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O Irã mudou, Obama também pode Imprimir E-mail
Escrito por Luiz Eça   
Quarta, 03 de Julho de 2013
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Tudo indicava que as eleições iranianas não iriam mudar nada. Para os analistas, seriam cartas marcadas depois do Conselho de Experts, dominado pelo supremo líder, Ali Khamenei, ter vetado as candidaturas oposicionistas de Rafsanjani e Mashael.

 

A imprensa internacional reportava desânimo geral do povo diante da situação política, com provável baixo comparecimento às urnas.

 

A ideia geral é que, com o novo presidente, certamente um radical, as coisas continuariam como antes: Irã e Ocidente não se entendendo na discussão da questão nuclear.

 

Falava-se que, provavelmente, Obama e parceiros passariam a colocar sobre a mesa opções mais graves, ultimatos, e até bombardeios das instalações nucleares iranianas

 

O resultado das apurações acabou trazendo mudanças totalmente inesperadas, pois superou as expectativas mais otimistas.

 

As surpresas começaram antes, com um grande índice de votantes, bem superior ao das últimas eleições dos EUA: 73% contra 58%.

 

A vitória do moderado Hassan Rouhani, que teve mais votos do que todos os outros candidatos juntos, ilumina as trevas do regime.

 

Ninguém poderia supor que fosse possível, mas agora se delineia uma liberalização geral, a paz e o fim das sanções.

 

Durante a campanha e depois da posse, Rouhani fez promessas que contestam pedras básicas do regime, como respeitar os direitos civis e garantir igualdade de direitos às mulheres.

 

Ele disse ver os EUA e aliados não como inimigos, mas como países cuja amizade deve ser conquistada.

 

“Precisamos criar confiança mútua”, Rouhani disse, “temos de construir confiança”. E reafirmou sua firme disposição em negociar de forma construtiva.

 

Aturdido com a reviravolta, o governo norte-americano declarou-se “pronto para conversações diretas”. Diversos comentários elogiosos salientaram a oportunidade que se abria para resolver o contencioso com o Irã.

 

De todos, Obama foi o mais relevante, ao concluir sua apreciação, aprovando a implementação das conversas com Rouhani: “Precisamos ver como isso (negociações do impasse nuclear) vai evoluir nas próximas semanas, meses ou anos”. O que repõe a diplomacia de volta à mesa das opções, de onde já estava sendo retirada.

 

Mas Obama foi além: deu um prazo de meses e até de anos para esperar por um acordo final. Não será um caminho fácil de ser percorrido.

 

O antagonismo entre Irã e EUA começou bem antes de os EUA contestarem o programa nuclear de Teerã.

 

Em 1953, por ter nacionalizado o petróleo, o governo democrático do premier Mossadegh foi derrubado por uma conspiração organizada pela CIA, em colaboração com o serviço secreto inglês.

 

O xá, que assumiu o poder, adotou uma política ditatorial, usando à vontade prisões e torturas através da sua famigerada polícia secreta, a Savak.

 

Ele atendeu a seus patrocinadores, EUA e Inglaterra, entregando o petróleo iraniano às empresas petrolíferas desses países.

 

Em 1979, uma revolução popular destronou o xá e fundou um regime religioso islâmico. O asilo dado pelos EUA ao xá, doente, provocou o rompimento do Irã com a Casa Branca e o sequestro por estudantes iranianos do pessoal da embaixada estadunidense em Teerã, que durou um ano.

 

Os EUA retaliaram, promovendo diversas sanções econômicas, dando apoio logístico e ajuda militar ao Iraque de Saddam Hussein, na guerra contra o Irã, que causou 1 milhão de mortos.

 

De lá para cá, o ódio entre os dois países continuou crescendo. Os iranianos acreditam que os norte-americanos promovem uma campanha constante e sem tréguas contra seu país. O governo sustenta esta crença.

 

Já nos EUA, o Irã é apresentado como uma ditadura brutal, dominada por fanáticos, prontos para destruir Israel e ameaçar o mundo com armas nucleares, que estaria tentando produzir.

 

Passar uma borracha na história não é tarefa fácil. Durante o governo do reformista Khatami, o Irã fez uma tentativa para fazer as pazes.

 

Seu negociador-chefe nas negociações do programa nuclear (por sinal o próprio Rouhani) fez uma proposta de acordo bastante realista.

 

Mas Bush rejeitou com exigências absurdas e clamou que o Irã fazia parte do “eixo do mal”.

 

Por sua vez, Obama, ultimamente, vem mantendo o clima pesado. Ele costuma demonizar as ações do governo iraniano e suspeitar de suas intenções.

 

Uma nova chance surge agora. Referindo-se aos 34 anos de hostilidade EUA-Irã, Rouhani falou: “trata-se de um ferimento muito antigo... E nós precisamos pensar em algum modo de curá-lo... A sabedoria indica que nós, nos dois países, precisamos pensar no futuro e encontrar soluções para as questões do passado”.

 

Qualquer acordo com os EUA (e, por conseguinte, com a Europa) passa pela solução da questão nuclear.

 

Em abril, na última das reuniões do grupo dos P+5 (EUA, Reino Unido, França, Alemanha, Rússia e China) e o Irã, chegou-se a um impasse.

 

Os EUA e aliados exigiam o fim do enriquecimento de urânio a 20% e a entrega do estoque desses materiais, além de transparência total na vigilância das instalações nucleares iranianas pelos fiscais da AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica).

 

O Irã não abdicava do seu direito de enriquecer urânio para atender a necessidades médicas e energéticas e afirmava já estar dando acesso total aos fiscais da AIEA.

 

Depois de criticar as posições do governo anterior, que teriam provocado o aumento das sanções, Rouhani não deixou de considerá-las “opressivas” e injustas, pelos sacrifícios imerecidos que impunham ao povo iraniano.

