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‘Lutas devem seguir, já que governo não pretende atender demandas populares’ Imprimir E-mail
Escrito por Gabriel Brito e Valéria Nader, da Redação   
Qui, 11 de Julho de 2013
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Seguindo os ventos das mobilizações de massa que marcaram o mês de junho, pela primeira vez em longuíssimo período de tempo as centrais sindicais convocaram um dia nacional de lutas (11 de julho de 2013). O Correio da Cidadania entrevistou Paulo Pasin, membro do Sindicato dos Metroviários de SP (filiado à Conlutas), a fim de interpretar esse momento de possível retomada do protagonismo das lutas sindicais.

 

Para ele, os novos tempos marcam também a necessidade de novas formas de unificação, mais amplas do que aquelas com as quais tais entidades lidaram ao longo de sua trajetória. “Acredito que as mobilizações mostraram que o conceito de central sindical só ligada aos trabalhadores sindicalizados está ultrapassado”, disse.

 

A respeito da força do movimento popular e suas novas facetas, Pasin alerta que todos aqueles que não mudarem sua forma de fazer política, abandonando posições “conservadoras”, serão “atropelados pela nova geração”. No mais, ressalta que a adesão de algumas centrais se deveu unicamente às pressões sofridas nas bases. “A CUT tenta desviar o foco para a reforma política, o que na verdade dá cobertura para a estratégia do governo Dilma. Tanto é assim que, embora a mobilização seja unificada, teremos a disputa (da pauta) nas ruas”, explica.

 

Talvez em sua afirmação mais importante, Pasin lembra que, apesar dos novos tempos, a mobilização não poderá arrefecer, uma vez que não crê em respostas positivas dos governos. “Quando a Dilma apresentou os seus cinco pontos, chamando-os de pacto, vimos que o primeiro ponto foi a manutenção da atual política fiscal. Mantendo esse modelo, não é possível atender às demandas populares. E como ela não pode atender às demandas do povo, tentou desviar todo o clamor das ruas para os debates da reforma política”.

 

A entrevista completa com Paulo Pasin pode ser lida a seguir.

Correio da Cidadania: Como tem visto o atual momento, com a explosão de manifestações por todo o país?

 

Paulo Pasin: Nós vemos da seguinte forma: havia uma grande energia contida em todos os setores da sociedade, por conta da propaganda enganosa do governo de que a situação toda estava muito boa. Na hora do reajuste da tarifa, a juventude se colocou na rua, por todo o país, e canalizou uma série de demandas da população em relação a todos os serviços públicos que não são bem prestados, a exemplo de saúde, educação e particularmente os transportes nas grandes cidades.

 

Isso gerou uma nova situação, que agora questiona absolutamente todos os poderes. Principalmente, o governo federal, mas também questiona diversos governos estaduais e municipais, além do próprio Congresso Nacional. Estão todos sendo questionados pela mobilização da juventude brasileira, pois ela, além do resto da população em geral, percebeu que suas demandas não são atendidas por parte dos poderes constituídos.

 

Correio da Cidadania: Qual a importância do 11 de julho, com a convocatória das centrais sindicais, para manifestações através de greves, protestos e reivindicações de classe?

 

Paulo Pasin: Primeiramente, é preciso corrigir uma informação que muita gente tem repercutido: a de que a classe trabalhadora não participou dos protestos e mobilizações de junho. Não é verdade. Boa parte dos jovens que foram às ruas são trabalhadores. Talvez, não sejam trabalhadores organizados em bases sindicais, mas são trabalhadores também afetados pelo problema do transporte e pela falta de investimentos na saúde e na educação.

 

A classe trabalhadora entrou de forma organizada, a partir da convocação do 11 de julho, mas é uma continuidade da mobilização feita no mês de junho. Tanto é assim que nós, particularmente ligados aos transportes, não podemos perder o foco. A pauta original tem de ser mantida, isto é, a redução de tarifas, rumando ao projeto de tarifa zero, e a estatização dos transportes do país. Esse é o carro chefe, em nossa opinião, de todas as mobilizações. Depois, sim, vêm as demandas colocadas pelas centrais, tais como o fim do fator previdenciário, reajustes salariais, pela jornada de 40 horas semanais etc.

 

Correio da Cidadania: Mesmo assim, um chamado unificado das centrais é algo que não se via há muito tempo. Isso evidencia que o mês de junho marcou também um despertar?

