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Sobre o “mensalão”, o lulismo e a ingratidão das elites Imprimir E-mail
Escrito por Justino de Sousa Junior   
Sexta, 19 de Julho de 2013
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As análises sobre o modo como o STF tem julgado o chamado "mensalão" têm provocado reações que vão da indignação contra a corrupção à indignação ao modo como se faz (ou se deixa de fazer) justiça no Brasil. Além disso, tem estabelecido certa confusão nos setores progressistas que, muitas vezes, não sabem a quem defender ou atacar: ao mesmo tempo em que criticam a corrupção, suspeitam que o julgamento pode estar ocultando outros interesses.

 

Há uma campanha implacável e falsamente moralista dos grandes partidos burgueses (que não são da base do governo, é bom que se diga) e da grande mídia buscando a todo custo atacar a esquerda governista, certamente com objetivos políticos de retomar a hegemonia da política nacional.

 

Para quem sabe do caráter classista e reacionário do poder judiciário brasileiro e da grande mídia nacional, manifesto claramente sempre que os interesses dominantes precisaram ser defendidos, o rigor do STF no caso do julgamento atual não surpreende.

 

A posição crítica, de esquerda, deve ser de combate ao oportunismo e à hipocrisia do poder judiciário, da grande mídia e das elites brasileiras em geral, setores acostumados a condutas eticamente questionáveis ou até mesmo a protagonizar escândalos como o da participação da Rede Globo de televisão na tentativa de fraude nas eleições estaduais do Rio de Janeiro em 1982. Por sua vez, as grandes corporações econômicas têm papel ativo financiando políticos de “ficha suja” ou comprando resultados diretamente do legislativo, executivo ou judiciário. O próprio STF não costumava ser tão rigoroso quanto parece pretender ser agora, por exemplo, quando do escândalo da compra de votos para reeleição de FHC ou das privatizações realizadas naquele governo ou mesmo no caso do "mensalão" tucano de Minas Gerais, que foi uma espécie de ensaio do "mensalão" lulista. Por fim, o combate ao modo como as elites nacionais estão tratando a questão não pode ser de pequena monta.

 

Todavia, a questão que mais nos preocupa, justamente porque envolve a própria perspectiva do projeto de superação do capital, é o engodo que está se criando entre os setores de esquerda visando a proteger figuras cujas práticas políticas e éticas têm sido questionadas no meio dos movimentos populares há tempos e cujo projeto político não tem mais nenhuma inspiração anticapitalista. As forças governistas de esquerda têm tentado aproveitar os ataques hipócritas de parte das elites nacionais, conhecidamente reacionárias, para sustentar a posição de vítimas de uma cruel e injusta perseguição promovida por uma elite reacionária que não aceita a ideia do “povo no poder”.

 

Porém, não é bem assim que toca o dobrado. Em primeiro lugar, a corrupção como procedimento corriqueiro da administração capitalista está presente também no modo petista de governar desde há muito. Em segundo lugar, os problemas verificados no governo Lula desde o esquema do “mensalão”, passando pelos episódios do jogo do bicho, dos recursos públicos para as ONGs, do Ministério dos Esportes, dirigido pelos comunistas do PC do B, ou o mais recente episódio do “Cachoeira”, dentre tantos outros, demonstram o quanto a esquerda incorporou a prática corrente. Não será com acusações – ainda que justas - contra o judiciário ou alguns órgãos de comunicação que apagaremos o fato de que a esquerda (que tem governado) não se distingue mais nem mesmo pelos métodos.

 

Problema maior que saber se o STF tem sido injusto ou rigoroso como os “mensalistas” é verificar os velhos problemas de corrupção num governo que é, de certa forma, a culminância de um processo histórico que remonta às primeiras experiências de luta do movimento operário brasileiro. Nosso problema maior é que as atuais práticas políticas da esquerda governista são vistas como a verdadeira expressão do que efetivamente pode vir a ser um governo dos trabalhadores e desfazer isso exigirá um esforço hercúleo.

 

Acrescente-se a esses argumentos o fato de que essas elites acusadas de serem perseguidoras do governo “democrático-popular” são as mesmas que foram convidadas a tomar lugar na mesa desde os primeiros instantes do governo Lula, ocupando postos importantíssimos que deveriam ter sido ocupados pelos verdadeiros representantes das lutas populares. Aliás, esse acasalamento não começa nos primeiros instantes do governo Lula, mas um tanto antes, quando se constituíram as alianças para vencer eleições a qualquer custo.

