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Paiakan: "A Terra Kayapó está sendo ameaçada" Imprimir E-mail
Escrito por Michel Blanco   
Quarta, 04 de Abril de 2007
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paulopaiakan.jpgO Correio publica entrevista de Michel Blanco com o índio Paulo Paiakan à revista Brasil Indígena (Ano III, n. 4, outubro/novembro de 2006), veiculada pela FUNAI. Paiakan revela que as acusações de estupro de uma estudante de que foi alvo, e pelas quais está cumprindo pena, são acusações políticas de um crime que não teria cometido e cuja repercussão teve o intuito de desmoralizá-lo, assim como a toda a população indígena no Brasil.

 

O índio também ressalta os riscos representados à terra Kaiapó pela construção da BR 163 e da usina de Belo Monte e pela mineradora Onça Puma, da Companhia Vale do Rio Doce. As duas primeiras obras estariam sendo tocadas sem a menor preocupação por parte do governo em estabelecer uma interlocução com a população indígena e sem o estabelecimento de quaisquer garantias de preservação ambiental.

 

A pergunta, embora indelicada, é inevitável. Sobre a acusação de estupro, qual a sua versão?

 

Paiakan: Eu entendi que não era acusação de estupro, e sim uma acusação política de um crime que eu realmente não cometi. Desde o começo, o advogado tentou me fazer usar da mentira e dizer assim: “Eu estuprei”. Para ser preso e depois ser libertado, porque teria assumido uma culpa. Mas eu nunca aceitei isso. Dentro da cultura kayapó, sou uma pessoa respeitada e conhecida. Então, tenho de falar a verdade. Se eu tivesse realmente cometido esse crime, publicamente, dentro da cultura dos Kayapó e perante a sociedade do homem branco, nem gaguejaria para assumir.

 

Você já era muito conhecido quando foi acusado. O caso teve grande repercussão na mídia. Isso o afetou muito?

 

Paiakan: Teve repercussão para me desmoralizar e para desmoralizar a população indígena do Brasil. E fazer com que eu ou outro índio não lutássemos pelos nossos direitos. A revista Veja publicou minha imagem na capa. Por que eu estou dizendo isso? Porque a Veja é inimiga de índio. Por isso divulgam o nome feio, a imagem feia, para tentar mostrar para todo o mundo que o índio está errado. Eu dou toda a razão de homem branco brigar comigo, principalmente a Veja. Porque eles são inimigos de índio.

 

A Veja está brigando, pensei, porque eu defendo meu território indígena, onde eu sou origem. Pura origem. O homem branco veio, se nacionalizou brasileiro e está brigando com nós, indígenas, está com inveja por causa das coisas que nós temos que homem branco não tem. É um prazer homem branco brigar comigo porque é sinal de que ele está vendo que eu sou índio e eu tenho as coisas do índio. Agora, se algum dia eu tiver oportunidade de conversar com o editor da Veja, aí sim, nós discutimos, dialogamos sobre o conhecimento dele, o meu conhecimento. Não adianta eu brigar com a Veja. Eles [da revista] estão com todo o poder nas mãos. E eu não tenho nenhum poder. Como a formiguinha, ela pode brigar com o elefante?

 

Você transita por muitas aldeias Kayapó e freqüentemente é consultado sobre diversos assuntos. Para você, qual é a opinião dos Kayapó sobre as atividades econômicas próximas da área?

 

Paiakan: A Terra Kayapó está sendo ameaçada sem o Kayapó perceber. Kayapó acredita que homem branco está respeitando os limites. Mas eu não acredito. Tenho certeza de que o asfaltamento da BR 163 é um risco muito grande de entrada de homens brancos na área. Vão dizer: “Ali não tem ninguém, vamos fazer uma rocinha”. E assim começa, ocupando aos poucos.

 

A BR 163 deveria ser discutida com as comunidades indígenas e o governo deveria deixar claro para todo o mundo que a terra indígena deve ser respeitada. Se houver uma invasão, o governo deve oferecer garantia de que vai retirar o invasor, tomar providência. Aí sim a gente pode apoiar o asfaltamento. Enquanto o governo não garantir nada, o risco de invasão continuará com a pavimentação da BR 163.

 

Outro risco para a Terra Kayapó é a mineradora Onça Puma, ligada à grande Companhia Vale do Rio Doce. Já está trazendo o povo de outra região para ocupar municípios vizinhos da Terra Kayapó, como Tucumã e Ourilândia. Essa empresa vai trazer muita gente que vai querer terra e o governo municipal vai tentar conceder mais espaço.

 

A construção de Belo Monte também é outra preocupação muito grande. O governo está insistindo em construir a barragem sem consultar a comunidade. Se tivesse diálogo com as autoridades indígenas, aí poderia haver interesse dos dois lados de fazer a barragem. Agora, sem explicar, sem garantir a participação da comunidade, nós somos contra. Se não houver participação dos índios nesse projeto, continuará havendo discriminação. Cadê a igualdade? Por que não podemos ser ouvidos?

 

Uma coisa importante que pouca gente sabe: minha briga contra Belo Monte não era uma defesa só da vontade dos Kayapó. Na época em que morei em Altamira, eu viajava para várias aldeias e fui viver na tribo dos Assurini. Eu lembro que, se a barragem fosse feita, os Assurini iriam perder a terra deles. Então decidi assumir essa luta para defender os Assurini. Foi aí que convoquei os Kayapó e outros grupos para lutar contra a barragem. A grande manifestação foi em fevereiro de 1989.

 

Quando você retomar a liberdade, o que pretende fazer?

 

Paiakan: Se o caso for resolvido, eu vou continuar. Eu sou Paiakan. Vou lutar pelos direitos indígenas, pelos seres vivos que precisam ser defendidos. O ser vivo que é a floresta, o ser vivo que é o rio, o ser vivo que é a terra... Se um dia eu retomar minha liberdade, vou continuar minha luta, defendendo nossos territórios, a cultura indígena, junto com nossas lideranças, junto com outros povos indígenas.

 

Enquanto eu estou aqui na floresta, vejo que a luta dos povos indígenas está um pouco paralisada. Várias lideranças, não só dos Kayapó, comentam que sentem falta do meu apoio. Três Xavantes de Mato Grosso vieram aqui me visitar... Um jovem e dois velhos, um cacique e outro curandeiro. A gente chorou junto de emoção, contando a luta do passado. O que eu pretendo fazer aqui na aldeia é criar uma escola para educar as pessoas sobre como viver com a natureza. Para qualquer pessoa. Preservação da cultura indígena e resgate do conhecimento tradicional. É com isso que a escola vai lidar.

 

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Última atualização em Quarta, 04 de Abril de 2007
 

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