressões físicas e verbais contra militantes de partidos políticos de esquerda. Aqueles indivíduos, instigados pela linha ditada por uma mídia que no início de tudo só queria polícia, ainda roubaram e queimaram bandeiras de movimentos sociais históricos, como a do movimento negro.

 

A fim de combater uma possível onda conservadora que tomava as ruas naquele momento, o MPL decidiu que não chamaria mais nenhuma manifestação durante tempo indeterminado, sugerindo que os grupos à direita do espectro político organizassem os seus próprios atos, caso quisessem ir para as ruas. O MPL sempre deixou claro ser de esquerda e desvinculado de qualquer partido. Também fez questão de frisar que não nutre qualquer tipo de fobia contra os mesmos e que os gritos de “oportunistas,” vindos da direita, deveriam estar endereçados à própria direita, por ter se metido no embalo da mobilização do MPL e irem às ruas para impor suas pautas, que pouco contribuem com a democratização do transporte público. Consequentemente, acabaram por sabotar a luta pela tarifa zero, ainda que indiretamente.

 

Pautados, como dito, pela grande imprensa e amparados por bandeiras tão genéricas que não causam grande polêmica – como ser contra a corrupção e a violência –, estes setores conservadores tentaram manobrar e partidarizar o movimento de junho, aproveitando um sentimento antipetista, muito presente principalmente no imaginário da classe média. Não era por acaso que naquele 20 de junho desfilaram na Avenida Paulista diversos cartazes satirizando o dedo mutilado do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o programa Bolsa Família, do governo federal. A manobra claramente descaracterizava as reivindicações já históricas da população e empobrecia o debate proposto pela dita “voz das ruas”, que fora mobilizada pelo MPL.

 

Enquanto se falava sobre a corrupção do PT, era ignorado o principal fator que levou essas milhares de pessoas às ruas de São Paulo a fim de apoiarem o MPL: o sistema de transporte, que não funciona para transportar pessoas, mas para encher as contas bancárias dos empresários que dirigem as empresas concessionárias. Ou seja, a mercantilização de uma necessidade humana, a de se locomover, e o lucro criminoso de um cartel de empresários sobre um direito garantido pela Constituição. E aí entra outra questão contraditória no discurso da própria direita: para haver corrupção, são necessários os corruptores. Mas em nenhum programa da imprensa corporativa foi visto esse debate: “quem são os corruptores?”

 

Quem seriam, em uma economia pautada pelo neoliberalismo selvagem, senão os grandes empresários que vampirizam dinheiro público em beneficio próprio? Não são eles que investem em campanhas eleitorais?

 

Vale ressaltar que o caos no sistema de transporte ilustra o caos generalizado ao qual o povo brasileiro é submetido em tantas outras instâncias. Não foi à toa que a redução das tarifas do transporte impulsionou muitas outras reivindicações, tão importantes quanto aquela.

 

O MPL saiu de cena e, com ele, essa direita também ficou de fora do jogo político, depois de algumas tentativas frustradas de se organizar, como o ato em prol de uma intervenção militar contra o governo Dilma, que não contou nem com 40 pessoas na mesma Avenida Paulista. Além disso, o escândalo tucano do “propinoduto” (o cartel nas licitações do metrô paulista), exposto pela Siemens, ajudou a sepultar de vez os esforços reacionários.

 

E em meio a esse cenário, outros grupos ligados à nova esquerda e aos movimentos da periferia da cidade ganharam força a partir do dia 11 de julho, quando houve a greve geral das centrais sindicais e o ato do Movimento Ocupe a Mídia, que atingiu a transmissão ao vivo do SPTV, da Globo. Este foi o momento da ascensão dos black blocs e de pautas como a desmilitarização da PM, a democratização dos meios de comunicações e o apoio à luta dos povos indígenas. Questões sindicais também ganharam força. E o movimento “Fora Alckmin” foi uma resposta natural àquela guinada conservadora.

 

O ato

 

Por volta das 15h do dia 14 de agosto, o MPL e o Sindicato dos Metroviários, sob gestão da CONLUTAS, se concentravam no Vale do Anhangabaú para o ato que exigia o “fim do sufoco” no transporte público paulistano. Ainda se pediam explicações sobre o caso do “propinoduto” e era feita a reivindicação da tarifa zero. Essa aliança entre o MPL e o sindicato também é emblemática, pois mostra o caráter social e político do próprio MPL e de que lado do espectro político ele se encontra. O ato saiu às 16h, marchando pelo centro de São Paulo e contando com aproximadamente cinco mil pessoas.

 

Próximo da praça do Patriarca, ao lado da prefeitura, houve um pouco de tensão. A PM fechou algumas vias por onde o ato iria passar e encurralou um enorme grupo de manifestantes. Mas o imbróglio ficou por isso mesmo, pois logo as vias foram liberadas. O ato que percorreu a região central da capital paulista foi encerrado na praça da Sé com um jogral e a tradicional queima das catracas. “A catraca é um artefato medieval de controle, já deveria estar extinta há séculos”, afirmou Rafael, 27 anos, professor de história e manifestante simpático ao MPL.

 

O ato em si não teve maiores incidentes, mas, após seu término, um grupo se dirigiu à Câmara dos Vereadores de São Paulo e tentou uma ocupação. Alguns manifestantes entraram e assistiram ao final de uma sessão, enquanto um grupo maior ficou do lado de fora. Provocados pela PM, alguns manifestantes revidaram com xingamentos e pedras, até que o comandante da ROCAM mandou três de seus homens para o meio destes manifestantes, em clara tentativa de provocação e intimidação, presenciada pela reportagem do Correio da Cidadania. Por sua vez, os manifestantes tentaram expulsá-los dali e esse foi o pretexto para a repressão.

 

Uma chuva de bombas de efeito moral e gás de pimenta inundou o mar de pessoas que estava nas ruas, atingindo não só os manifestantes, mas também a imprensa. Durante a dispersão do protesto, três manifestantes foram detidos sob acusação de danos ao patrimônio público. Dois deles foram liberados no mesmo dia após assinarem um termo circunstanciado e o outro acabou liberado dois dias depois, sob pagamento de fiança.

 

O MPL deixou claro que a mobilização que convocara junto aos Metroviários foi encerrada na praça da Sé e que os incidentes na frente da Câmara dos Vereadores não fazem parte de sua agenda.

 

MPL voltou às ruas

 

Leia também:

‘Ficar na rua, desmilitarizar a PM e Tarifa Zero são os três pontos fundamentais’

 

Raphael Sanz, autor também das fotos, é jornalista.

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