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‘Mesmo burocrática e governista, greve geral é positiva’ Imprimir E-mail
Escrito por Gabriel Brito e Valéria Nader, da Redação   
Sexta, 12 de Julho de 2013
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Depois de anos de sono profundo em termos de mobilizações de ruas, por razões que já dispensam comentários, as centrais sindicais voltaram a convocar um dia nacional de lutas unificadas. Espalhados por todo o país, passeatas, piquetes, bloqueios e reivindicações de classe reuniram até mais de 100 mil pessoas, mas ainda sem a força de outros tempos.

 

O Correio da Cidadania continua a tratar do novo momento de lutas sociais que vive o Brasil, com a entrevista ao ex-presidente do Sindicato dos Sapateiros de Franca e hoje advogado Jorge Luis Martins, o Jorginho, ex-CUT e hoje na Intersindical. “Na verdade, as centrais saíram às ruas quase que por instinto de sobrevivência”, disse, em suas avaliações despidas de qualquer euforia.

 

De acordo com Jorginho, antes de se buscar uma reunificação classista entre todas as centrais, talvez impraticável após anos de adesismo da maioria delas, é urgente uma reflexão que leve a toda uma remodelação da atuação sindical. “Eu acredito que o nosso papel no momento é justamente o de fazer o debate da concepção de sindicato. Horizontalizar a organização, horizontalizar as pautas”.

 

Em sua avaliação geral, as mobilizações de 11 de julho foram um bom ensaio, mas mostraram também a fraqueza da inserção de tais categorias no grosso da população, além de não terem passado por um processo autêntico de organização de base. “Eu creio que mais de 90% dos sindicatos sequer convocaram assembleias para discutirem se entravam ou não em greve”, assinalou.

 

Por fim, deixa claro que, sem essa “refundação” do sindicalismo, as entidades jamais voltarão a influenciar os rumos socioeconômicos do país, além de apontar um erro estratégico. “Os sindicatos criaram o factóide de sentar com a Dilma para discutir absolutamente nada. É a contramão do que fizeram os estudantes. Eles fizeram um movimento, impuseram a pauta da tarifa zero e a revogação do aumento, para depois irem sentar e negociar. Os sindicatos fizeram o contrário”.

 

A entrevista completa de Jorge Luis Martins pode ser lida a seguir.

 

Correio da Cidadania: Como você analisa a quinta-feira, 11 de julho, com a convocatória das centrais sindicais, para se manifestarem através de greves, protestos e reivindicações de classe, em todo o país?

 

Jorge Luiz Martins: Primeiramente, falo dos pontos positivos. Foi positivo pelo fato de que, depois de longos anos, o movimento sindical recolocou sua agenda e pauta de reivindicações. Isso porque a chegada de Lula e do PT ao governo fez muito mal para a CUT e grande parte dos sindicatos brasileiros, que abandonaram sua missão e tarefa de reivindicação. Por longos anos, esse movimento sindical passou adormecido e anestesiado. Portanto, temos o aspecto positivo de se recolocar a pauta sindical na agenda, como a redução da jornada de trabalho, o fim terceirizações, o direito irrestrito de greve, o fim do fator previdenciário, enfim, uma longa pauta dos trabalhadores, que, ao longo dos últimos anos, vem sendo relegada a segundo, terceiro, quarto planos.

 

O lado negativo é que foi uma greve extremamente de cúpula. Uma greve decidida dentro das quatro paredes, que não horizontalizou a consulta e a construção coletiva dos trabalhadores; uma greve construída de cima pra baixo, de fora pra dentro das empresas, o que levou a uma baixíssima adesão dos trabalhadores organizados. Tivemos muitos bloqueios de estradas, muitas ações interessantes, mas muito pouca participação efetiva dos trabalhadores na rua, levando suas bandeiras.

 

Nós tivemos casos, inclusive, em que o sindicato chegou a “terceirizar”, a pagar trabalhadores para carregarem suas bandeiras e faixas. Isso demonstra que o movimento sindical está muito burocratizado e sem diálogo permanente com os trabalhadores que diz representar.

 

Portanto, são coisas que precisam ser repensadas. Não é possível que tal forma de fazer sindicalismo não seja repensada. Para além do corporativismo de cada categoria, para além do economicismo, é preciso repensar a atuação sindical, quer seja focada no local de trabalho, quer seja no local de estudo e de moradia. Ficou revelado que as mobilizações da juventude tiveram muito mais dinâmica e gente na rua, embora ainda com uma pauta um tanto genérica. Mas as pessoas saíram lutando e reivindicando.

