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Não podemos nos deixar levar pelas questões marginais Imprimir E-mail
Escrito por Arnaldo Mourthé   
Terça, 02 de Julho de 2013
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Estamos vivendo um momento crucial para a humanidade. A sociedade liberal burguesa se desfaz nas suas contradições, na hipocrisia e no egoísmo. O modo de produção capitalista entrou em uma crise sem fim, produzida pelo excesso de acumulação de capital nas mãos de poucos, alimentado pela subversão de valores, colocando o lucro acima da vida.

 

O Estado é objeto de desmonte, transformado em instrumento de arrecadação para pagar juros indevidos de uma dívida pública fabricada para gerar juros e submeter nações. Os serviços públicos estão em processo de degradação, transformados em fontes de lucros indevidos. Os partidos políticos, na sua maioria, corrompidos para administrar o Estado em favor do capital, em detrimento das necessidades da população, e votar leis a favor do capital, que acentuam o desmonte do próprio Estado. Essa corrupção se difunde por toda a sociedade, em especial nos seus meios de comunicação. O poder do capital cresce e o da cidadania míngua. Contra os efeitos desses fenômenos a população se levantou, com reivindicações diversas, todas contra a precariedade dos serviços públicos e a injustiça de um aparelho policial que defende mais o status quo que os direitos do cidadão, até mesmo agredindo o próprio cidadão que ele deveria defender.

 

A mobilização do governo não se fez contra as causas que produzem o caos, mas apenas para desmobilizar com medidas tacanhas que não fizeram parte das reivindicações, priorizando uma reforma política que ninguém sabe para que, como se uma máquina podre pudesse ser consertada. Nenhuma palavra sobre o causa primeira da desordem, a dívida pública, que só cresce,  e também os seus juros -  manipulados pelos próprios credores, que colocam o Estado, não apenas do Brasil, mas também pelo mundo afora, submetido aos ditames de um grupo de investidores vorazes, que transformaram o capitalismo de modo de produção em modo de destruição, através de guerras sem fim e da degradação da sociedade pela alienação e pela pobreza. Esta nossa civilização agoniza.

 

Há que pensar em uma Nova Civilização fundada sobre o respeito mútuo, o amor ao próximo, a paz e a fraternidade. A experiência histórica mostra que essa civilização deve ter como instituição a República para todos, na qual, com a conscientização crescente da população, a cidadania se desenvolva rapidamente até sua plenitude, a liberdade seja limitada para cada um apenas pelo direito de liberdade do outro, e nosso trabalho seja para a realização humana, e não para a acumulação particular da riqueza, que gera desavenças e guerras, e escraviza os homens.

 

Estaremos contribuindo para agravar e ampliar nossos problemas e o sofrimento de todos se nos deixarmos levar pela discussão de questões marginais, que mais visam protelar a agonia que curar o mal. É preciso acatar plenamente as reivindicações espontâneas das manifestações populares das ruas e exigir a melhoria dos serviços públicos e a redução de seus custos. Os recursos dos tributos que pagamos ao Estado devem ser priorizados para cumprir essas exigências. Quanto aos juros, melhor é suspender seu pagamento até a auditagem rigorosa de nossa dívida pública. Suas taxas jamais deverão exceder àquelas pagas pelo governo dos Estados Unidos, país que serve de referência para nossos governantes impor-nos soluções contra nossos interesses.

 

Enquanto isso, combatamos a entrega de nossas riquezas ao capital estrangeiro que tanto mal nos tem feito.

 

Arnaldo Mourthé é autor do livro História e colapso da civilização. Também foi vice-presidente da UNE entre 1969-70 e militante da Polop (Política Operária).

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Última atualização em Qui, 04 de Julho de 2013
 

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