Índex

 

 

Índex era uma lista de livros proibidos pela igreja Católica Romana de serem lidos pelos seus fiéis. Sob o argumento de que eram obras do demônio, a Santa Madre Igreja determinava que elas fossem banidas. Proibia-se, assim, que as pessoas usassem o seu livre arbítrio. Praticava-se um cruel maniqueísmo, próprio da cultura Deus e o diabo.

 

O advento do stalinismo trouxe um novo índex. Apoiado no maniqueísmo ‘bolchevismo versus menchevismo’, bandido e mocinho, o stalinismo impôs a excludência. Em lugar da santíssima trindade, criou-se um quarteto: Marx, Engels, Lênin e Stalin. Noutros casos, Marx, Engels, Lênin e Trotski. Ainda havia o quinteto: Marx, Engels, Lênin, Stalin e Mao.

 

Praticava-se uma grave redução quando valores da militância socialista tinham suas obras atiradas ao esquecimento. Dessa forma, figuras do valor teórico de Karl Kautsky e Rosa Luxemburgo foram colocadas à margem. Colocou-se na lista dos expurgados o militante Julio Martov, que teve a “audácia” de contestar a concepção de partido formulada por Lênin.

 

No rol dos esquecidos vamos encontrar, também, outros socialistas como Franz Mehring, Plekanov, Pavel Axerold, Antonio Labriola, Andrés Ninn, este grande revolucionário espanhol, sequestrado, torturado e assassinado por um comando militar da Terceira Internacional Comunista.

 

Outros casos poderiam ser elencados como vítimas do índex stalinista. Aqui no Brasil, pratica-se hoje um maniqueísmo voltado para a existência de duas correntes políticas: os neoliberais, vistos como figuras demoníacas, e os nacional-desenvolvimentistas, considerados operadores do bem.

 

Dentro desse contexto, o demônio é representado, com justiça, pela aliança PSDB/DEM/PPS. A corrente do “bem” é representada, essencialmente, pelo PT e PCdoB, em conluio com o que existe de mais pútrido no cenário político brasileiro, através das figuras de Sarney, Barbalho, Calheiros, Temer, Maluf e outros quantos delinquentes fisiológicos.

 

Feita essa divisão do bem e do mal, pratica-se um índex, cuja expressão é o repúdio à revista Veja e à “grande imprensa golpista”, enquanto tentam apoiar e consumir uma imprensa “comprometida” com o bem.

 

Devemos ressaltar que as duas correntes políticas, majoritárias no cenário nacional, são de direita. Tanto os neoliberais, como os presumidos nacional-reformistas, mantêm-se nos limites do capitalismo e o índex praticado pela “esquerda” é algo primário e repulsivo, servindo apenas para rebaixar mais ainda o nível de indigência política a que foi submetida a esquerda, de matriz stalinista.

 

Gilvan Rocha é presidente do Centro de Atividades e Estudos Políticos – CAEP.

Blog: www.gilvanrocha.blogspot.com

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