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Massacre no Egito: o retorno da hegemonia saudita Imprimir E-mail
Escrito por Ramez Philippe Maalouf   
Segunda, 19 de Agosto de 2013
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Se havia qualquer dúvida de que a derrubada de Mohammed Mursi da presidência do Egito, em 3 de julho de 2013, foi um golpe de Estado, ela foi dissipada neste último dia 14 de agosto, com o massacre de mais de 600 pessoas (estimativas conservadoras) pelas forças de segurança egípcias. A atrocidade demonstra claramente que o Conselho Supremo das Forças Armadas (CSFA) é o dono absoluto do poder. Tamanha carnificina só foi possível pelo fato de a Irmandade Muçulmana (IM), de quem Mursi é filiado, se encontrar isolada de grande parte da sociedade egípcia. O curto mandato presidencial de Mursi foi marcado pela manutenção do status quo interno, ao prosseguir com as políticas econômicas neoliberais impopulares e, externamente, ao dar continuidade ao Tratado de Paz com Israel. Ambos contribuíram para o desgaste do mandato do “irmão muçulmano”, que se intensificou com a tentativa de controlar o poder dos militares. Estes, por meio da capitalização da mobilização popular em oposição ao governo, derrubaram o então presidente Mursi. O que desagradou, e muito, os EUA.

 

O golpe militar de julho de 2013 recebeu amplo apoio popular, desde as comunidades cristãs coptas até os extremistas salafistas (patrocinados pelos sauditas), e desde sindicatos de trabalhadores e partidos de esquerda até liberais (de quem Mohmmed El Baradei é o expoente máximo) e políticos e empresários ligados ao antigo governo de Mubarak, derrubado em janeiro de 2011.

 

Apesar dos fatores endógenos da crise político-econômico-social no Egito, não há como ignorar as permanentes pressões geopolíticas sobre o país. As eleições de 2012, com métodos “pouco ortodoxos”, tanto para o poder legislativo quanto para o executivo, explicitaram a fratura do campo pró-Ocidental no Oriente Médio: de um lado, o eixo pró-Saudita, formado pela Autoridade Nacional Palestina (ANP), demais petromonarquias do Golfo Árabe-Pérsico (excetuando o emirado do Catar), salafistas, Jordânia e Marrocos; do outro lado, o emirado do Catar, a Turquia (sob o governo de Recep Erdogan), Israel (sob o governo do Likud), o Hamas, as inúmeras seções da Irmandade Muçulmana no mundo árabe, além dos EUA (sob o governo de Obama).

 

O eixo pró-saudita pretende monopolizar o comando da coalizão anti-iraniana (leia-se anti-China) e tem obtido inúmeras vitórias: apoiou a derrubada do emir catari Hamad bin-Khalifa al-Thani, em junho último, assiste com satisfação à revolta popular contra o governo pró-“islâmico” na Turquia, assim como apoiou a derrubada de Mursi e a instalação da ditadura militar de facto no Egito.

 

Meses antes do golpe de julho, o líder liberal El Baradei se encontrou no reino saudita com o último primeiro-ministro egípcio do governo Mubarak, Ahmed Chafik. Apesar de não se ter conhecimento exato do teor das conversas, acredita-se que a visita tenha tido como propósito um acordo para o retorno dos “mubarakistas” ao poder num eventual governo pós-Mursi. Certamente, o massacre representa a consolidação desta hegemonia saudita, uma vez que o governo de Barak Obama está enfurecido tanto com o golpe quanto com a repressão ao seu aliado “islâmico”.

 

Desta forma, o Catar paga caro pelo sucesso inicial de sua geoestratégia de apoio a qualquer grupo “islâmico” anti-Irã, como foi nos casos da Líbia e especialmente da Síria, onde, desde o início da guerra “civil”, em 2011, o emirado patrocinou o braço armado da seção síria da IM. Este apoio provocou o afastamento das lideranças do Hamas (a Resistência Islâmica Palestina filiada à IM) em Damasco do eixo pró-Irã, também chamado de “eixo da resistência”. Porém, isto não impediu o ataque israelense à Faixa de Gaza, no final de 2012, que só não foi mais intenso em decorrência da intervenção de Mursi junto aos EUA, pedindo o fim da agressão. Na Síria, milicianos da IM se aproximaram cada vez mais de grupos extremistas ligados à al-Qaeda, como a Frente al-Nusra, irritando ainda mais os sauditas e causando apreensão nos EUA. A iniciativa catari na Síria fracassou e o governo sírio em pouco tempo retomou a ofensiva, reconquistando as cidades e as rotas mais estratégicas do país.

 

Por fim, os cataris permitiram a abertura de um escritório do grupo armado e político Talibã, que governou o Afeganistão entre 1996 e 2001 e foi responsabilizado pelos EUA de dar abrigo à rede terrorista al-Qaeda, durante os atentados de 11 de setembro de 2001. Acreditar que a abertura de um escritório dos talibãs no emirado ocorreu sem a autorização dos EUA é no mínimo imprudente, afinal a maior base militar ianque no mundo árabe se encontra justamente no emirado. Por este mesmo motivo, é pouco provável que a derrubada do emir Hamad al-Thani pelo seu próprio filho, em junho último, tenha acontecido sem o consentimento ao menos tácito de Washington, além, é claro, da própria Arábia Saudita.

 

A ferocidade da repressão militar egípcia contra os simpatizantes da IM, que afinal ganhou as primeiras eleições presidenciais do Egito, representa a determinação saudita em não permitir mais vozes dissidentes na coalizão dos países árabes pró-Ocidentais. À repressão no Egito, se soma a brutal intervenção militar saudita no emirado do Bahrein, em 2011, e o apoio ao novo governo do Iêmen, eleito de forma “pouco ortodoxa” também em 2011. Fora da península, o “contra-ataque” saudita se faz sentir no aumento no número de ataques contra civis promovidos por afiliados da al-Qaeda no Iraque e o recente atentado num subúrbio de Beirute (capital do Líbano), habitado majoritariamente por xiitas, provocando a morte de dezenas de pessoas. O atentado foi claramente dirigido ao Hizbollah, grupo político e armado xiita e líder da vitoriosa resistência popular árabe contra a invasão israelense do Líbano, em 2006. A milícia xiita tem atuado militarmente ao lado das tropas governamentais sírias no combate a militantes “islâmicos” oriundos de diversas partes do mundo, patrocinados pelo Catar, que se dirigiram à Síria para derrubar o governo e implantar um “emirado islâmico” no país.

 

Os EUA, apesar de terem apoiado a “diplomacia” catari, não têm como controlar a ira dos sauditas, que haviam perdido um caro aliado com a queda de Mubarak. Barak Obama já ameaçou cortar a ajuda de US$ 1,5 bilhão enviada anualmente ao Egito para a manutenção do Tratado de Paz com Israel. Para acalmar seus patrocinadores, o chefe do CSFA, ditador de facto do país, general Abdel Fatah al-Sissi, fez várias declarações de que o governo interino (sic) respeitaria o Tratado de Paz com Israel. Desta forma, ficou acertado que a ditadura de Mubarak, derrubada em 2011, continua agora sem a física presença do velho general. E que a hegemonia saudita sobre o eixo pró-Ocidente continua prevalecendo no mundo árabe. Estes são os alicerces geopolíticos regionais sobre os quais se fundamentam a supremacia dos EUA e de Israel sobre a região. Até quando? A resposta está com o povo egípcio.

 

Ramez Philippe Maalouf é historiador e doutorando em Geografia Humana pela USP.

 

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Última atualização em Qui, 22 de Agosto de 2013
 

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