 

Parece que a necessidade de grandes carros de som dos sindicatos nas manifestações se dá em decorrência do afastamento e dificuldade deles em dialogar com os trabalhadores. Além do aspecto evidente, isto é, a chegada de Lula ao poder, que levou ao governo milhares de dirigentes sindicais; aderiram e foram trabalhar no governo federal. Assim, essa nova geração de sindicatos e sindicalistas precisa repensar, porque, com essa concepção de sindicato e assembleias – nesse caso, poucas categorias fizeram assembleias prévias –, não é possível promover uma greve séria.

 

Acreditamos ser necessária uma profunda reflexão da atuação dos sindicatos, que estão profundamente burocratizados, adaptados à lógica da atual organização sindical, distantes dos locais de trabalho, sem diálogo com os locais de estudo e muito menos com os problemas da periferia. Dessa forma, é preciso pensar a ação, agenda e plataforma dos sindicatos.

 

Correio da Cidadania: Nesse sentido, como avalia a presença da classe operária, da periferia e da juventude? Ficou realmente abaixo do esperado?

 

Jorge Luiz Martins: Foi uma presença muito pequena, o que mostra existir uma dicotomia entre sindicatos, movimentos estudantis e o movimento civil organizado que se levantou. Acreditamos ser necessário um diálogo, entendendo que não se pode começar uma disputa sobre quem é o mais combativo, ou quem é o pior e mais burocratizado. É preciso diálogo, tanto do ponto de vista organizativo como das agendas, porque foi muito pequena, no geral, a participação de outros setores, exceto aqueles organizados por sindicatos.

 

Será preciso, pra conquistar qualquer coisa nesse campo, que mexe diretamente com o poder do capital e das empresas, muito mais mobilização e organização. E, acima de tudo, fundir, cruzar, a pauta sindical com a pauta mais geral da sociedade, isto é, de crítica ao atual modelo econômico, à crise de corrupção que existe no Brasil e ao modelo e padrão de investimentos.

 

É preciso que os sindicatos, definitivamente, assumam a luta por serviços públicos de qualidade, com maciços investimentos. Por quê? Porque tais questões vão além do salário e do emprego, entrando na esfera social e numa maior dimensão da vida dos trabalhadores representados nos sindicatos.

 

Correio da Cidadania: Como viu a participação de centrais sindicais mais ligadas ao governo nesse movimento, entre elas a CUT?

 

Jorge Luiz Martins: Avaliamos que, na verdade, as centrais sindicais saíram às ruas quase que por instinto de sobrevivência. Se não tivessem saído à rua pra mostrar que ao menos respiram ainda, teriam sido varridas do ponto de vista de sua importância. Só saíram às ruas por conta disso. É uma forma de tentar sobreviver frente a essa grande onda. Sendo assim, esperamos que o movimento consiga uma reforma política, mas esperamos que também consiga uma reforma sindical, porque a ampla maioria dos sindicatos, hoje, não representa absolutamente nada. São sindicatos de fachada, de carimbo, que só existem por causa do monopólio da representação sindical.

 

Portanto, é preciso também discutir no Brasil uma ampla reforma sindical, no sentido de desvincular de uma vez por todas os sindicatos do Estado. Inclusive impedindo que o Estado continue a inibir o direito de greve, a exemplo das multas aplicadas a quem ameaçou ou determinou a realização de greves. A ditadura cassava as diretorias dos sindicatos. Agora, na democracia representativa, o Estado continua intervindo, através de ameaças, multas e interditos proibitórios. É necessário levantar, com muita força, no próximo período, a bandeira do direito irrestrito de greve.

 

Correio da Cidadania: De toda forma, esta data pode marcar um ponto de inflexão no sindicalismo brasileiro, revertendo, ao menos em parte, o contexto predominante, onde cada central atua isoladamente e conforme seus próprios interesses?


Jorge Luiz Martins:
É possível, porque agora todas as centrais terão de fazer um balanço, pensando se essa atual organização dá conta de colocar, com a força necessária, suas pautas. De qualquer forma, foi positivo, porque uma parte dos sindicatos atendeu ao chamado, promoveu ações, inclusive bastante radicalizadas em alguns lugares. Mas é preciso continuar. Ontem foi, digamos, um bom ensaio. No entanto, pra fazer uma verdadeira greve geral, os sindicatos precisam repensar seu método de atuação.

 

Acima de tudo, precisam chamar os trabalhadores para construírem a partir de dentro de seus locais de trabalho, e não greves de fora pra dentro, de cima pra baixo. Esse tipo de modelo não conseguirá impor sua pauta e negociar conquistas para os trabalhadores.