 

A esquerda governista deveria ter tido mais escrúpulo (tinha obrigação de ter pelo menos um pouco mais do que o senhor Ricúpero) na hora de escolher seus parceiros; antes de se aliar a Roberto Jeferson, Sarney, Calheiros, Barbalho etc. etc. etc., terminando com Maluf; antes de proteger o ministro Meireles, acusado de crime contra o sistema financeiro; antes, sobretudo, de reproduzir o modus operandi da política burguesa. A esquerda governista perdeu definitivamente o selo da probidade ao se aliar a figuras absolutamente questionáveis do cenário político brasileiro, ao silenciar quanto à história de seus partidos, seus métodos e práticas políticas, ao defendê-los e protegê-los de críticas e/ou investigações.

 

Depois de tão rica experiência – só de governo federal já se vão 10 anos – de um pernicioso conluio, aprendendo e fazendo com os mais experientes “mestres da política nacional”, fica difícil tentar posar de vítima e buscar o apoio da sociedade brasileira.

 

A esquerda governista pode até reclamar do julgamento do “mensalão”, porque, tecnicamente, não haveria provas objetivas para determinadas condenações e porque o STF fora demasiadamente rigoroso (ou até injusto), como não fora noutras ocasiões, em função de defender interesses conservadores. Mas não é só o STF que defende interesses conservadores, aliás, o STF não nos surpreende ao defendê-los. Interesses conservadores têm sido defendidos por ex-operários e comunistas (uns que ainda assim se reclamam) e aqui é quando o estranhamento faz mais sentido. Foi justamente a favor dos interesses mais altos e reacionários que trabalhou e trabalha com todo o esmero a esquerda governista.

 

Talvez seja uma simplificação na medida em que não alcança ou apaga determinados gestos (sempre muito sutis) a favor dos setores populares que eventualmente existiram ao longo do governo “dos trabalhadores”, mas é, contudo e seguramente, uma simplificação razoável afirmar que, em última instância, a esquerda governista fez de tudo para se manter à testa do Estado. Construiu toda sorte de alianças, as mais deploráveis, através dos modos mais autoritários, inclusive atropelando decisões de base (vide o modo como o PT impôs no Maranhão a aliança com a família Sarney, apenas como um exemplo); adotou uma política de ajuste fiscal tão severa quanto qualquer (outro) governo neoliberal; procurou contrabalançar tudo isso com uma política para a pobreza, de caráter compensatório, ao sabor da cartilha do Banco Mundial, com migalhas do orçamento que sobrassem do grande esforço de atender à sanha dos banqueiros e demais setores dominantes.

 

O discurso da vitimização faz algum sentido, mas ele mente ao tentar opor a perspectiva governista do lulismo às elites brasileiras, como se estivesse o projeto de governo lulista numa direção oposta aos grandes interesses dominantes. Na verdade, a grande briga é entre os postulantes à “cadeira”, sobretudo PT e PSDB, para ver quem irá assinar os papéis cujo texto já está a ferro escrito.

 

É até possível que haja entre determinados setores das classes dominantes preferência pela representação do PSDB ou outro partido mais confiável do ponto de vista da origem de classe, e ainda algum receio e desconfiança com o PT. Todavia, é preciso reconhecer, uma vez mais, que esse último prestou inestimável papel ao processo de dominação de classes, preenchendo a lacuna deixada quando do esgotamento do período de FHC no Planalto, especialmente porque se propôs a defender o projeto do agronegócio, da FEBRABAN e da FIESP, vestido de macacão e fazendo crer que estava mudando o Brasil.

 

Por isso, parece-nos necessário demarcar que, se de um lado denunciamos os problemas verificados no julgamento do “mensalão”, isto é, a existência de um rigor contra os malfeitos petistas que não se verifica noutras situações, não menos severo que aquela denúncia deve ser nosso julgamento político interno, entre nós mesmos que ainda apostamos na superação do capitalismo. Entre nós, a crítica a toda a podridão que virou a prática política da esquerda governista deve ser implacável. Independentemente das elites e de seus tribunais, aquela prática política deve ser denunciada, repudiada e combatida como coisa estranha à tradição das lutas dos trabalhadores, não só pelos métodos tão degenerados quanto os arraigados métodos dos políticos burgueses, como pelo conteúdo de total subserviência e adulação às classes dominantes.

 

Justino de Sousa Junior é professor da Universidade Federal do Ceará - UFC

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Última atualização em Terça, 23 de Julho de 2013
 

A publicação deste texto é livre, desde que citada a fonte e o endereço eletrônico da página do Correio da Cidadania




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