 

Mas esboçou o caminho que deseja seguir nas negociações. O primeiro passo seria mostrar ainda maior transparência e provar que as ações iranianas estão totalmente dentro do sistema internacional.

 

Isso em troca deveria evitar novas sanções. O segundo passo seria ganhar confiança, através de concessões moderadas, que abririam caminho para a redução gradual das sanções existentes.

 

Essas concessões, segundo informações do ministro dos Assuntos Estrangeiros russo, Sergei Lavrov, seriam para nenhum norte-americano botar defeito.

 

Segundo Lavrov, “os iranianos confirmam o mais importante: sua disposição de parar de enriquecer urânio a 20%. Isso pode implicar num progresso nas negociações, que alivia significativamente os problemas existentes, incluindo as preocupações sobre possíveis avanços no enriquecimento do urânio para a produção de armas”.

 

Se Lavrov não tiver saltado para conclusões demasiado apressadas, esta concessão de fato obrigará os EUA a aceitarem um acordo.

 

Os falcões do war party estão se preparando para tentar detê-lo. Já têm novos argumentos.

 

James Steinberg, ex sub-secretário de Estado de Obama, junto com o antigo senador, Joseph Lieberman, “falcão” pró- Israel, e Stephen J. Halley, conselheiro de Segurança Nacional de George W. Bush, as apresentaram em artigo no Washington Post.

Eles denunciam que o Irã desenvolveu dois caminhos alternativos para poder chegar logo à bomba nuclear.

 

O primeiro é uma nova geração de centrífugas, ainda não em completa operação, capazes de reduzir o tempo necessário para a produção de artefatos nucleares.

 

O segundo é a rapidez com que o Irã está desenvolvendo a construção de um reator de água pesada, que poderia produzir plutônio nos próximos anos.

 

A primeira alternativa estará em plena ação no primeiro semestre do ano que vem. Com a segunda, já em adiantado estágio de construção, uma vez carregada com combustível nuclear, não será possível seu bombardeio sem provocar um desastre ambiental de imensas proporções.

 

A previsão é de que esse reator fique pronto em 2014. Concluem os homens do war party: caso Obama concorde em estender as negociações por anos, a opção de bombardear o Irã terá de sair da mesa.

 

E o Irã acabará produzindo suas bombas sem problemas, já que as sanções fracassaram mesmo.

Ergo: ou Rohani ergue a bandeira branca neste ano ou bomba nele, antes que seja tarde demais.

 

Por sua vez, Netanyahu elevou a voz, alertando o Ocidente para não cair no canto da sereia, pois os fanáticos iranianos não merecem confiança e impedir que eles tenham armas nucleares, só usando a força.

 

No dia 18 de junho, ele aumentou ainda mais suas imposições: “Não podemos aceitar menos do que a cessação total de todo o enriquecimento de materiais nucleares, a qualquer nível, remoção de todos os estoques desses materiais do Irã e o fechamento de suas instalações nucleares ilegais”.

 

Portanto, o Irã teria de abandonar mesmo o enriquecimento de urânio a 3,5%, necessário ao uso pacífico da energia nuclear, muito longe dos 90% exigidos para fins militares. E até mesmo fechar suas instalações nucleares, acabando com seu programa de aproveitamento dessa energia.

 

É de se crer que nem a pressão dos subordinados de Bibi no Congresso norte-americano forçará Obama a capitular diante de pretensões tão injustas e despropositadas.

 

No entanto, é de se esperar novas ameaças israelenses de bombardeio por conta própria.

 

Talvez dessa vez sejam pra valer: o governo de Tel-aviv acaba de solicitar à Casa Branca a antecipação da ajuda de 2 bilhões de dólares em armamentos, prevista para o ano que vem. As intenções parecem altamente suspeitas.

 

Além dos obstáculos externos à moderação de Rouhani, cogita-se que também Khamenei e seus seguidores linha-dura acabem criando caso.

 

Pouco provável. Afinal, Khamenei aceitou a eleição do candidato moderado, apesar de ele representar um tipo de política oposto à que o supremo líder tem adotado.

 

Lembre-se que as sanções dos EUA e da ONU criaram algo próximo do caos. A inflação e o desemprego rondam pelos 30%, empresas fecham, as suspensões de jornais e prisões de críticos do regime assustam, mas também irritam o povo. E pior: a situação econômica tende a se agravar com a aplicação de novas sanções já em andamento.

 

Khamenei é autoritário, mas todo líder não consegue ir muito longe tendo contra si a maioria do seu povo.

 

No momento, Khamenei parece estar topando um compromisso com posturas democráticas e pragmáticas, que possam tirar da frente as devastadoras sanções e a crise econômica consequente.

 

Claro, Rouhani não terá sinal verde para fazer tudo o que quiser. No entanto, provavelmente, o supremo líder lhe terá aberto um amplo espaço de autonomia.

 

O regime islâmico não deve perder suas características religiosas e autoritárias; Khamenei continuará com a última palavra em muitos assuntos, especialmente na área da política exterior.

 

Mas não é crível que ele impedirá Rouhani de cumprir suas promessas de moderação nas negociações nucleares, na busca de um acerto com os EUA e de certa liberalização do regime.

 

Claro, esse arejamento acabará caso as sanções não cessem e a economia não reaja. Por enquanto, a bola está com Rouhani. Ou melhor: com Obama. O presidente do Irã já virou o jogo em seu país.

 

Cabe ao presidente dos EUA resistir aos políticos do Israel, First e a seu líder, Netanyahu.

 

Pois, depois de o Irã mudar, sim, Obama também pode. Não é simples, mas é assim.

 

Luiz Eça é jornalista.

Website: Olhar o Mundo.

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