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A luta é por direitos, não por migalhas! Imprimir E-mail
Escrito por Frei Gilvander Luis Moreira   
Quarta, 26 de Junho de 2013
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Primavera brasileira? O século 21 está, de fato, iniciando no Brasil? Mal estar da civilização capitalista? Podridão do capitalismo? Início de uma revolução rumo a uma sociedade socialista, com justiça social, justiça agrária, justiça ambiental e respeito aos direitos humanos de todos a partir dos 99% oprimidos? Alguns fascistas – extrema-direita – vão insistir em forjar golpe ludibriando o grito das ruas? Muitas perguntas estão no ar. A história dirá.

 

Em Belo Horizonte, no dia 22 de junho de 2013, cerca de 200 mil pessoas protestaram das 10 às 22 horas. Marchamos da Praça Sete até próximo ao Mineirão. Ao longo da marcha, muitas reivindicações foram feitas através de cartazes e com gritos de luta que ecoam de peitos fortes, conscientes e comprometidos com mudanças profundas no modelo econômico e político brasileiro. Além de “Nós somos a Força Nacional”, um dos gritos, repetido insistentemente, foi pela redução das tarifas do transporte coletivo.

 

O povo não engolirá a proposta indecente de reduzir apenas centavos. Um dos objetivos maior da luta é conquistar tarifa zero e passe livre, transporte público de qualidade e eficiente. Se os usuários dos transportes particulares não podem andar sem cinto de segurança, por que o povo trabalhador pode viajar em ônibus ou metrôs superlotados, pendurados uns nos outros e disputando espaços até para colocar os pés? A superação dessa injustiça passa pela municipalização/estatização do transporte coletivo. O povo descobriu que o direito constitucional de ir e vir implica ter acesso a meios de transporte público, gratuito e de qualidade. Não basta ter um direito formal e abstrato, é preciso ter acesso aos meios e instrumentos para efetivação do direito.

 

Só em Belo Horizonte, são mais de 500 mil pessoas que andam a pé por não poder pagar as caríssimas tarifas de ônibus, que são um roubo diário, lento, mas constante. Além da redução de impostos, o povo exige redução dos lucros dos empresários do transporte coletivo, hoje, privatizado. O grito não parará de ecoar enquanto a classe política não levar o povo a sério.

 

Mas na Av. Abraão Caran com Av. Antônio Carlos, um fortíssimo aparato militar bloqueou a aproximação do Mineirão. Diante da insistência do povo para adentrar no território “invadido” pela FIFA, com a cumplicidade dos governos e de grandes empresas, a Polícia Militar de Minas Gerais jogou, inúmeras vezes, uma chuva de bombas de gás lacrimogêneo, e asfixiantes, no meio da multidão.

 

A batalha durou mais de duas horas. Em um quilômetro quadrado, milhares de pessoas receberam nos olhos e nas narinas o gás asfixiante e ardente. Inclusive do helicóptero a PM jogou bombas de gás. Não é verdade que a PM apenas se defendeu. A polícia foi truculenta. Muitos experimentaram o jeito autoritário com que policiais tratam as pessoas, jeito que há muito tempo vem sendo denunciado pelo povo pobre das ocupações, aglomerados, vilas, favelas e ruas.

 

A Polícia, ao jogar bombas no meio da multidão, incita a violência, mostra seu rosto violento. A indignação do povo ferve. O mínimo que o povo pode fazer é xingar a polícia e reagir como pode: atirando pedras em lojas que estão por perto. Quanto mais bombas a polícia joga mais o povo quebra o que puder quebrar. O povo quer ser ouvido nas suas reivindicações. Quem recebeu gás lacrimogêneo jamais esquecerá e jamais será o mesmo. Autênticas aulas de cidadania estão sendo dadas nas ruas. Feliz quem delas participar. Cidadania não é apenas participar da sociedade, mas construir uma sociedade justa e solidária.