 

Correio da Cidadania: Que direção acredita que os acontecimentos vão tomar de agora em diante e qual imagina que deve ser a postura das centrais sindicais mais combativas (Conlutas e Intersindical entre elas)?

Jorge Luiz Martins: Eu acredito que o nosso papel no momento é justamente o de fazer o debate da concepção de sindicato. Horizontalizar a organização, horizontalizar as pautas e continuar lutando para quem sabe construir uma greve geral séria, que pare a produção e o comércio.

 

Porque só dessa forma, mexendo e ameaçando o capital, será possível que a pauta seja levada a sério. Acredito ser essa a forma de manter a continuidade, defendendo muito a autonomia do movimento. Isso porque houve um erro gravíssimo das centrais: por volta de 15 dias atrás, antes de fazer a ação, os sindicatos criaram o factóide de sentar com a Dilma para discutir absolutamente nada. É a contramão do que fizeram os estudantes. Eles fizeram um movimento, impuseram a pauta da tarifa zero e a revogação do aumento, para depois irem sentar e negociar. Os sindicatos fizeram o contrário: foram primeiro sentar com a Dilma para depois promoverem as ações. Um equívoco gravíssimo a ser corrigido.

 

É preciso construir pela base o movimento, assim como a pauta, e aí acredito que os trabalhadores vão responder e também se somar às outras pautas. Depois, sim, poderemos mudar o atual padrão de organização do Estado e da economia.

Correio da Cidadania: Qual é a sua opinião sobre a lista de reivindicações em pauta? Quais seriam as mais importantes?

Jorge Luiz Martins: Acredito que a pauta, no geral, é toda importante. Mas, em minha opinião, são essenciais a redução da jornada de trabalho, o fim do fator previdenciário e o fim das terceirizações. As demais não deixam de ter sua importância, mas essas três são fundamentais.

 

E eu colocaria outra mais, que não foi posta no 11 de julho, mas é igualmente essencial: a defesa irrestrita do direito de greve, que acredito estar ameaçado no Brasil com os seguidos interditos proibitórios e as altíssimas multas que a justiça tem imposto aos sindicatos, quando ocorre qualquer movimento reivindicatório. Isso é uma clara interferência e inibição, por parte do Estado, do direito de livre organização dos trabalhadores.

 

Correio da Cidadania: Desse modo, ainda falta muito para que se tenha um saldo positivo o bastante para influir em uma mudança real na dinâmica de lutas e conseguir pautar, de fato, a política, a economia e a sociedade.

 

Jorge Luiz Martins: Com certeza. Acho que foi um ensaio, mas um ensaio que não chegou, objetivamente, à ampla parte dos sindicatos. Eu creio que mais de 90% dos sindicatos sequer convocaram assembleias para discutirem se entravam ou não em greve. É um problema grave, porque não se consegue colocar uma pauta de reivindicações tão significativas sem mobilizar. É uma questão de relação de forças. Ou o movimento cria essa correlação de forças para impor sua pauta e fazer que ela fique na mesa, sendo ao final atendida, ou não passará de retórica e criação de factoides -  o que não constitui uma postura séria, sob o ponto de vista de quem pretende mesmo levar às últimas consequências as pautas de lutas dos trabalhadores.

 

Portanto, foi um bom ensaio, mas é preciso construir uma greve geral de verdade se quisermos alterar a pauta e impor nossas reivindicações.

 

Correio da Cidadania: E, por fim, o governo, como o enxerga nesse contexto todo? Acredita que caminhe para acatar alguma das reivindicações?

 

Jorge Luiz Martins: Não acredito. Embora seja uma cruel contradição. Vejamos: o governo faz milhares de isenções de impostos aos empresários. E uma reivindicação, a da redução da jornada de trabalho, que poderia ajudar a criar empregos e acarretaria um custo muito baixo, o governo sequer negocia. Assim como na questão das aposentadorias.

 

Eu não acredito que somente com uma manifestação vá haver qualquer reação ou negociação a sério do governo. Para o governo negociar, teremos de fazer um movimento de muito maior envergadura política, com a verdadeira participação da grande massa dos assalariados, parando a produção e circulação de mercadorias em nosso país. Caso contrário, o governo não levará a sério.

 

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Valéria Nader, jornalista e economista, é editora do Correio da Cidadania; Gabriel Brito é jornalista.

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Última atualização em Quarta, 24 de Julho de 2013
 

A publicação deste texto é livre, desde que citada a fonte e o endereço eletrônico da página do Correio da Cidadania




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