Carta ao Papa

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Querido pai espiritual

 

 

Os jornais noticiam que a visita do Papa à Jornada Mundial da Juventude custará uma enormidade de dinheiro aos cofres públicos. Uns falam em 115 milhões de reais, outros em 250 milhões e outros ainda em 300 milhões.

 

Evidentemente, a visita do Papa e a Jornada Mundial da Juventude demandam gastos do poder público, pois todo evento que reúne um número muito grande de pessoas requer policiamento e policiamento custa dinheiro, independentemente de sua finalidade.

 

Contudo, por mais que seja caro, o custo do policiamento da visita do Papa não pode, em hipótese alguma, demandar quantia tão elevada. O poder público está na obrigação de detalhar esses gastos, a fim de que a população possa ver em que o dinheiro do povo está sendo aplicado.

 

Pensamos, portanto, que seria de toda conveniência que a Igreja viesse a público ressaltar que quantias assim exorbitantes contrastam frontalmente com a posição do Papa Francisco, que tem se empenhado em mostrar-se simples e solidário com o povo pobre.

 

É necessário também levar em conta que está em marcha, em todo território nacional, um vigoroso movimento de protesto contra o mal emprego do dinheiro público. Dele participam pessoas de todas as idades, mas a liderança está nas mãos dos jovens.

 

Seria contraproducente e até desastroso divorciar a juventude católica, reunida no Rio, dos jovens que militam pela aplicação correta dos dinheiro público.

 

De acordo com a agenda, o Papa, no dia 25 pela manhã, comparecerá a uma cerimônia oficial com o prefeito do Rio. Ora, o prefeito do Rio é um dos governantes mais criticados pelo Movimento pelo Passe Livre. É, portanto, do melhor alvitre que o Papa, nesse mesmo dia, reúna-se com líderes do MPL. É preciso que fique evidente que ele apoia os anseios da mocidade empenhada na justiça social.

 

Na certeza da compreensão de Sua Santidade, pedimos humildemente a sua benção.

 

Plínio Arruda Sampaio foi deputado federal em 1963/1964 e 1985/1986, além de membro da Assembleia Nacional Constituinte entre os anos de 1987 e 1991. É diretor do Correio da Cidadania.

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