“Imprensa golpista”

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O PT e o PCdoB denunciam a “imprensa golpista”, isso porque a imprensa, sob o controle do capital, tem feito denúncias de corrupção e má conduta de militantes dos partidos citados. Além do mensalão, a “imprensa golpista” denunciou o caso de Santo André; o do Toninho do PT, em Campinas; a “máfia das ambulâncias”; as trapalhadas dos “aloprados”; as irregularidades no Ministério dos Esportes; as improbidades no BNB... Agora, essa “imprensa golpista” vem denunciar as maracutaias nas licitações para construção e manutenção de metrôs e trens no estado de São Paulo, governado pelos tucanos.

 

Parece-nos que, se não fosse essa imprensa, não nos daríamos conta dos criminosos desmatamentos da Amazônia; do sucateamento da rede pública de saúde; da precariedade na educação; do crescimento devastador das drogas; e de tantas mazelas e crimes perpetrados por esse sistema exaurido, que recebe o nome de capitalismo.

 

Na verdade, é inquestionável que a chamada grande imprensa posta-se, em última instância, como instrumento político e ideológico de sustentação da ordem capitalista. Entretanto, não podemos desconhecer que a liberdade de imprensa, o livre debate que ela possa permitir, é uma conquista da humanidade, como são conquistas o voto universal e secreto, o direito de ir e vir, o direito das minorias e tantas outras trazidas no bojo da Revolução burguesa, particularmente as acontecidas nos EUA e na França de 1789.

 

É bom ressaltar, em resposta aos hipócritas ou desavisados, que essa imprensa burguesa acolheu e pagou artigos subscritos por Karl Marx, como foi o caso do jornal The New York Times.

 

Fala-se contra a imprensa burguesa, muito justo, mas onde anda a imprensa proletária? Seriam as mídias dos sindicatos e das centrais de trabalhadores e de estudantes portadores dessa imprensa proletária? Ou seriam alguns jornais de partidos e movimentos de matriz stalinista que desconhecem o direito das minorias divergentes, ou melhor, desconhecem o próprio direito de divergir?

 

Sejamos responsáveis, não procuremos opor à imprensa burguesa tida como golpista mecanismos de controle que assegurem a prática de uma abominável censura. Procuremos, sim, construir uma imprensa proletária que seja, fundamentalmente, democrática. Deve ser essa a nossa bandeira, o nosso propósito.

 

Gilvan Rocha é presidente do Centro de Atividades e Estudos Políticos – CAEP.

Blog: www.gilvanrocha.blogspot.com

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