 

É emocionante ver a solidariedade que se desencadeia entre o povo que está na luta, nas ruas. Quem tem vinagre partilha com os atingidos pelo gás lacrimogêneo. Bendito vinagre que traz de novo a respiração e alívio para os olhos! Outros oferecem água. Outros levantam os caídos. E, juntos, gritam: “Abaixo a repressão!” Olhares vibrantes! Esperança se revigorando!

Adolescentes e jovens gritando também: “Mãe, mãe! – e vovós – vem pra luta, vem!”

 

Dia 23 de junho de 2013, debaixo do Viaduto Santa Teresa – palco do Duelo de MCs –, em Belo Horizonte, durante 5 horas, aconteceu mais uma Assembleia Popular Horizontal, do Poder Popular Participativo e Democrático. Cerca de 4 mil militantes participaram. No microfone, com dois minutos para cada um/a, mais de 200 jovens colocaram em comum propostas de reivindicações. Ao final, mais de 90 propostas, reunidas em 10 Grandes Temas:

 

1) FIFA e grandes eventos; 2) Transporte; 3) Saúde; 4) Educação; 5) Moradia, 6) Direitos Humanos; 7) Polícia; 8) Reforma política; 9) Democratização dos meios de comunicação; 10) Meio ambiente.

 

Quem são os vândalos e os violentos? É inaceitável a criminalização que a mídia faz das lutas populares. Nos primeiros dias dos justos e necessários protestos na capital de São Paulo, do Movimento Passe Livre, a TV Globo e a mídia em geral estavam chamando todos os manifestantes de vândalos e arruaceiros, em atitude criminalizante. Quando as manifestações se espalharam pelo país, a mídia começou a fazer uma distinção: “o movimento é pacífico, mas tem uns vândalos no meio que promovem quebradeira”. Provavelmente, os donos do poder midiático, principal “partido” no Brasil, querem conduzir as massas e reduzir as manifestações somente à “paz e amor”, o que não estremecerá o status quo podre do sistema capitalista, ora vigente no Brasil. É hora de resgatarmos a história e fazermos algumas reflexões.

 

Quem eram os Povos Vândalos? “Os vândalos eram um povo germânico oriental que penetrou no Império Romano durante o século 5 e criou um Estado no norte da África, ocupando a cidade de Cartago, antiga cidade fenícia que fora ocupada pelos romanos desde o fim das Guerras Púnicas. A localização de Cartago às margens do Mediterrâneo era estratégica para os Vândalos. Ali centralizaram seu Estado, logo após se estabelecerem, e saquearam Roma no ano de 455.”

“Ao longo da marcha para o oeste, os vândalos atingiram a margem do Danúbio e alcançaram o rio Reno, onde entraram em combate com os francos. Aproximadamente vinte mil vândalos morreram no choque entre esses dois povos, sendo que os francos só foram derrotados quando os alanos entraram no combate para auxiliar os vândalos. Em ações ousadas, os vândalos saquearam Roma durante duas semanas no ano de 455 e foram capazes de resistir ainda a uma frota enviada pelo Império Romano para combatê-los”.

 

Portanto, a história demonstra que os vândalos eram um povo digno que lutou aguerridamente contra o imperialismo romano. Logo, não é justo se referir aos vândalos apenas como arruaceiros. Eles lutavam por direitos.

 

Ontem, o império romano. Hoje, o império do capital, liderado pelos capitalistas. Assim como os vândalos lutavam contra a opressão do Império Romano, hoje milhões de brasileiros, nas ruas, lutam não apenas por migalhas, mas por direitos. Vândalos, hoje, não são os que revelam a infinita indignação que toma conta do povo diante de tanta violência provocada por um Estado vassalo do capital e dos capitalistas. Assim, a revolta iniciou contra um aumento de 0,20 centavos na passagem de ônibus em São Paulo, mas há muito tempo o povo está nas ruas neste país, com a pauta da moradia, da educação, da saúde, da reforma agrária etc. E irá muito longe. Não se encerrará sem mudanças substanciais no modelo econômico e político que desgoverna o Brasil.