Paulo Pasin: Certamente evidencia. A marcação de um dia nacional de paralisação e mobilizações é reflexo claríssimo das manifestações do mês de junho. Mesmo porque muitas centrais que convocaram a atividade unificada só o fizeram, agora, por conta da pressão de suas bases de trabalhadores. Estes trabalhadores viram o maior e mais importante recado do mês de junho: é possível conquistar, desde que haja mobilização e presença na rua no sentido de lutar pelos seus direitos, através de seus movimentos.

 

Portanto, esses trabalhadores começaram a pressionar seus dirigentes sindicais, especialmente os das centrais, que estavam totalmente paralisadas, apoiando o governo, sem tomarem iniciativas. Tais centrais tiveram, assim, iniciativa graças às mobilizações do mês de junho.

Correio da Cidadania: Você enxerga, nesse sentido, como oportunista a participação de centrais sindicais mais ligadas ao governo, já que se viram internamente pressionadas?

Paulo Pasin: Há duas questões nesse sentido. A primeira é da parte da CUT. Embora tenha convocado unitariamente as mobilizações do dia 11, ela tentou, e continua tentando, desviar o foco da questão, colocando tudo no sentido da reforma política e do plebiscito. Quer tirar as demandas concretas da população do centro das reivindicações.

 

O que a população quer? Redução da tarifa do transporte, chegando ao passe livre, mais verba pra saúde, pra educação, e reajustes salariais. Mas a CUT tenta desviar o foco para a reforma política, o que na verdade dá cobertura para a estratégia do governo Dilma.

 

Tanto é assim que, embora a mobilização seja unificada, teremos tal disputa nas ruas. Setores ligados à CUT vão defender a reforma política como ponto central. Já as outras centrais que apoiam o governo, se de um lado não têm a mesma posição da CUT, de outro lado só chamaram as mobilizações porque as bases de suas categorias representadas fizeram pressões.

 

Nesse sentido, é positivo que elas chamem as mobilizações? É, porque deste modo se permite a unidade dos trabalhadores de uma maneira geral. Mas sabemos que são centrais que, assim que houver refluxo do movimento, ou quaisquer sinalizações do governo, não vão seguir na luta como as centrais sindicais que, desde o início, se mostram independentes em relação ao governo.

 

Correio da Cidadania: Esta data pode, de todo modo, marcar um ponto de inflexão no sindicalismo brasileiro, revertendo, ao menos em parte, o contexto predominante, onde cada central atua isoladamente e conforme seus próprios interesses?

 

Paulo Pasin: Não tenho dúvidas. Não só em relação ao sindicalismo. Tenho a convicção de que, depois dessa grande onda de manifestações da juventude, nenhuma entidade sindical, estudantil, enfim, organização política, seguirá sendo como antes. Está ocorrendo um choque profundo, no qual se permitirá, em muitos casos, separar o joio do trigo.

 

Quem estiver na rua ao lado do povo, colocando as demandas que afetam diretamente o capital, estará dentro da sintonia. Por exemplo, no caso dos transportes: se discutimos tarifa zero, precisamos discutir a fundo o lucro dos empresários, quem pode fazer PPP (Parceria Público-Privada) com os governos, porque é algo que gera lucros aos empresários etc.

 

Quem mantiver posição conservadora, naquela linha de que “tudo está melhorando no país”, será literalmente atropelado pela nova geração. E isso vai acontecer no movimento sindical. Exemplo: em meio a tais manifestações, vimos que, no final de semana passado, o sindicato dos ferroviários do Rio Grande do Norte, filiado à CUT, realizou seu congresso e já se desfiliou da CUT. Está se aproximando da nossa federação, que todos sabem ser independente e do campo da luta da classe, opondo-se a todo e qualquer ataque aos trabalhadores. Isso será um fenômeno generalizado.


Correio da Cidadania: Que direção acredita que os acontecimentos vão tomar de agora em diante e qual imagina que deve ser a postura das centrais sindicais mais combativas?

 

Paulo Pasin: Desde o início, há muito tempo atrás, desde a fatídica e infeliz divisão que ocorreu no último Conclat (Conferência Nacional das Classes Trabalhadoras), sigo defendendo a necessidade de setores independentes, não vinculados ao governo, fazerem a luta do povo, reunificando-se para além de uma central sindical.

 

Acredito que as mobilizações mostraram, inclusive, que o conceito de central sindical só ligada aos trabalhadores sindicalizados está ultrapassado. Os movimentos dos companheiros sem teto, de luta pela moradia, os companheiros que fazem as lutas da periferia, os estudantes, o movimento pelo passe livre (que vai além dos estudantes universitários, abarcando outros jovens do país) demonstraram o seguinte: nós precisamos construir instrumentos de unificação muito mais amplos do que já tivemos até hoje.

