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Palestina: negociações natimortas Imprimir E-mail
Escrito por Luiz Eça   
Sábado, 17 de Agosto de 2013
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Cinquenta e cinco por cento da população total de Israel é contra um acordo na Palestina, baseado nas fronteiras de 1967, mesmo com troca de terras mantendo os assentamentos.

 

É o que foi provado por recente pesquisa do “Instituto da Democracia Israelense (IDI)”. Liberal, por sinal.

 

Mas há mais : considerando apenas os habitantes judeus, 67% não admitem sequer a volta simbólica de uns poucos refugiados árabes, muito menos o pagamento de qualquer compensação financeira aos demais.

 

Esses resultados praticamente antecipam o resultado do referendo em Israel, a que deverá ser submetido o acordo final para a solução da questão palestina.

 

Tudo indica que será negativo, pois os pontos rejeitados representam o máximo que Netanyhau poderá conceder, conforme declarações anteriores.

 

Na verdade, dificilmente esse referendo acontecerá: as negociações têm tudo para não irem longe.

 

Os interesses em jogo parecem inconciliáveis. Os palestinos, representados por Mahmoud Abbas, presidente da Autoridade Palestina (administração de parte da Cisjordânia), estão divididos.

 

O Hamas, que governa Gaza, e parte dos grupos que apoiam Abbas são contra as negociações.

 

Protestam contra seu início sem que Telaviv congele a expansão dos assentamentos, e a previsão de trocas de terras com assentamentos por áreas no território de Israel.

 

Em sua visita a Israel e à Cisjordânia, Obama tinha solicitado a Abbas que parasse de exigir a interrupção da construção de assentamentos como pré-condição das negociações de paz.

 

Apesar de vir reafirmando essa exigência ano após ano, Abbas subitamente acabou cedendo à pressão. Não fala mais em pré-condição alguma.

 

Quanto ao segundo ponto, não dá para acreditar que Netanyhau ofereceria aos árabes terras em Israel, com habitantes judeus, em troca das áreas de assentamentos na Cisjordânia… Porções de deserto é a melhor aposta.

 

Mesmo pressionado, tanto internamente, quanto por seus rivais do Hamas, Abbas decidiu arriscar tudo por negociações de resultado prá lá de duvidoso.

 

Ele sabe que, sem elas, será o fim da solução dos “2 Estados independentes”. As duas opções que sobram – luta armada ou resistência civil – parecem extremamente duras e arriscadas.

 

A primeira é irrealista, dada o imenso poderio bélico do exército israelense. Mesmo a mais moderada – a resistência civil – vai provocar as iras do governo israelense.

 

Mexer com a fera pode ser muito perigoso. Israel não vai assistir de braços cruzados os problemas criados por essa opção: a recusa total dos palestinos em colaborar com Israel; a campanha de boicote internacional; o processamento do governo de Telaviv no Tribunal Criminal Internacional por violação dos direitos humanos e das leis internacionais.

 

Abbas teria de renunciar a seu cargo e fechar a Autoridade Palestina. Será chamado a liderar seu povo no inevitável e duro conflito com o governo de Netanyahu.

 

Isso não bate com sua auto- imagem de estadista conciliador, de maneiras francesas, bem visto nos EUA e na Europa.

 

Para salvar o sonho de uma Palestina bem aceita por Israel e abençoada pelo Ocidente, o líder palestino estará disposto a fazer concessões.

 

Mas, tem limites – há pontos que palestinos de todas as tendências rejeitam.

 

Netanyahu já disse que tipo de Palestina aceita: um Estado baseado, não exatamente nos limites de 1967, mas na linha do muro construído na fronteira, envolvendo todos os grandes assentamentos; troca de terras (assentamentos por deserto); controle do Vale do rio Jordão, pelo exército israelense, deixando os palestinos praticamente sem recursos de água, bem como do espaço aéreo e das fronteiras; Estado palestino desmilitarizado; Jerusalém total para Israel; volta de um pequeno número de refugiados e compensação financeira para os demais, através de um fundo internacional.