 

Quem são os violentos hoje no Brasil? São os políticos, salvo raras exceções, que não representam o povo, mas, via de regra, defendem interesses de grandes empresas e latifundiários.

 

Violentos são juízes do Poder Judiciário, que não respeitam os princípios constitucionais de respeito à dignidade humana, republicanismo, função social da propriedade, criminalizando os movimentos sociais populares e absolutizando o direito à propriedade para apenas alguns.

Violentos são os administradores públicos e os juízes, que abarrotam as prisões, verdadeiros campos de concentração, jogando lá somente os pobres, negros e jovens.

 

Violentos são os grandes empresários que lucram, roubam e saqueiam a classe trabalhadora pagando míseros salários e, com intensificação do trabalho e do produtivismo, arrebentam com a saúde dos trabalhadores, empurrando-os para a via crucis do SUS.

 

Violentas são as grandes mineradoras que, como em Conceição do Mato Dentro, MG, causam uma devastação socioambiental sem precedentes na história. Com coração de pedra, vão dizimando as nascentes de água e deixando crateras, um rastro de destruição.

 

Violentos são os grandes empresários do transporte público privatizado, que lucram bilhões carregando o povo trabalhador como se esse fosse gado para ser transportado em condições indignas e por preço que esfola o povo diariamente.

 

Violentos são os banqueiros que cometem cotidianamente o pecado da usura, especulando com o dinheiro do povo e engordando seu poder econômico à custa de muito sangue humano.

 

Violentos são os latifundiários, que não cumprem a função social da propriedade e sequestram a terra em poucas mãos gananciosas, expulsando milhões de camponeses para as periferias das cidades.

 

Enfim, violentos são os dirigentes da classe dominante, que há séculos vêm pisando, humilhando e violentando a classe trabalhadora brasileira. Eis um exemplo: na época da escravidão formal, um cortador de cana cortava de três a quatro toneladas de cana por dia. Hoje, um bóia-fria dos canaviais paulistas corta de doze a quatorze toneladas por dia. Por isso, de 2004 a 2006, mais de vinte trabalhadores morreram por exaustão no trabalho.

 

É contra esses violentos que o povo se rebelou e estará nas ruas até que seus direitos sejam conquistados e efetivados. A luta é por justiça social, por justiça agrária, por justiça ambiental e por direitos humanos. Feliz quem dela participar e também contribuir para que espertalhões de plantão não venham golpear o povo, já tão oprimido, mas que está se levantando.

 

“DA COPA, DA COPA, DA COPA EU ABRO MÃO. EU QUERO MORADIA, SAÚDE E EDUCAÇÃO!” Esse é um dos gritos que unifica os milhões de cidadãos e cidadãs que estão nas ruas protestando. Esse grito só será atendido com mudança da política econômica neoliberal.

 

Aos militantes dos movimentos sociais populares digo: não tenhamos medo de continuar na luta, nas ruas, e de chamar toda a classe trabalhadora para as ruas. Coragem! Sejamos fermento no meio da massa! Luz no meio das trevas! Tempero na comida! E construamos uma sociedade justa e solidária, banquete para todos e não apenas para 1%. Enfim, por direitos lutamos, e não apenas por migalhas!

 

Belo Horizonte, MG, Brasil, 24 de junho de 2013, dia do profeta João Batista, martirizado por ter organizado os pobres para lutar contra as desigualdades socioeconômicas, políticas e ...


Frei Gilvander Luis Moreira é padre carmelita, mestre em Exegese Bíblica, professor de Teologia Bíblica, além de assessor da CPT, CEBI, SAB e Via Campesina.

E-mail: gilvander(0)igrejadocarmo.com.br

Website: www.gilvander.org.brwww.twitter.com/gilvanderluis

Facebook: gilvander.moreira

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Última atualização em Qui, 27 de Junho de 2013
 

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