 

Durante as mobilizações, ocorreram eventos que, pra mim, foram muito marcantes. Por exemplo: no Rio de Janeiro, até o trajeto da marcha e o seu destino foram decididos em assembleias gerais, com mais de 3.000 pessoas, independentemente de serem de sindicato, do MPL, estudantes ou integrantes de movimento por moradia. Portanto, nós temos de ter a clareza de que precisamos unificar todos esses setores num processo muito mais amplo. Se uma coisa ficou marcada, em minha opinião, é que está colocada a necessidade de a gente se reunificar, até porque tais mobilizações também demonstraram o quanto nós somos diminutos. Nós somos pequenos perante todo o processo político.

Correio da Cidadania: Qual é a sua opinião sobre a lista de reivindicações em pauta? Quais seriam as mais importantes?

 

Paulo Pasin: Eu sigo achando, volto a frisar, a questão do transporte o centro do problema nacional, devendo ser tomada por todos os sindicatos. Esse foi um grande mérito dos companheiros do passe livre, porque eles tornaram muito claro que qualquer problema, qualquer questão que envolva o trabalhador e a juventude, passa também pelo transporte. Por exemplo, sem transporte ou com um transporte caro, impede-se que as pessoas tenham acesso ao trabalho. Muitas vezes, a pessoa que mora na periferia e não tem como procurar emprego, porque não tem como pagar uma tarifa de R$ 3,00, ou R$ 3,20, no Rio de Janeiro, ou R$ 4,50 na barca de Niterói/Rio de Janeiro.

 

E para se ter acesso ao lazer ou acesso à saúde, é preciso discutir transporte, tanto do ponto de vista de preço como de condições. Não podemos mais gastar 5 horas pra poder ir e voltar de um lugar, como ocorre hoje na cidade de São Paulo – e esses exemplos se estendem por outros estados do Brasil.

 

Outro ponto também muito importante é a questão do fim do fator previdenciário, porque penaliza violentamente a classe trabalhadora na aposentadoria. Ainda mais agora, já que esse governo tomou a decisão de retirar a contribuição do COFINS, a fim de desonerar os patrões de parte do que eles dizem que terão de ônus para diminuírem a tarifa. Ora, o COFINS é seguridade social, e o governo retirou a parte que a patronal paga da previdência. Portanto, vão insistir no argumento de que a previdência é deficitária e, por isso, a manutenção do atual fator previdenciário se faz necessária. Essa é uma pauta que entendemos como muito importante.

 

Em terceiro lugar, completando o conjunto fundamental, cito a questão da redução da jornada de trabalho sem redução de salário, algo que geraria mais empregos no país.

 

Correio da Cidadania: E o governo, como o enxerga nesse contexto todo? Acredita que vá atender às reivindicações?

 

Paulo Pasin: Não. Categoricamente, não. Quando a Dilma apresentou os seus cinco pontos, chamando-os de pacto, vimos que o primeiro ponto foi a manutenção da atual política fiscal. Ou seja, manter os superávits primários, manter o compromisso com o pagamento dos juros da dívida, portanto, o compromisso com o sistema financeiro internacional.

 

Mantendo esse modelo, não é possível atender às demandas populares, pois elas precisam de dinheiro. Precisamos, na verdade, inverter a lógica apresentada. Precisaríamos não pagar a dívida pública, precisaríamos penalizar os ricos com impostos maiores...

 

E ela falou exatamente o oposto.  Dessa forma, como ela não pode atender às demandas do povo, tentou desviar todo o clamor das ruas para os debates da reforma política. Isso comprova que ela não tem a menor intenção de enfrentar o grande lucro dos capitalistas, a dívida municipal, os subsídios aos empresários de ônibus...

 

Em resumo, a Dilma prefere ficar ao lado do poder econômico e contra as demandas populares. Portanto, a onda de lutas que gerou essa energia toda vai ter que seguir, porque os descontentamentos vão aumentar, e não diminuir, daqui pra frente. Isso porque o governo não tem a menor intenção de atendê-los.

 

Valéria Nader, jornalista e economista, é editora do Correio da Cidadania; Gabriel Brito é jornalista.

 

 

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Última atualização em Quarta, 17 de Julho de 2013
 

A publicação deste texto é livre, desde que citada a fonte e o endereço eletrônico da página do Correio da Cidadania




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