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Francisco na “Cidade Maravilhosa”: seu populismo conservador permitirá o milagre de reverter a crise da Igreja? Imprimir E-mail
Escrito por Roberto Ramírez, de Buenos Aires para o Correio da Cidadania   
Quarta, 31 de Julho de 2013
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A viagem do papa evoca uma grande variedade de temas polêmicos, desde o mais geral, como a atitude dos socialistas revolucionários em relação à religião, até a reorientação da Igreja romana, corporificada no atual pontífice, para enfrentar uma das crises mais graves de sua história. Aqui, nos limitaremos a alguns aspectos políticos. Mesmo assim, alguns dados sobre o passado de Francisco I, na Argentina, serão úteis para completar o quadro geral.

 

O transbordante operativo midiático da Rede Globo no Brasil, e de suas similares na Argentina e na América Latina, evoca o milagre multiplicador dos pães e dos peixes. Converteu em dois ou três milhões as centenas de milhares de pessoas realmente presentes nas ruas e praias do Rio de Janeiro, com diversos graus de participação, desde a mera curiosidade até um verdadeiro envolvimento com o personagem e suas prédicas.

 

Colocar isto nas suas devidas dimensões não significa subestimar a operação ideológica e política que representa. Ao contrário: é um dever combatê-la sem meias palavras.

 

A crise da Igreja

 

Podemos dizer que existem quatro vetores da crise da Igreja católica que resultou na renúncia de Ratzinger, ainda que esta última vinha de longe. Em primeiro lugar, uma crescente secularização da sociedade, enquanto o Vaticano continua encerrado na sua antiga bolha. A descoberta da pedofilia como hábito tolerado de boa parte do clero deve também ser levada em conta, assim como a crise financeira, que se expressa nos escândalos do banco do Vaticano, o IOR, Istituto per le Opere di Religione. Finalmente, no “mercado da salvação”, a Igreja perde competência, sobretudo na América Latina.

 

Na Europa, mas também na América Latina, a secularização tem sido um fator decisivo na crise maciça das novas gerações em relação à Igreja, pelas normas morais retrógradas que quer impor, especialmente no campo da sexualidade. Sobretudo para a juventude, são cada vez mais incompreensíveis e inaceitáveis a condenação do preservativo, quando existe o perigo da AIDS; o anátema lançado sobre os contraceptivos, enquanto, ao mesmo tempo, não se reconhece o direito ao aborto; a reprovação das relações sexuais antes do casamento; a recusa da plena igualdade da mulher com o homem em todas as ordens; o rechaço do divórcio etc.

 

Os jovens e as jovens, mesmo quando criados em ambientes católicos, desenvolvem cada vez mais contradições com a Igreja. As suas normas oficiais já têm pouco a ver com a vida real, onde os noivos fazem amor antes de se casar; os casais usam anticoncepcionais e onde os mais sensatos preferem usar preservativos, mesmo que seja pecado, para não correr o risco de se infectar com HIV. Esta brecha se abre cada vez mais, com outros temas tabus para o Vaticano: do direito à interrupção voluntária da gravidez aos direitos LGBT. O “matrimônio igualitário” ou “matrimônio para todos” começa a espraiar-se na Europa e na América. O direito ao aborto também tem se imposto no Uruguai e está sendo debatido na Argentina e em outros países da América Latina.

 

Mas a secularização, apesar de ter conhecido avanços, como o matrimônio igualitário ou as lutas por direito ao aborto, continua sendo um processo “evolutivo”. Ao contrário, a descoberta mundial da pedofilia na Igreja constituiu um salto qualitativo na sua crise. Prova disto foi sua desmoralização na Irlanda, que era exemplo de país católico em uma Europa cada vez mais secular. O que desmoralizou milhões de fiéis não foi apenas descobrir os “pequenos pecados” de seus “padres”. Foi ver como as autoridades eclesiásticas, dos papas para baixo – a começar por João Paulo II e o próprio Ratzinger –, haviam sistematicamente ocultado esses crimes e protegido seus autores.

 

Não menos desmoralizante foi o espetáculo do IOR, o banco da Igreja. Este “Istituto per le Opere di Religione” opera descaradamente como uma organização para a lavagem de dinheiro da máfia italiana, do narcotráfico e dos grandes sonegadores em geral. Último, mas não menos importante, é o fato de a Igreja estar não apenas perdendo terreno, em geral, por causa da secularização, mas também porque, na América Latina – e mais especificamente no Brasil –, ela tem retrocedido diante de competidores tão reacionários quanto ela: as seitas evangélicas e pentecostais.

 

O surgimento e crescimento destas “novas” religiões não podem explicar-se sem levar em conta o que ocorreu com a Igreja e a sociedade nas últimas décadas. O Vaticano varreu com a “Teologia da Libertação” e outras experiências do catolicismo “progressista” dos anos 1960-70. Não apenas “ideologicamente”. Da Argentina à América Central, colaborou até mesmo materialmente com a repressão a estes setores “heréticos”... Ou pelo menos manteve-se calada sobre ela. E pagou o preço por este pecado. A Igreja de Roma não conseguiu recuperar a situação de quase-monopólio que tinha na América Latina até meados do século 20. Por diversos motivos, que seriam demasiadamente longos desenvolver, este espaço foi capitalizado por seus concorrentes no “mercado da salvação”, a multidão de seitas no estilo da Igreja Universal do Reino de Deus ou daquelas diretamente importadas dos Estados Unidos.

