Empreendedor modelo

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Um dos programas levados a cabo pelo governo, em prol da sociedade capitalista, é o empreendedorismo. Sob o argumento de que os empreendedores produzem emprego e renda, existe uma gama de incentivos para eles. Nessa campanha sucedem-se os depoimentos dos micro-empresários.

 

Aqui, é um simples trabalhador da construção civil, que aparece dizendo ter tido uma “boa ideia” e a partir dela ter enveredado por uma iniciativa de empreendimento; hoje, ele e a sua família têm um padrão de vida que não teriam na condição de simples empregado.

 

Ali, temos o depoimento de uma ex-empregada doméstica, que enveredou pelo caminho do empreendimento. Quando ela aprendeu a arte de fazer bolos e confeitos, partiu, com micro-recursos, para montar o seu próprio negócio e hoje é uma empresária bem sucedida.

 

Esse tipo de campanha, além de promover a existência de uma camada social com maior poder de consumo, produz também a ideia de que no capitalismo todos estão aptos a atingir patamares superiores. Escondem, esses senhores, que o sucesso de alguns é de natureza lotérica. Expliquemos - quando alguém consegue ser premiado no jogo lotérico, as atenções se voltam para o ganhador, deixando-se de ver os milhões de perdedores que permitiram o “milagre” do enriquecimento de alguém. Todo esse comportamento da burguesia tem por propósito disseminar lendas e fantasias que lhes ofereçam a oportunidade de se manter usufruindo privilégios.

 

Feitas essas observações, em que o empreendedor é o grande herói, falemos do caso do senhor Eike Batista, tido como modelo de sucesso no capitalismo. Eike era exemplo de um capitalismo “progressista”. Era expressão da fase lulista desse sistema socioeconômico no Brasil. Como modelo, mereceu os favores do BNDES para suas aventuras empresariais, e em troca de alguns favores mereceu também, do governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, todos os mimos.

 

Pois bem, as aventuras do senhor Eike redundaram em fracasso e, pelo que tudo indica, é o Tesouro Nacional que haverá de pagar a conta, pois o BNDES arcará com prejuízos diante dessa grande fraude que foi o “empreendedor” Eike Batista.

 

 

Gilvan Rocha é presidente do Centro de Atividades e Estudos Políticos – CAEP.

Blog: www.gilvanrocha.blogspot.com

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