 

Mesmo o fraco Abbas dificilmente concordaria com todas essas condições.

 

Para Netanyahu, tanto faz.

 

Ele se vê obrigado a aceitar a ideia de uma Palestina independente no interesse da preservação do Estado judeu. Continuar empurrando o problema com a barriga não dá mais.

 

A Europa já perdeu a paciência – a prova é a recente proibição de seus países realizarem quaisquer transações ou mesmo contactos em todas as áreas com entidades dos assentamentos.

 

Mesmo os EUA sofrem pressões dos seus aliados árabes e da própria comunidade internacional, que consideram a permanência da ocupação inaceitável.

 

Dois altos ex-comandantes militares no Oriente Médio – os generais Allen e Petraeus - já declararam que a falta de solução do problema palestino prejudica os interesses americanos, pois antagoniza árabes com os EUA.

 

A simples anexação da Cisjordânia por Israel daria fim à ideia do “estado judeu”, pois os árabes, sendo maioria no território de toda a Palestina, acabariam dominando o país.

 

Negar-lhes direitos políticos para evitar esse indesejável desenlace seria instituir o “apartheid”, que tornaria Israel um país pária, rejeitado globalmente.

 

Nem os EUA teriam força para impedir algo como o ostracismo mundial do regime bôer, da União Sul- Africana.

 

Agora, se os palestinos não aceitarem as condições israelenses, tudo bem para Netanyhau.

 

Ele denunciaria a “intransigência desses árabes radicais”, interessados em ver o circo pegar fogo.

 

E generosamente poderia conceder independência a uma Palestina mutilada e reduzida, sem os territórios dos assentamentos, sem água, sem forças armadas, sem controle do espaço aéreo e das fronteiras – em suma, sem as condições mínimas para uma nação ser soberana e viável.

 

A curto prazo, o importante é chegar a setembro, na reunião da ONU, com as negociações em andamento, para que os palestinos não possam novamente pedir seu reconhecimento como membro integral da organização.

 

Os EUA também estão de olho nisso. Não querem ficar novamente na posição incômoda de ter de vetar uma decisão que quase o mundo inteiro, e até a maioria dos países europeus, favorecem.

 

Eles já começaram a agir. Sua nomeação de Martin Indyk como enviado especial para supervisionar as negociações é uma prova de que não estão brincando.

 

Ex- embaixador dos EUA em Israel, Indyk foi vice-diretor do maior lobby judaico-americano, a AIPAC; co-fundador do “Instituto Washington Para a Política do Oriente Próximo”, ligado à AIPAC ; e durante anos membro do grupo que definiu a política pró-Israel dos EUA.

 

Você duvida da parcialidade dele? Nessa mesa, as cartas dos palestinos não são das melhores.

 

Eles podem cancelar as negociações, com base na recente concessão por Bibi de subvenções para 91 assentamentos, até mesmo em áreas prometidas para o futuro Estado palestino.

 

Argumenta o movimento progressista judaico Peace Now : “Isto é não apenas ilegal sob a lei internacional, mas também questiona se o governo está realmente pronto para negociar de boa fé”.

 

A outra saída seria convencer a opinião pública mundial de que os israelenses é que estariam recusando um acordo capaz de garantir a independência da Palestina e a segurança de Israel.

 

Não são muitas as chances de um lance desses ser bem sucedido – afinal, os palestinos teriam de vencer as diplomacias combinadas dos EUA e de Israel.

 

Mas se for para usar essa carta, eles terão de se apressar. Setembro vem aí, com a reunião da ONU.

 

Lá as negociações precisarão estar superadas para que os palestinos coloquem um jogo realmente forte sobre a mesa: o pedido para ingresso na ONU.

 

Desta vez, com muito a favor.

 

Luiz Eça é jornalista

Website: Olhar o Mundo.

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