 

O remédio político: um populismo conservador

 

Com Ratzinger esta crise quádrupla chegou ao ápice. A eleição do “papa argentino” busca iniciar a reversão de tal processo. Entretanto, sem implicar, categoricamente, nenhuma “volta progressista” da Igreja... Nem o remake de uma “Teologia da Libertação” do século XXI. Não temos que ter ilusões neste sentido!

 

Bergoglio foi e continua sendo um super-conservador que tenta expressar-se com um certo "tom popular", como forma de recuperar legitimidade para uma instituição que está por terra. A "fumaça branca" foi uma cortina de fumo de uma "mudança" que não muda nada em profundidade.

 

Em primeiro lugar, com Bergoglio, a Igreja continua obstinada em não reconhecer direitos e fenômenos sociais tão amplos quanto o divórcio, a liberdade de escolher novos parceiros ou parceiras, as relações entre pessoas do mesmo sexo. Ela continua rejeitando a educação sexual, os anticoncepcionais, o uso do preservativo, que constitui o único meio de prevenir o HIV, o direito das mulheres de decidir sobre seu próprio corpo e muitos outros temas similares.

 

O Vaticano continua opondo-se a estas e outras práticas e direitos sociais progressivos. Posiciona-se totalmente contra a igualdade e os direitos da mulher. Continua entrincheirado na mais ferrenha defesa reacionária do patriarcado e da família machista tradicional, formas de opressão funcionais à produção capitalista.

 

Em segundo lugar, seus gestos de “humildade” e “pobreza”; de não ocupar o trono nas audiências; de usar sapatos comuns, no lugar das ridículas sandálias vermelhas; de desfilar num jipe ou num modesto carro Fiat, em vez do papa-móvel; de viajar espetacularmente em ônibus e não em limusines; de descer do veículo para beijar crianças e apertar mãos são apenas truques de político em busca de votos, que não contradizem o fato de seu programa ser ultrarreacionário.

 

Para não deixar dúvidas, suas palavras ratificam este caráter ultraconservador de seu programa. Sua constante referência aos “pobres” e “mais frágeis” não implica incitar estes últimos a levantarem-se para lutar, mas, ao contrário, a garantir que sigam ajoelhados, para receberem esmolas.

 

E nisso, os cardeais foram astutos ao designar um papa do continente sul-americano: Bergoglio repete em nível eclesiástico o clássico repertório teatral do político latino-americano populista de direita.

 

Insistimos: estamos diante de um “clássico” da política latino-americana, vestido de batina. As lágrimas derramadas pelos pobres são apenas uma cara da moeda. A outra é combater qualquer luta destinada a mudar a partir das bases as relações de dominação e de propriedade.

 

Nesse sentido, a viagem de Francisco foi um “milagre” oportuno para tentar impor a confusão e a desmobilização nos protestos de junho no Brasil. Seu apelo central aos jovens busca disputar o setor que, no Brasil e no mundo, tem tido um papel de vanguarda nos protestos.

 

No entanto, seu populismo conservador não propõe medidas de fundo para satisfazer as demandas que originaram estas rebeliões populares.

 

De Bergoglio a Francisco: uma trajetória consequente

 

O papa Francisco continua percorrendo a mesma senda que o cura Bergoglio. Sua eleição a chefe da Igreja católica difundiu igualmente, em nível global, sua trajetória durante a ditadura militar argentina (1976-1982). Bergoglio, então provincial dos jesuítas, levou adiante a política oficial da Igreja de apoio à ditadura, o que, aliás, era consistente com as posições políticas que ele sempre tivera.

 

Antes disso, Bergoglio havia militado na organização de extrema-direita peronista Guarda de Ferro. Não fora um acaso que esta corrente tomasse o nome de uma célebre organização fascista romena, fundada por Corneliu Codreanu, nos anos 1920, inicialmente com o nome de Legião de Santo Miguel Arcanjo.

 

Na Argentina, no início dos anos 1960, os seguidores argentinos de Corneliu Codreanu fundaram, dentro do movimento peronista, uma “Guarda de Ferro” crioula, uma das organizações de extrema-direita que enfrentariam violentamente as correntes de esquerda dentro e fora do peronismo e, claro, o ativismo operário e estudantil, em geral.

 

Mas a parte mais conhecida (e midiatizada) da biografia de Bergoglio foi sua atuação nos anos da ditadura, marcada por suas denúncias e pelos escândalos que, mais tarde, vieram à luz. O principal destes fatos foi a entrega dos sacerdotes jesuítas Orlando Yorio e Francisco Jalics à repressão da Marinha, cujo comandante, o sanguinário almirante Massera, mantinha excelentes relações com o “provincial” da ordem, o futuro papa Francisco.

 

Naqueles dias terríveis, Bergoglio jamais expressou a menor crítica oficial da Igreja à ditadura. Ao contrário, em 15 de novembro de 1976, os bispos argentinos declararam solenemente seu apoio à ditadura: “Acompanhamos o atual processo de reorganização do país, empreendido pelas Forças Armadas, o acompanhamos com compreensão, com adesão e aceitação”.

 

 

Roberto Ramírez é editor de Socialismo ou Barbárie, revista internacional na web.

Tradução de Florence Carboni.

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Última atualização em Quarta, 07 de Agosto de 2013
 

A publicação deste texto é livre, desde que citada a fonte e o endereço eletrônico da página do Correio da Cidadania




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