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A morte de Darlan clama por justiça Imprimir E-mail
Escrito por Frei Marcos Sassatelli   
Sexta, 26 de Julho de 2013
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Acompanhem a peregrinação e a morte no SUS de Darlan Teixeira Santos, 30 anos, servente de pedreiro. É uma verdadeira tragédia! É uma história de arrepiar!

 

No dia 3 deste mês de julho, Darlan foi vítima de acidente de moto no Setor Madre Germana. Encaminhado ao Hospital de Urgência de Goiânia (HUGO), é constatado traumatismo craniano clínico, que não precisaria de cirurgia.

 

No dia 8, Darlan é transferido do HUGO para o Hospital S. Domingos, onde é acompanhado por dois neurologistas.

 

No dia 11, recebe alta e volta para casa, em Goiânia, reclamando de dores de cabeça.

 

No dia 13, procura o CAIS da Chácara do Governador e de lá é encaminhado ao HUGO. Depois é transferido para o Hospital Cidade Jardim e, no dia 15, recebe alta, voltando para casa.

 

No dia 17, volta a sentir dores de cabeça e, mais uma vez, vai ao CAIS da Chácara do Governador, onde precisou de reanimação. É novamente levado para o HUGO e volta para o CAIS.

 

No dia 18, de madrugada, Darlan morre, após sofrer oito paradas cardíacas (cf. O Popular, 19/07/13, p. 4).

 

Reparem! Não dá para acreditar! Em sua maratona por atendimento, Darlan percorreu 10 Unidades de Saúde. Quanto descaso! Quanta judiação! Quanta irresponsabilidade! Como escrevi em outro artigo, é realmente “um SUS que mata os pobres”!

 

Pergunto: se Darlan fosse filho do governador, do prefeito ou de algum outro político, será que estaria morto? Certamente não. A morte de Darlan é um crime do poder público que clama por justiça. Quem vai responder judicialmente por ele?

 

Diante da gravidade do acontecido, faço um apelo para que algum advogado de Goiânia – sensibilizado pelo caso de Darlan – se disponha, voluntária e gratuitamente, a processar a Secretaria Municipal de Saúde (SMS).

 

Provavelmente, se isso acontecer, ninguém será condenado. Infelizmente, as nossas leis não estão do lado dos pobres, mas dos poderosos.

 

Em todo caso, processar a SMS servirá para manifestar publicamente a indignação e o protesto da sociedade organizada, e, quem sabe, para conseguir, ao menos, uma indenização para a família de Darlan.

 

A morte dele – como afirma a irmã Gersilene – foi provocada per negligência das Unidades de Saúde, por falta de assistência adequada e vaga na UTI. Não adianta os responsáveis pela SMS e pelas Unidades de Saúde inventarem desculpas. Ninguém é bobo.

 

O caso de Darlan, que nos abalou a todos e a todas, tornou-se emblemático, mas existem muitos outros casos parecidos com esse. Apesar das manifestações do povo na rua, a situação da Saúde Pública continua uma calamidade. Em Goiânia, estes últimos dias foram uma sucessão de graves problemas no atendimento à população. Que desrespeito! Até quando, meu Deus!

 

Sem nunca perder a esperança de que uma outra sociedade é possível, lutemos para que o poder público – municipal, estadual e federal – tome consciência de que a saúde, por ser um direito fundamental de toda pessoa humana, deve ser tratada como prioridade absoluta. A vida em primeiro lugar!

 

 

Leia também:

Saúde pública: onde está a “excelência nos serviços”?

Crimes da Saúde Pública

Consultas médicas “por ordem de chegada”: um desrespeito aos pacientes

Um SUS que mata os pobres

 

 

Fr. Marcos Sassatelli, frade dominicano, doutor em Filosofia (USP) e em Teologia Moral (Assunção - SP), é professor aposentado de Filosofia da UFG.

 

E-mail: mpsassatelli(0)uol.com.br

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