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Europa e a prostituta da Babilônia Imprimir E-mail
Escrito por Atilio Boron   
Sábado, 06 de Julho de 2013
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A prisão e, de fato, o sequestro sofrido por Evo Morales, por 14 horas, em Viena, em sua acidentada viagem de volta de Moscou, mostra claramente que os governos europeus e as classes dominantes, as quais representam e em cujos interesses atuam, são meros servos do Império. Toda a sua fraseologia oca sobre a democracia, os direitos humanos e a liberdade desmorona como um castelo de cartas, com o impacto da proibição que impedia o presidente da Bolívia de sobrevoar o espaço aéreo de alguns países europeus.

 

Claro, nada disso deveria surpreender, porque se algo comprovaram os sucessivos governos da Europa desde o fim da Segunda Guerra Mundial foi uma vocação irresistível para ajoelhar-se diante do novo mestre imperial e satisfazer o seus menores desejos, mesmo à custa de sua dignidade e vergonha. Nem todos os governos em todo o tempo, é verdade, porque houve algumas exceções: De Gaulle na França, Olof Palme, na Suécia, entre os mais notáveis​​. Mas a grande maioria deles obedece cegamente as ordens da Casa Branca para condenar Cuba e participar do criminoso bloqueio a que foi submetida a ilha, por mais de cinquenta anos; consentiram que Estados Unidos e a OTAN, a maior organização terrorista internacional, bombardeassem impunemente o próprio território europeu, a ex-Iugoslávia, sem contar sequer com o amparo legal de uma decisão do Conselho de Segurança das Nações Unidas, autorizando essa operação; autorizaram e também foram cúmplices dos voos “secretos” da CIA, em que moveram “presos fantasmas” (ou desaparecidos) de numerosas nacionalidades que estavam em cárceres clandestinos, onde se podia torturar e assassinar com total impunidade esses supostos suspeitos de terrorismo; governantes, por último, foram cúmplices dos inúmeros crimes de guerra perpetrados por Washington em localidades tão diversas como a ex-Iugoslávia, Iraque, Irã, Afeganistão, Líbia e Síria, entre outros mais recentes.

 

Governos genuflexos, sem qualquer dignidade, que humildemente aceitam que o seu senhor espione e monitore as comunicações de seus órgãos regionais, como a Comissão Europeia, assim como perseguem Julian Assange e Edward Snowden pelo "crime" de terem tornado públicas as violações massivas dos Estados Unidos sobre os direitos individuais. Em suma, a Casa Branca atua com os governos europeus como um empregador sinistro e inescrupuloso com seus indefesos subordinados. E os governos da França, Espanha, Portugal e Itália, por sua vez, atuam como a prostituta da Babilônia, que, segundo narra a Bíblia no Apocalipse (2.17) "com ela fornicaram os reis da terra – leia-se os "capos" de Washington – e os habitantes da terra se embriagaram com o vinho da sua prostituição".

 

Pela enésima vez, os governos voltaram a se prostituir violando as normas internacionais habituais, que outorgam imunidade aos chefes de Estado e de governo, além das aeronaves (ou qualquer outro veículo) que os transportem. A Convenção das Nações Unidas sobre Imunidades dos Estados e da sua Propriedade, de 2004, inclui essas regras e as amplia, mas infelizmente ainda não está em vigor. Por isso, seria importante para os países da Unasul ratificarem o mais rápido possível, impulsionando sua vigência, já que protege a imunidade soberana, cada vez mais ameaçada pela galopante contraofensiva lançada pelo imperialismo para fazer a América Latina e o Caribe voltarem à situação existente antes da Revolução Cubana. Embora, já se sabe, se há algo que o imperialismo jamais respeita, como evidencia a história e teoriza Noam Chomsky, é a legalidade internacional, seja esta criptografada ou não.

 

Os presidentes da Argentina, Cuba, Equador e Venezuela, o Secretário Geral da Unasul, Alí Rodríguez, espanto mundial!, e o próprio Secretário Geral da OEA, José Miguel Insulza, manifestaram seu repúdio ante a atitude dos governos europeus. O presidente Correa sintetizou a opinião prevalecente em toda a região quando tuitou que “Somos todos Bolívia!”. Surpreendeu, em compensação, a lenta reação de outros países da região, a começar pelo Brasil (a presidente Dilma demorou 14 horas para demonstrar sua solidariedade com Evo!) ou o Uruguai, cujo governo tardou cerca de 12 horas para tornar pública sua condenação ao ocorrido.

 

Previsivelmente, os governos que são “satélites” regionais do Império na América do Sul, como Colômbia, Peru e Chile, até o encerramento deste artigo, não tinham emitido opinião. No Chile, o periódico El Mercúrio, consumado especialista nas tristes artes da desinformação, intitulou o sequestro a que fora submetido o presidente boliviano como um “impasse”. No caso do Peru, país que exerce a presidência pró-tempore da Unasul, surpreendeu ainda mais a passividade de seu governo diante da gravidade dos fatos acontecidos na Europa, pois deveria convocar imediatamente uma reunião de urgência para adotar uma política comum em defesa do presidente boliviano e, por extensão, de toda a América Latina.

 

A lição que se toma deste escandaloso incidente é que não tem sentido algum avançar em um Tratado de Livre Comércio entre Mercosul e União Europeia, tendo em conta a cumplicidade dos governos do Velho Continente na hora de se quebrarem as normas mais elementares do direito internacional. Ou vamos acreditar que se violam, sem rodeios, as regras fundamentais diante o mínimo sinal de Washington, vão respeitar as outras, muito menos importantes, que regulam o comércio internacional? Tem que ser muito ingênuo para crer em algo assim. A verdade: nem nos Estados Unidos e nem na União Europeia existe a “segurança jurídica” que com tanta veemência reclamam de nossos países. Portanto, reforcemos a unidade de Nossa América porque se não nos integrarmos e nos unirmos, se não nos defendermos entre nós, a Roma americana e seus compadres europeus desfrutarão de sua impunidade e, como dizia Simón Bolívar, “encherão as Américas de misérias em nome da liberdade”.

 

Atilio A. Boron é sociólogo argentino.

Traduzido por Daniela Mouro, Correio da Cidadania

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Última atualização em Qui, 11 de Julho de 2013
 

A publicação deste texto é livre, desde que citada a fonte e o endereço eletrônico da página do Correio da Cidadania




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